STF e a campanha no Paraná: crise pressiona candidatos a definir posição
09/09/2026
Moro explora discurso contra a Corte, Sandro Alex tenta preservar eleitor moderado e Requião Filho mira desgaste da direita; disputa pelo Senado tem duelo entre Curi e DeltanA escalada da crise no Supremo Tribunal Federal passou a dividir espaço com as agendas regionais na campanha do Paraná nesta quarta-feira (9).
O embate entre ministros oferece munição aos candidatos ligados ao bolsonarismo, mas também impõe o risco de afastar eleitores moderados quando a corrida entra na reta final.
Moro escolhe o corpo a corpo
Líder nas pesquisas para o governo, Sergio Moro (PL) mantém a estratégia de priorizar viagens, encontros com eleitores e agendas no interior. Na propaganda, tenta combinar o legado da Lava Jato, o apoio bolsonarista e uma posição de continuidade administrativa no Paraná.
Moro tem evitado alguns debates e poupado o governador Ratinho Junior (PSD), apesar de enfrentar o candidato escolhido pelo Palácio Iguaçu. A cautela busca impedir que a disputa com Sandro Alex provoque rejeição entre os eleitores que aprovam a atual gestão.
Sandro tenta encurtar distância
Sandro Alex (PSD) intensificou a associação de sua imagem à de Ratinho Junior. A campanha apresenta o candidato como representante da continuidade e sustenta que Moro poderia levar conflitos ideológicos para a administração estadual.
O foco imediato é consolidar a segunda colocação e chegar ao segundo turno. Para isso, Sandro disputa com Moro o eleitorado de centro-direita e tenta atrair os paranaenses que aprovam o governo estadual, mas ainda não transferiram essa avaliação positiva para seu candidato.
Requião Filho busca alternativa à polarização
Requião Filho (PDT) manteve compromissos políticos em Curitiba e na Região Metropolitana, além de contatos com representantes do setor produtivo. O candidato procura apresentar uma agenda econômica menos burocrática e preservar o eleitorado de esquerda e centro-esquerda.
Sua estratégia consiste em evitar que a eleição estadual se transforme apenas em uma disputa entre Moro e o grupo de Ratinho Junior. Requião também pode se beneficiar caso o confronto entre os dois candidatos de direita afaste eleitores moderados.
Artagão e Estacho
Artagão Júnior (PSD) e Rodrigo Estacho (Podemos) aceleram a contagem no "tacógrafo". A disputa é para ver quem chegará ao final das eleições com maior número de municípios visitados. Estacho fez agenda durante as festividades do 7 de Setembro. Artagão ampliou as visitas aos municípios do Centro-Sul.
Burko x Silvestri Filho
Não convidem Vitor Hugo Burko e Cesar Silvestri Filho para o mesmo litro de uísque. Embora não seja candidato, Burko foi a um podcast e desafiou Silvestri Filho a apresentar uma obra que tenha construído em Guarapuava com recursos do município em seus dois mandatos como prefeito de Guarapuava. Silvestri Filho ainda não respondeu, mas é "freguês" ativo do podcast.
Pobre, mas vencedor
Joel Iatskiu, o Amigo Joel, também fez desafios a Silvestri Filho. Sentiu-se ofendido por ele, ao ser comparado a um "candidato de origem humilde". Amigo Joel retribuiu: ter origem humilde e vencer como empresário é um contraste contra quem "somente é herdeiro de fortunas". Recortes dos vídeos estão espalhados pelas redes sociais.
Requião Filho em Guarapuava
Professora Terezinha e Dr.Antenor em preparativos para o encontro com Requião Filho nesta quinta-feira (10), na sede da AABB (Bairro Boqueirão), em Guarapuava, a partir das 19 horas. No sábado (12), comitivas locais participam do comício de Lula em Curitiba.
Curi, Gleisi e Deltan medem forças
No Senado, o principal movimento desta quarta foi o debate promovido pelo jornal Plural entre Alexandre Curi (Republicanos) e Deltan Dallagnol (Novo). O encontro colocou frente a frente dois candidatos que disputam parcela semelhante do eleitorado conservador.
Durante o dia, Gleisi também utilizou as redes sociais para mobilizar apoiadores para o ato da campanha presidencial marcado para sábado (12), às 9h, na Boca Maldita, em Curitiba
Debate na Band
Os candidatos ao Senado passaram o dia se preparando para o debate da Band, na noite desta quarta-feira (9). É o primeiro confronto entre os concorrentes às duas cadeiras do Senado. Todos confirmaram presença.
STF oferece palanque para Moro e Deltan
A crise no Supremo fortalece, inicialmente, as campanhas de Moro, Deltan e Filipe Barros. Os três podem retomar críticas às decisões individuais de ministros e defender mudanças nos mecanismos de controle da Corte.
Para Deltan, o assunto tem peso adicional. O candidato pode relacionar o debate sobre os poderes do Judiciário à cassação de seu mandato de deputado federal e à discussão sobre sua candidatura ao Senado. O risco é deixar propostas estaduais em segundo plano e depender excessivamente de uma agenda nacional.
Moro também ganha espaço para reforçar sua imagem de enfrentamento à corrupção. Ao mesmo tempo, precisa administrar uma contradição: criticar abusos atribuídos ao STF sem transformar a campanha estadual em prolongamento permanente das disputas de Brasília.
Sandro busca distância segura
A crise produz um desafio maior para Sandro Alex. Um alinhamento aberto com o Supremo poderia afastar o eleitor conservador; aderir aos ataques à Corte enfraqueceria sua tentativa de ocupar uma posição mais moderada e administrativa.
A tendência é que a campanha governista defenda investigação, transparência e estabilidade institucional, mas preserve o foco em obras, investimentos e continuidade do governo Ratinho Junior.
Alexandre Curi e Cristina Graeml enfrentam dilema semelhante no Senado. Precisam dialogar com uma base majoritariamente conservadora sem assumir uma retórica que os aproxime de uma ruptura institucional.
Gleisi tenta ligar oposição à instabilidade
Gleisi Hoffmann pode usar o episódio para defender a apuração das acusações e, simultaneamente, associar seus adversários a ataques contra as instituições. A estratégia, porém, carrega risco: qualquer percepção de proteção política ao Supremo pode aumentar o desgaste da candidatura petista.
Crise mobiliza bases, mas pode ter alcance limitado
No Paraná, onde a direita tem forte presença eleitoral, a crise tende a mobilizar com maior intensidade as bases de Moro, Deltan e Filipe Barros. Isso não significa, porém, transferência automática de votos.
O efeito dependerá das próximas revelações e da duração do episódio. Se o caso permanecer concentrado em Brasília, segurança, saúde, estradas e economia continuarão dominando a escolha para o governo estadual. Se surgirem novas acusações ou decisões controversas, o STF poderá se tornar um dos principais temas da reta final também no Paraná.
A intervenção de Edson Fachin, que retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e centralizou as apurações envolvendo ministros, tenta reduzir a temperatura institucional. Politicamente, porém, a crise já entrou na campanha
Há controvérsias
Quais temas sobre o desenvolvimento regional estão na pauta dos candidatos guarapuavanos?
Todo mundo fala
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