LUIZ FELIPE DE LIMA

LUIZ FELIPE DE LIMA

Formado em História pela Unicentro, é professor e um apaixonado pela história de Guarapuava. Pesquisador no campo da História das Relações Internacionais e Geopolítica.

Opinião

Fanatismo de eleitores por Moraes vai custar caro a Lula e à República

Não se encontra um único brasileiro com bom senso que diga de boca cheia que o Supremo dá orgulho ao país. Nossos juízes estão afundados no lamaçal e fazem de conta que são santos

16/09/2026
O que se assistiu no plenário da Suprema Corte e com transmissão para todo o país foi um verdadeiro show de horroresO que se assistiu no plenário da Suprema Corte e com transmissão para todo o país foi um verdadeiro show de horrores

É praticamente impossível encontrar qualquer brasileiro com bom senso que diga de boca cheia que confia no Supremo Tribunal Federal. A instituição mais poderosa do país se tornou um colegiado cheio de poderes podres que fede à corrupção, fanatismo, abuso de autoridade e tantas outras barbaridades. A Madame justiça já não tem seus olhos vendados para fugir da parcialidade, mas para fazer de conta que não vê aqueles que atuam como os únicos Deuses da Justiça.

O que se assistiu no plenário da Suprema Corte e com transmissão para todo o país foi um verdadeiro show de horrores, havia torcida do bem contra o mal em um maniqueísmo de quinta categoria, com heróis togados para combater o PT e a corrupção, o bolsonarismo e os golpistas, havia torcida para todos os gostos, menos para fazer aquilo que era certo: passar o Supremo a limpo.

Em um mundo perfeito, Alexandre de Moraes, Kássio Nunes Marques, André Mendonça, Dias Toffoli e Luiz Fux teriam vergonha e renunciariam aos seus cargos, mas como estamos longe da perfeição, Fux acha absurdo a Polícia Federal “peitar” um Ministro do STF; André Mendonça vive em um mundo de Santos Justiceiros, como se fosse um dos irmãos MacManus, enviador por Deus para combater a máfia. Kássio Nunes, até onde se aponta, foi agradado por garotas de programa que supostamente cobraram dez mil reais por favores sexuais ao magistrado. Dias Toffoli era sócio do malandro e Alexandre Moraes com uma esposa que advogava para o trambiqueiro.

E aqui vai uma verdade que muitos talvez não queiram ler: o atual quadro do STF tem dado razão para o que a direita há muitos meses vem martelando: o STF não é mais digno de confiança; do outro lado, a cegueira política e fanatismo da esquerda acreditam em um Alexandre de Moraes perseguido por André Mendonça e defendido por metade da Corte. E é aí que o bicho pega.

O fanatismo por Moraes pode custar caro a Lula, enquanto a base aliada brinca de defender a democracia nos seus discursos eleitorais e falar mal do bolsonarismo, esqueceu que vai ter que explicar à população como defende um Ministro que está enrolado em esquemas de corrupção até o último fio de cabelo que ele não tem. E anotem aí, crianças, esse apoio travestido de indiferença vai custar caro ao presidente; Daniel Vorcaro tem ainda mais balas carregadas e, mesmo que Lula não seja diretamente ligado ao caso Master nem aos demais conluios envolvendo os ministros do STF, o mesmo não se pode dizer sobre Lulinha, que tem muitas explicações para dar.

Quanto a Flavio Bolsonaro, talvez seja o maior vitorioso. Embora tenha rejeição até mesmo entre os eleitores da direita por não ser seu pai e por estar aliado a Sérgio Moro, Bolsonaro tem uma forte vantagem sobre Lula: ele não é presidente, tem seu mandato de Senador e não precisa falar para convertidos; o que vai definir o peso do eleitorado indeciso é a reação do governo e da base governista ao escândalo do STF. Bem ou mal, quem passou a mão na cabeça do Supremo foi a esquerda e vai ter que responder por isso nas urnas.

Lula dormirá presidente no dia 4, mas se a República acordar em pé no dia 5, com ele reeleito ou não, serão 4 anos infernais pela frente, independente de quem vença a eleição.  

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