MARCELO ANTONIO CESCA
Juiz federal aposentado e ex-procurador federal. Atuou na Justiça Federal do Paraná e do Distrito Federal e na Advocacia-Geral da União
Dicas para os concurseiros
Não existe método único ou infalível
05/02/2026
Em um país cuja folha salarial é alta para o empregador e baixa para o empregado, e em que as crescentes formas de “pejotização”, terceirização e informalidade na prestação de serviços têm sido autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal, apesar da resistência da Justiça do Trabalho, o sonho da estabilidade funcional e da melhor remuneração no serviço público atrai como nunca as pessoas que desejam deixar as instabilidades do mundo da iniciativa privada.
Uma vez tomada essa decisão e firmado esse propósito de vida, o estudante ingressará no “profissional” mundo dos concursos públicos, cujos cargos e empregos públicos são notoriamente disputadíssimos.
Ao longo das décadas, muitas pessoas têm me solicitado dicas sobre “como estudar”.
Pois bem. Não existe método único ou infalível, mas, primeiramente, reserve um espaço silencioso e dedique pelo menos duas a quatro horas por dia para o estudo, que deverá constar como um compromisso sério e inadiável em sua vida. Você terá de explicar essa nova rotina aos familiares e amigos mais próximos, e você também terá de recusar muitos convites para festas, eventos, passeios e conversas. Prepare-se para a solidão.
Estude principalmente a lei “seca”, ou seja, a legislação em si, sempre de acordo com os temas e matérias que são exigíveis para o cargo que você almeja e tendo por base os mais recentes editais daquela carreira com a qual você sonha.
Dedique um bom tempo para estudar e revisar os informativos de jurisprudência dos tribunais superiores, sobretudo do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, além do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, se for o caso.
Ler livros de doutrina ajuda, mas não disperse muito tempo neles. Um único livro de doutrina especializada por matéria já é o suficiente, ao menos para a grande maioria dos concursos públicos. Então essa é a ordem de prioridade: primeiro a legislação em si, depois a jurisprudência, e somente então os livros doutrinários.
MARCELO ANTONIO CESCA
Juiz Federal Aposentado e ex-Procurador Federal. Atuou na Justiça Federal do Paraná e do Distrito Federal e na Advocacia-Geral da União
Treine questões objetivas e dissertativas, e esteja atento ao seu domínio do vernáculo. Só escreve bem quem lê bastante, não tem outro jeito.
Por fim, reserve tempo ao longo da semana para dedicar a quem você mais ama, ao repouso e ao lazer. Como já dizia Chaplin, “não sois máquinas, homens é que sois!”. Não somos de ferro e estudar regularmente pode trazer problemas à coluna vertebral, além de perda ou ganho de peso, e o já mencionado isolamento social.
Para encerrar, lembre-se: quando você vir o seu nome constando da relação de candidatos aprovados, e quando você tiver o privilégio de tomar posse no cargo público a que aspira, todos os esforços e renúncias terão valido a pena.
Bons estudos!
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