JOSIEL LIMA
Agrônomo, pai de família, produtor rural, empresário, presidente do MDB em Guarapuava, foi candidato a deputado federal e secretário municipal de Agricultura.
O potencial milionário da agricultura familiar em Guarapuava
Cerca de 3.100 hectares de terra, por baixo, podem ser agregados à cadeia produtiva, contando só os assentamentos em Guarapuava (Imagens ilustrativas)
01/12/2025
Programas que contemplem os pequenos produtores podem mudar o cenário da agricultura familiar em GuarapuavaO tema que trago neste artigo é sobre o potencial da agricultura familiar na região central do Paraná, mais especificamente no município de Guarapuava.
Em uma primeira análise, devo dizer que Guarapuava pode agregar mais valores em sua economia primária com avanços na agricultura familiar, tanto do ponto de vista técnico, como também econômico e social.
A agricultura familiar tem grande importância no abastecimento alimentar das cidades.
Este segmento da agricultura está presente em todos os setores das economias de 1º Mundo, e em regiões bem próximas de nós, como no Sudoeste do Paraná (Pato Branco, Francisco Beltrão) ou no Oeste de Santa Catarina (polarizada por Chapecó).
Estes “colonos”, como são carinhosamente chamados, aprenderam desde cedo que terra é sinônimo de trabalho, e que trabalho precisa ter retorno. Os governos, atentos a essa premissa, responderam com programas de apoio focados na assistência técnica, produção, produtividade e comercialização.
Em Guarapuava, centenas de famílias estão enquadradas nesta categoria, muitas já sob progresso significativo. Se olharmos para o mapa que é composto por pequenas áreas, vamos observar que há um grande potencial a ser explorado, com benefícios para centenas de famílias, individualmente, e para o contexto da economia municipal como um todo.
Ou seja: mais famílias produzindo, maior fonte de renda e de gastos no comércio. Sem contar, a probabilidade de novos projetos agroindustriais em diferentes modalidades e escalas.
O maior exemplo desta realidade está nos números que envolvem os assentamentos de reforma agrária no município.
Guarapuava abriga 8 assentamentos rurais, incluindo o Quilombo Paiol de Telha, que foi recentemente reconhecido pelo governo federal, totalizando 7.178,10 hectares. Em cima destas terras, sobrevivem 325 famílias. Descontando as áreas de vegetação nativa (3.112,50 ha) e de reserva legal (1.435,62 ha), o saldo de terras plenamente agricultáveis é de 2.629,98 hectares.
Quando digo “plenamente agricultáveis”, refiro-me à viabilidade de programas que estimulem nessas propriedades a produção de culturas de verão (soja, milho e feijão) e de inverno (trigo, cevada e aveia cobertura e comercial).
É a possibilidade destes agricultores saírem de culturas de subsistência (em muitos casos, com renda exclusivamente de arrendamento), para o cultivo rentável da agricultura em escala. Nossa região já tem tradição e tecnologia em lavouras de inverno e de verão, gado de leite e de corte, ovelhas, hortifrutigranjeiros e florestas (pinus, eucalipto) como atividade de longo prazo. E estas propriedades se encaixam em programas com esses objetivos.
Numa conta conservadora (o valor pode ser mais), é possível dizer que nestes 2,6 mil hectares a receita bruta tende a chegar a R$ 119 milhões/ano – ou, R$ 367,0 mil/ano por família (o que ainda a enquadraria como agricultura familiar, dando acesso a todos as políticas de crédito voltadas para o setor, cujo limite anual está em R$ 500 mil).
Tirando as despesas (que representam de 70% a 80%), sobraria entre R$ 6 mil e R$ 9 mil mensais de retorno líquido para cada família.
Estou sendo “conservador” nos meus cálculos, porque a receita pode ser ainda maior se a área de vegetação for consorciada com as lavouras, ampliando a bovinocultura de corte e de leite, ovinos e hortaliças. Com isso, chegaríamos ao total de 5.742,56 hectares, nos 8 assentamentos.
Com boa assistência e planejamento, essas áreas podem aumentar a produtividade. Na soja, por exemplo, a rentabilidade chega de 10% a 15%, o que representa entre R$ 2.000,00 e R$ 3.000,00 por hectare.
Na atividade leiteira, embora o preço pago ao produtor oscile, ainda é um setor marcante em todos os municípios paranaenses (o quarto no ranking de produtos agropecuários). Para a bovinocultura e ovinocultura de corte, o correto seria vender em lotes, viabilizando aumentando no ganho.
Faço menção aos assentamentos, por considerar a grande quantidade de terra que está sendo subutilizada e o potencial produtivo que, uma vez bem-organizado, trará um impacto extraordinário em toda a economia local e regional. É uma questão de vontade política e de saber fazer.
Em todo o processo da agricultura familiar, a assistência técnica é crucial. São os técnicos que irão criar e executar programas para o máximo aproveitamento das áreas. O plantio em terrenos contíguos pode ser em grupo (planta todos como se fosse um único, do começo ao fim), com máquinas cedidas pela prefeitura. Na colheita, contrata um terceiro, no mesmo sistema.
O sistema associativo funciona muito bem, para acompanhamento na produção e venda.
Um dos grandes mercados é a merenda escolar, que pode aumentar o ganho com a inclusão de produtos derivados de animais.
Este processo não acontece da noite para o dia. Mas, hoje, não chegamos nem perto disso e há modelos bem-sucedidos que podem ser replicados e adaptados. Aqui mesmo em Guarapuava, temos produtores da agricultura familiar em estágio avançado – é preciso incluir os que estão fora, e melhorar o conjunto no que for necessário.
Com tudo isso, a realidade atual do município pode mudar em num período de médio prazo. Todos ganham: os produtores, a sociedade e o modelo econômico das pequenas propriedades que, como se percebe, se somadas tornam-se uma considerável extensão de área produtiva e rentável.
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