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Rejeição, o novo componente da pesquisa eleitoral no PR

12/05/2026

Levantamento da Paraná Pesquisas divulgado nesta semana segunda-feira (11) sugere uma nova reflexão sobre o cenário da disputa pelo governo do Paraná em 2026. Após quatro rodadas consecutivas realizadas entre janeiro e maio, os números indicam que os principais pré-candidatos ao Palácio Iguaçu começam a enfrentar limites de crescimento eleitoral, enquanto a rejeição passa a ocupar papel central na dinâmica da corrida sucessória.

O senador Sergio Moro segue líder isolado em todos os cenários, mas os dados apontam uma desaceleração inédita desde o início do ano. Na pesquisa estimulada, Moro caiu de 46% em abril para 42,6% em maio – recuo superior à margem de erro do levantamento, de 2,6 pontos percentuais. Trata-se da primeira interrupção consistente de sua trajetória ascendente em 2026.

Saturação eleitoral

A queda ocorre paralelamente ao aumento da rejeição do ex-juiz da Lava Jato. Em janeiro, 20,2% dos entrevistados afirmavam não votar em Moro “de jeito nenhum”. Agora, o índice alcança 25,1%, o maior patamar da série. Em ciência política, movimentos simultâneos de estabilização da intenção de voto e aumento da rejeição costumam indicar início de saturação eleitoral – sobretudo em candidaturas altamente conhecidas.

Ainda assim, Moro mantém um indicador considerado estratégico por analistas: o crescimento contínuo na pesquisa espontânea, modalidade em que o entrevistado cita o candidato sem acesso prévio aos nomes. O senador saiu de 4,5% em janeiro para 14,5% em maio, avanço de 228%. O dado sugere consolidação de recall eleitoral e maior cristalização de voto.

Greca, o alvo atual

O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca vive situação semelhante, embora em escala distinta. Greca registrou em maio seu pior desempenho nas quatro rodadas da Paraná Pesquisas: 16,3% na estimulada. O índice interrompe uma sequência gradual de crescimento iniciada em janeiro, quando aparecia com 17,5%.

A deterioração do desempenho ocorre num momento em que Greca tenta ampliar presença fora de Curitiba e converter capital administrativo em densidade eleitoral estadual. Embora mantenha a menor rejeição entre os principais nomes – 13,7% –, os números sugerem dificuldade em expandir competitividade além de nichos urbanos e setores do eleitorado tradicionalmente ligados ao centro político.

Na espontânea, porém, Greca também avançou. Foi de 0,8% para 2,5% entre janeiro e maio, crescimento de 212%. O porcentual ainda é baixo, mas mostra aumento de reconhecimento como potencial postulante ao governo.

Requião se recupera, em meio à rejeição

Já o deputado estadual Requião Filho apresentou o movimento estatisticamente mais relevante do mês: recuperação após a forte queda registrada em abril. O pedetista saiu de 17,7% para 19,7% na estimulada, retomando praticamente o patamar observado no início do ano.

O desempenho reforça a resiliência de um eleitorado historicamente vinculado ao sobrenome Requião no Paraná. Na espontânea, o crescimento foi de 95% desde janeiro — de 2,2% para 4,3%. Embora inferior ao avanço proporcional de Moro, o índice sugere consolidação de um núcleo de apoio mais estável.

O principal obstáculo de Requião Filho continua sendo a rejeição. Com 33,7%, ele lidera esse indicador desde o início da série histórica da Paraná Pesquisa. Em campanhas majoritárias, rejeições acima de 30% costumam impor dificuldades adicionais para crescimento em segundo turno, especialmente em disputas polarizadas.

Eleitor começa a se manifestar

A evolução dos dados também revela um fenômeno recorrente em ciclos pré-eleitorais longos: a tendência de convergência entre conhecimento público e resistência eleitoral. À medida que os pré-candidatos aumentam exposição, cresce simultaneamente o número de eleitores favoráveis e contrários.

Nesse contexto, a espontânea ganha relevância analítica. Diferentemente da estimulada, ela mede memória política e presença orgânica do candidato no imaginário do eleitorado. O crescimento simultâneo dos três principais nomes indica que a disputa pelo Palácio Iguaçu começa a se estruturar mais claramente ao redor de polos definidos.

Confiança

A pesquisa da Paraná Pesquisa, registrada sob o número PR-00323/2026, ouviu 1.500 eleitores entre os dias 8 e 10 de maio. O grau de confiança é de 95%.

Cesar Filho, do erro a uma nova tentativa

interlocutores ligados a Cesar Silvestri Filho (PP) reconhecem que foi um erro a candidatura a governador em 2022 e que teria sido bem mais viável se fosse a deputado a federal, dobrando com a mãe, Cristina Silvestri, reeleita deputada estadual. Além de não conseguir dar continuidade a governador e a senador, que foi a segunda opção, Silvestri Filho acabou ficando sem mandato. O objetivo agora é recuperar terreno,o filho como estadual a mãe, a federal. A família já está em plena campanha. Silvestri Filho vai comandar a campanha de Sérgio Moro na região de Guarapuava,

Ratinho em Guarapuava

Governador Ratinho Jr (e Sandro Alex, obviamente) é esperado dia 21 em Guarapuava. A agenda carece de confirmação. 

Ponto X

O ponto geodésico das eleições em Guarapuava não apenas o campo de 2026. O pleito de outubro é visto como um realinhamento para a sucessão municipal de 2028. A pauta "Guarapuava, problemas e soluções" terá papel relevante nos embates no próximo período.

Guto Silva, o retorno

O reingresso de Guto Silva (PSD) no cenário eleitoral, agora como pré-candidato ao Senado, confirma a velha teoria de que em política, tudo é possível. A disputa pelo Senado, segundo a Paraná Pesquisas, tem Álvaro Dias (MDB) na liderança, seguido de Gleisi Hoffmann (PT), Filipe Barros (PL) e Alexandre Curi (PSD). Há quem aposte que Curi desiste e retorna à campanha para deputado estadual, ajudando na legenda do PSD que ficou deterioriada após o embate com Sérgio Moro. Nesse espaço é que entra Guto Silva. O ex-secretário das Cidades terá que correr muito, principalmente para superar a imagem chamuscada com a troca do seu nome pelo de Sandro Alex na candidatura ao governo. Ele já está com o pé na estrada.

Há controvérsias

Guarapuava vai conseguir um candidato a deputado federal?

 

 

 

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