MARCELO ANTONIO CESCA

MARCELO ANTONIO CESCA

Juiz federal aposentado e ex-procurador federal. Atuou na Justiça Federal do Paraná e do Distrito Federal e na Advocacia-Geral da União

Opinião

O causo do alho

Eu tinha 26 anos quando essa história bizarra aconteceu

30/03/2026

Em minha ingenuidade juvenil, eu pensava que para ser juiz bastava estudar bastante e ser aprovado no concurso público de provas e títulos.

Mas ser magistrado é muito mais do que isso: é julgar e gerir pessoas, administrar processos e bens, aprender o tempo e todo e, sobretudo, tentar estar pronto e preparado para situações imprevisíveis e inéditas.

Pois tinha eu 26 anos de idade, começando a exercer a jurisdição na querida e acolhedora cidade de Umuarama – PR, que abrangia até os Municípios de fronteira com o Paraguai, quando o bizarro causo do alho aconteceu.

Foi assim.

A polícia apreendeu um caminhão de carga de alho importado sem autorização das autoridades brasileiras competentes. Isso é crime de contrabando (importar mercadoria proibida).

Optou-se por armazenar o alho apreendido dentro do fórum da Justiça Federal, em plena sexta-feira.

Pois bem.

Veio o sábado, passou o domingo.

Na segunda-feira, quando os funcionários chegaram ao fórum da Justiça Federal para trabalhar, o fedor do alho aprendido havia se infiltrado e se alastrado pelo sistema de ar condicionado do prédio inteiro, que no passado havia sido uma agência bancária do finado BANESTADO.

O cheiro de alho estava absolutamente insuportável para todos.

Que vergonha a minha! Vieram me perguntar o que fazer com todo aquele alho empilhado.

Determinei que fosse realizada a avaliação econômica dele e que ele fosse emergencialmente distribuído para as entidades comunitárias, sociais e assistenciais da região que tivessem interesse.

Acho que nunca houve tanto alho sobrando – e fedendo – lá em Umuarama...

Esse é o tipo de situação que os livros de Direito não ensinam. A vida é muito mais rica e complexa do que qualquer literatura.

O causo do alho, que parece uma anedota, é verídico. E tenho dito.

Seus pensamentos, palavras e ações são responsáveis pela guerra? Ou pela paz?

Meditemos...

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