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Lula recupera terreno e volta a liderar cenário contra Flávio Bolsonaro, aponta Quaest

Pesquisa indica melhora na avaliação do governo, impacto positivo de agenda econômica e empate técnico persistente entre PT e bolsonarismo para 2026

13/05/2026

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) consolidou um movimento de recuperação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após meses de desgaste provocado pela inflação dos alimentos, críticas à política fiscal e queda nos índices de aprovação do governo. O levantamento mostra Lula novamente numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026: 42% contra 41%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, configurando empate técnico.

Os números representam uma inflexão em relação ao cenário observado no início do ano, quando pesquisas apontavam maior dificuldade do Palácio do Planalto para conter o avanço da oposição conservadora. Agora, a Quaest identifica melhora na percepção sobre o governo e estabilização da base eleitoral lulista, especialmente entre eleitores de baixa renda e do Nordeste.

No primeiro turno, Lula lidera com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 33%. Em seguida aparecem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ambos com 4%. O influenciador Renan Santos registra 2%. Outros nomes testados ficaram abaixo de 2%.

Nas simulações de segundo turno, Lula aparece à frente em todos os cenários apresentados pela Quaest. Contra Romeu Zema, vence por 44% a 37%. Diante de Ronaldo Caiado, marca 44% contra 35%. Já contra Renan Santos, amplia a vantagem para 45% a 28%.

Embora a margem apertada diante de Flávio Bolsonaro revele persistência da polarização nacional, o levantamento indica que o governo conseguiu interromper, ao menos temporariamente, a trajetória de desgaste observada desde o segundo semestre de 2025.

Efeito Trump e recuperação econômica

Analistas políticos atribuem parte da recuperação ao impacto positivo de medidas recentes do governo e à estratégia internacional adotada pelo presidente. Segundo a Quaest, o encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi aprovado por 60% dos entrevistados. Para 43%, o petista saiu politicamente fortalecido da reunião.

O dado é considerado relevante porque neutraliza um dos principais discursos da oposição: o de isolamento diplomático do Brasil. A aproximação pragmática entre Lula e Trump também reduziu resistências em setores do agronegócio e do empresariado exportador, historicamente mais alinhados à direita.

Outro fator apontado pela pesquisa é a repercussão positiva do Desenrola 2.0, programa federal voltado à renegociação de dívidas. A avaliação predominante entre cientistas políticos é que o Planalto conseguiu retomar uma agenda econômica de impacto popular direto, semelhante ao movimento que historicamente fortaleceu governos petistas em momentos de pressão política.

O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirmou que a pesquisa aponta uma “reorganização da percepção econômica” entre os eleitores. Segundo ele, temas ligados a emprego, renda e crédito voltaram a aparecer com maior peso na avaliação do governo.

Polarização permanece

Apesar da recuperação, a pesquisa mostra que Lula e Flávio Bolsonaro mantêm níveis elevados de rejeição. O senador do PL aparece com 54% de rejeição, enquanto o presidente registra 53%.

Os números evidenciam um eleitorado ainda profundamente dividido. Lula preserva força em regiões historicamente favoráveis ao PT, enquanto o bolsonarismo mantém elevada fidelidade entre eleitores conservadores, religiosos e moradores do Sul e Centro-Oeste.

A consolidação de Flávio Bolsonaro como principal nome competitivo da direita também altera o tabuleiro interno do PL. Desde a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, dirigentes do partido discutem alternativas capazes de manter unido o eleitorado bolsonarista sem fragmentação regional.

A pesquisa sugere ainda dificuldades para candidaturas de terceira via. Caiado e Zema aparecem com desempenho limitado nacionalmente, mesmo mantendo aprovação elevada em seus estados. Para especialistas, o ambiente político segue comprimido pela lógica da polarização, dificultando o crescimento de candidaturas de centro ou centro-direita moderada.

Governo ganha tempo político

No Palácio do Planalto, auxiliares de Lula interpretaram os números como sinal de recuperação de capacidade competitiva para 2026. A melhora na aprovação ocorre em um momento estratégico, às vésperas da definição de alianças regionais e da retomada das articulações eleitorais no Congresso.

A leitura predominante entre analistas é que o governo ganhou “tempo político” para reorganizar sua base e tentar consolidar a recuperação econômica nos próximos meses. Ainda assim, o empate técnico com Flávio Bolsonaro mostra que o cenário eleitoral segue aberto e altamente competitivo.

A Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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