MARCELO ANTONIO CESCA
Juiz federal aposentado e ex-procurador federal. Atuou na Justiça Federal do Paraná e do Distrito Federal e na Advocacia-Geral da União
Que sociedade queremos?
Não é uma tarefa fácil. Pergunto: quem faz o Direito? E quem faz a Justiça?
30/10/2026
Esse ambiente altamente tóxico, no qual os discursos de raiva, ódio, ameaças e mútuo desprezo ideológico proliferam e viralizam, têm adoecido a muitas pessoas, e especialmente às mais vulneráveis, que são nossas crianças e adolescentes.Aguardei o fim das eleições para voltar a escrever neste espaço gentilmente cedido pelo querido amigo Escritor, Jornalista e Cientista Político Paulo Esteche.
O rescaldo do período eleitoral é triste, e não me refiro aqui ao resultado das urnas.
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Refiro-me a essa oceânica divisão polarizada da sociedade guarapuavana, paranaense e brasileira em geral, na qual familiares brigam entre si, amigos rompem laços de amizades e agora empresários demitem e fazem ameaças a quem pensa e vota de maneira diferente da sua.
Diz-se que o significado etimológico da palavra “diálogo”, de origem grega, seria algo como “conversa entre duas inteligências”.
Esse ambiente altamente tóxico, no qual os discursos de raiva, ódio, ameaças e mútuo desprezo ideológico proliferam e viralizam, têm adoecido a muitas pessoas, e especialmente às mais vulneráveis, que são nossas crianças e adolescentes.
Na edição do portal UOL de hoje, dia 28.10.2026, noticia-se que a principal causa de morte atual na vizinha Argentina é o suicídio.
Assim é lá, assim está ocorrendo aqui. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que as doenças mentais, com a liderança da depressão e dos transtornos de ansiedade, será a principal causa de adoecimento da população global em poucos anos.
De quem é a culpa? De quem é a responsabilidade?
É totalmente nossa, pois somos nós que, pelos diversos meios de comunicação e de redes sociais, publicamos, curtimos e clicamos em conteúdos negativos, de extrema violência física e psicológica. Já se dizia antigamente que “o povo gosta de sangue”.
Ocorre que o povo nunca foi bom juiz de si próprio. Aliás, ninguém é bom juiz de si mesmo. Exemplo disso é a narrativa bíblica de Jesus Cristo, processado, julgado e crucificado pelo povo daquela época. Nós mudamos algo, por acaso? Não seguimos fazendo justiça com as próprias mãos e palavras nos ambientes virtuais, familiares e sociais?
Mais serenidade, mais equilíbrio, mais tolerância, mais compreensão ao próximo. Talvez a iminência da chegada do período natalino nos faça relembrar, ainda que superficialmente, da enorme importância dessas virtudes individuais e coletivas.
Faço votos para que as “conversas entre duas inteligências” retomem o seu curso em nossas famílias e na sociedade em geral, despidas de tantas emoções tão nocivas a cada um de nós e aos nossos vulneráveis infantes.
Paz!
Todo mundo fala
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