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Gabriely Montalde ainda enfrenta repercussão nas redes após a polêmica do Copacabana Palace

Família da agrônoma de Guarapuava denuncia ameaças e diz que estudante está "abalada"

18/10/2026
Após a exposição nas redes, a família relata ameaças e informa que adotará medidas para responsabilizar os autores dos abusosApós a exposição nas redes, a família relata ameaças e informa que adotará medidas para responsabilizar os autores dos abusos

Seis dias depois do episódio no Copacabana Palace, Gabriely Lopes Montalde, agrônoma e pós-graduanda em Agronomia da Unicentro, em Guarapuava, continua enfrentando a repercussão de uma onda de críticas ao gesto que foi interpretado contra Lula e passou a ser usado nas redes contra Flávio Bolsonaro. Enquanto milhares de apoiadores de Lula caminhavam pela Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro (RJ), ela apareceu na sacada do hotel fazendo um sinal interpretado como 22, número do candidato bolsonarista. A reação saiu da avenida e ganhou a velocidade de um tsunami nas redes, alimentada pela informação de que Gabriely recebe bolsa da Capes. Para os críticos, haveria incoerência em beneficiar-se de financiamento público e apoiar um campo político que eles consideram contrário à manutenção desses investimentos.

A discussão não ficou limitada ao gesto. Comentários passaram a apresentar Gabriely como alguém que, embora beneficiária de recursos públicos, buscaria identificação com uma elite econômica, cuja classe social ela não pertence, mas viveria, segundo seus criticos, a ilusão do faz-de-conta em apoio a um candidato "que se opõe aos benefícios que, na vida real, ela tanto necessita". Surgiram comparações com Maria Antonieta, rainha da França que se tornou símbolo do distanciamento da monarquia em relação à população, e expressões como “pobre que veste Prada”, além de referências à Shein, marcas dos famosos, comparativo ao sonho da Bela Adormecida que parece desconhecer a proximidade da meia-noite, quando os sonhos se evaporam como uma abóbora.

A imagem de Gabriely na sacada do Copacabana (acima) e um dos memes, comparando a estudante a Maria Antonieta, "a rainha que traiu os pobres"

Gabriely foi ao casamento acompanhando o namorado, que era convidado da noiva, segundo informações repassadas ao Portal Paraná Central. A presença na sacada, durante a passagem dos manifestantes, acabou levando sua imagem e sua trajetória acadêmica ao centro da discussão política do segundo turno eleitoral, num instante em que os algoritmos mostravam uma ascenção meteórica de Lula nas redes sociais – terreno até então dominado pela direita.

A Capes, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, é uma fundação vinculada ao Ministério da Educação. Suas bolsas financiam a formação de pesquisadores e a realização de pesquisas. Não são destinadas exclusivamente a quem não pode pagar um curso, nem representam pagamento de mensalidade: a Unicentro é uma universidade pública e gratuita.

A crítica à estudante relaciona o recebimento da bolsa ao apoio atribuído a ela a Flávio Bolsonaro. Durante o governo Jair Bolsonaro, os benefícios continuaram existindo, mas os valores de mestrado e doutorado permaneceram congelados. Em dezembro de 2022, restrições financeiras interromperam temporariamente os pagamentos, posteriormente retomados. Em 2023, no governo Lula, houve reajuste. Na base de comparação, o bolsonarismo jogou a Capas para o retrocesso pleno e, não fosse o Governo Lula, "dificilmente Gabriely conseguiria ser uma bolsita". Segundo foi possível apurar, a bolsa regular de mestrado da Capes é de R$ 2.100 por mês.

Blogs de esquerda cobrando "coerência" de Gabriely, repercussão infinitamente maior à presença do deputado estadual Ademar Traiano (PSD do Paraná), que também estava na sacada

Com a ampliação da repercussão, também começaram a circular versões de que Gabriely seria simpática à candidatura de Lula e teria feito um sinal de “paz e amor”, e não o número 22. Essa versão não foi confirmada pela família ao Portal Paraná Central.

O deputado estadual reeleito Ademar Traiano (PSD) também estava no casamento. Apesar da presença do parlamentar, boa parte da discussão relatada nas redes concentrou-se na estudante.

O Portal convidou Gabriely para uma entrevista e só conseguiu acesso à mãe, Edna Montalde, mãe de Gabriely. Segundo ela, a repercussão ultrapassou os limites do debate político e deixou a jovem abalada, sentindo-se “linchada publicamente”.

“A situação tomou uma proporção inaceitável, extrapolando o debate de ideias e adentrando o terreno de graves abusos”, diz o texto encaminhado ao Paraná Central por Edna. A família relatou violência, ameaças à integridade, injúrias e difamações, afirmando que os episódios estão sendo tratados nas "instâncias responsáveis". Não detalhou as ocorrências nem as medidas adotadas.

Por orientação da assessoria jurídica, a família informou que não concederá entrevistas nem emitirá novos pronunciamentos neste momento. Há rumores de que Gabriely daria entrevista ao programa Fantástico (Rede Globo), versão também não apurada.

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