Morre Altecir Fabiane, um dos fundadores do Grupo Anima em Guarapuava
Tico, como era chamado, ajudou a criar, em 1991, um dos mais longevos grupos folclóricos da cidade e dedicou anos à preservação das tradições italianas
29/08/2026
Ao lado da esposa e da filha, Tico participou de apresentações e viagens que levaram as tradições italianas a outras cidades. Sua dedicação permanece na memória das diferentes gerações que compartilharam com ele os palcos e a vidaA história de Altecir João Fabiane, o Tico, confunde-se com a de um dos mais importantes movimentos de preservação da cultura italiana em Guarapuava. Um dos fundadores do Grupo Italiano Anima, ele morreu neste sábado (29), justamente no ano em que a instituição comemora 35 anos de existência.
O falecimento foi comunicado pelo próprio Anima, em uma nota de pesar publicada nas redes sociais. As circunstâncias e a causa da morte não foram informadas. O texto recorda Tico como alguém que ajudou a construir a história do grupo e a levar a música, a dança e as tradições italianas para além das fronteiras de Guarapuava.
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Membro da numerosa Família Fabiane, uma das linhagens de descendentes de italianos estabelecidas na região, Tico integrou a geração que transformou a memória familiar em manifestação cultural coletiva. Não se limitou a assistir à história: ajudou a colocá-la no palco.
O Anima nasceu em 22 de junho de 1991, a partir do Círculo Ítalo-Brasileiro Laços d’Oro, criado seis anos antes. Se o círculo já preservava o canto e a culinária, faltava a dança. Foi nesse espaço que os fundadores, entre eles Tico, começaram a construir o grupo que atravessaria gerações e realizaria mais de 300 apresentações no Paraná e em outros estados. O Anima completou 35 anos em 2026.

Durante muitos anos, Tico dançou ao lado da esposa e da filha. Participou de ensaios, viagens, encontros e apresentações que ajudaram a projetar a cultura italiana de Guarapuava em outras cidades.
Sua trajetória também representa um período particularmente fértil da vida cultural guarapuavana.
Os fundadores do Anima foram precursores de um movimento que reuniu diferentes grupos étnicos, resgatou tradições familiares e apresentou à cidade a diversidade de povos que ajudou a formar Guarapuava e uma vasta região do Paraná.
Anima resiste à falta de apoio à arte folclórica em Guarapuava
Parte desse movimento perdeu espaço ao longo dos anos, atingido pela descontinuidade das políticas culturais do município. O Anima, contudo, resistiu. Manteve-se ativo com o trabalho voluntário de seus integrantes, a realização de jantares, rifas e outras iniciativas destinadas a custear trajes e apresentações. Nessa resistência, pessoas como Tico foram fundamentais.
“É assim que escolheremos lembrá-lo: sorrindo, dançando e celebrando a cultura que ele tanto amou”, afirmou o grupo. A nota recorda que os anos de convivência agora se transformam em “memórias preciosas” e conclui com uma despedida: “Em nossos corações, continuará dançando conosco”.
Tico deixa a lembrança de quem compreendeu que a cultura não sobrevive apenas nos livros ou nos retratos antigos. Ela precisa de pessoas dispostas a vesti-la, ensaiá-la e apresentá-la novamente. Durante décadas, Altecir João Fabiane fez exatamente isso.
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