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Palácio Iguaçu e Senado em disputa, eleitor do Paraná se mostra alheio e guiado por nostalgia

Pesquisa de intenção de votos aponta o óbvio no cenário, mas a eleição será em outubro de 2026

26/05/2025

A pouco mais de um ano da eleição que definirá o próximo governador do Paraná e os dois novos senadores da República, o estado parece atravessar uma espécie de entressafra política — não de nomes, mas de atenção popular. Três em cada quatro paranaenses ainda não sabem em quem votar para o governo estadual. Para o Senado, o desinteresse é ainda mais expressivo: 86,3% dos eleitores seguem indecisos. 

A sondagem feita pelo Instituto Paraná Pesquisas revela um vácuo preocupante de engajamento, mas também fornece pistas sobre a forma como o eleitorado paranaense tende a se mover: sem vínculos ideológicos firmes, os nomes mais conhecidos seguem na dianteira.

A coluna Poucas&Boas, do Portal Paraná Central, faz uma análise sobre as indicações apontadas neste recente levantamento. Uma reflexão sobre os nomes que se apresentam e os rumos do Paraná em questões tão importantes, como uma eleição para o governo do Estado, Senado, deputados federais e estaduais.

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Neste cenário de baixa atenção e alta volatilidade, figuras com forte recall político — como o senador Sergio Moro (União Brasil), o ex-governador Beto Richa (PSDB) e Requião Filho (PT) — dominam os levantamentos preliminares. No primeiro cenário testado para o governo estadual, Moro aparece com expressivos 43,9% das intenções de voto. É uma vantagem confortável sobre Requião Filho (18,1%) e Richa (17,9%).

Embora Moro não tenha se posicionado publicamente sobre uma candidatura ao Executivo estadual, o instituto testou seu nome em diversos cenários — inclusive em simulações de segundo turno. Em todas, o ex-juiz da Lava Jato sairia vencedor, inclusive frente a Beto Richa, Rafael Greca (PSD), e Alexandre Curi (PSD), presidente da Assembleia Legislativa.

“É o peso do nome. Moro ainda carrega consigo a simbologia da Lava Jato e, goste-se ou não, ela permanece viva na memória de boa parte do eleitorado do Sul”, avalia a cientista política Luciana Leme, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “A dúvida é: isso será suficiente para sustentá-lo numa eventual campanha contra nomes com estrutura partidária e base regional sólida?”

A força do recall e seus limites

O favoritismo de Moro é, até agora, mais sintoma da desmobilização do eleitor do que sinal de uma campanha consolidada. No mesmo levantamento, candidatos como Guto Silva, secretário de Cidades de Ratinho Junior, e Ênio Verri (PT), ex-diretor de Itaipu, patinam abaixo dos 5%. O mesmo vale para Alexandre Curi e, em menor escala, para o ex-prefeito Rafael Greca.

Greca, por sua vez, apresenta o desempenho mais competitivo do PSD, ficando em segundo lugar quando testado contra Moro: 33,8% contra 54,3%. Mas sua hesitação em assumir uma candidatura e o desafio de nacionalizar seu nome além da capital podem pesar.

Na corrida pelo Senado, o cenário é ainda mais emblemático da lógica do reconhecimento. Requião e Richa aparecem praticamente empatados, com pouco mais de 30%. Cristina Graeml, jornalista que se destacou nas redes sociais e disputou a prefeitura de Curitiba em 2024, surpreende com 23,7%. Já Filipe Barros (PL), Pedro Lupion (PP) e Zeca Dirceu (PT) aparecem com desempenho modesto.

Mas quando o nome de Ratinho Junior — atual governador e figura de aprovação quase universal (80,5%) — é testado como candidato ao Senado, a corrida muda de escala: ele salta a 62,3% das intenções de voto, eclipsando todos os demais concorrentes.

“Ratinho é, hoje, o ativo eleitoral mais poderoso do Paraná. Mas sua escolha sobre onde disputar pode mudar completamente o tabuleiro para o governo e para o Senado”, afirma o analista político André Torres, da consultoria Arko Advice.

O papel de 2024 como ensaio frustrado

A eleição municipal de Curitiba em 2024 funcionou como ensaio para 2026 — e uma advertência. Roberto Requião, que chegou a liderar as intenções de voto, acabou com apenas 1% nas urnas. Seu desempenho foi um lembrete de que o reconhecimento do nome, sozinho, não é garantia de competitividade em uma campanha de fôlego.

Enquanto os bastidores do Centro Cívico fervem com negociações, alianças e articulações, o eleitor comum permanece à margem. A desconexão, no entanto, tem prazo de validade: com a campanha ganhando corpo ao longo do próximo ano, o desafio dos pré-candidatos será romper a apatia e transformar notoriedade em votos.

A janela para isso, porém, é curta – e a sombra de Ratinho Junior, seja como fiador ou protagonista, promete pairar sobre qualquer palanque.

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