MARCELO ANTONIO CESCA
Juiz federal aposentado e ex-procurador federal. Atuou na Justiça Federal do Paraná e do Distrito Federal e na Advocacia-Geral da União
A era da informação
Se me permite um conselho, eu digo: leia
16/02/2026
Uma das virtudes da arte e dos artistas é a de estarem à frente do seu tempo. Na música, na pintura, na literatura, no cinema e na escultura, os artesãos costumam se antecipar aos fatos e tendências do futuro.
Exemplo disso era a banda estadunidense chamada “Information Society”, fundada em 1981. Àquela época, a internet ainda não estava disseminada, os aparelhos de telefone celular não existiam, o Whatsapp sequer era cogitado e os livros e textos em formato PDF eram um sonho distante, mas aquela banda já previa que estávamos caminhando para a Era da Informação.
Àquela época, lia-se muito. As pessoas alfabetizadas tinham ao seu alcance livros de papel, disponíveis em bibliotecas e livrarias em geral, além de se encontrar vastas enciclopédias, como a Barsa e a Britânica, que reuniam o conhecimento geral acumulado até então. Eram itens de luxo nas residências que tinham poder aquisitivo para adquiri-las.
O tempo passou e chegamos à tal Era da Informação. O conhecimento acumulado é vasto e facilmente acessível, muitas vezes de forma gratuita. Mas, na média, paradoxalmente a maioria das pessoas não lê mais livros, sejam estes em formato físico ou eletrônico.
MARCELO ANTONIO CESCA
Juiz Federal Aposentado e ex-Procurador Federal. Atuou na Justiça Federal do Paraná e do Distrito Federal e na Advocacia-Geral da União
Por quê?
O que se vê, hoje em dia, é uma quantidade crescente de estudos e pesquisas demonstrando que mais da metade dos brasileiros não leu um único livro sequer nos últimos meses, e que a média do coeficiente de inteligência da população nacional caiu de 100 para 83 pontos apenas.
Estranhamente, horas e horas de nossos dias são despendidas no telefone celular ou no computador ou tablet, lendo-se postagens rápidas nas redes sociais da moda (Instagram, X, Facebook etc.) ou apenas manchetes superficiais em certos meios de comunicação social.
Ler é essencial. Permite não apenas o aprendizado, mas também desenvolve as capacidades de concentração, de reflexão, de raciocínio abstrato, de crítica e outras, tão essenciais para a formação intelectual, cultural e política do ser humano e do cidadão em geral, aquele que atualmente vota mas em seguida já não se lembra mais do nome do candidato em quem votou.
Livrarias fechando, bibliotecas às moscas, “sebos” de livros diminuindo. É um cenário triste e desolador, permitam-me redigir este sincero desabafo.
E se aos 45 anos de idade me for permitido dar um humilde conselho ao estimado leitor deste artigo, minha frase se resume a uma única palavra: “Leia!”
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