Sérgio Moro, o pivô da disputa entre Ratinho Jr e Flávio Bolsonaro
18/03/2026
A movimentação simultânea de Ratinho Júnior e Flávio Bolsonaro nesta semana expõe, de forma precoce, o entrelaçamento entre a corrida ao Palácio do Planalto e a sucessão no Palácio Iguaçu. O anúncio de Sérgio Moro como pré-candidato do PL ao governo estadual não é apenas um movimento local – é resposta direta ao avanço de Ratinho no plano nacional.
A lógica é de contenção. Ao flertar com uma candidatura presidencial competitiva, Ratinho se torna obstáculo ao crescimento de Flávio no mesmo campo político. A reação veio em forma de apoio a Moro no Paraná – um nome com recall eleitoral, forte presença midiática e liderança consolidada nas pesquisas estaduais. A diferença, que ultrapassa dezenas de pontos sobre adversários do entorno governista, transforma o ex-juiz em peça central de pressão.
O custo Ratinho Júnior
Para o PL, trata-se de um movimento de “xeque” político: ao fortalecer Moro no Estado, o partido impõe custo imediato ao projeto nacional de Ratinho. O recado é claro – subir no tabuleiro federal pode significar perder controle sobre a própria base regional.
Em berço esplêndido
Ratinho, por sua vez, opera em zona de conforto. Com índices de aprovação que orbitam os 80% e desempenho competitivo em cenários nacionais – sobretudo como nome de menor rejeição –, o governador testa a viabilidade de romper a polarização. Seu partido, o PSD, incentiva candidatura própria, apostando em um eleitorado que busca alternativa de centro entre os polos representados por Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo.
A equação doméstica
O impasse, no entanto, é estratégico. Antes de consolidar um projeto presidencial, Ratinho precisa resolver a equação doméstica: escolher – e viabilizar – um sucessor. O nome mais próximo, Guto Silva, aparece fragilizado nas sondagens, o que amplia a vantagem de Moro e expõe o risco de descontinuidade política no Estado.
Confronto na direita
Já Flávio, ao mesmo tempo em que estimula Moro, havia sinalizado composição com o próprio Ratinho como vice – uma tentativa de neutralizar o adversário incorporando-o. Sem acordo, opta agora pela confrontação indireta.
Laboratório eleitoral
O Paraná, assim, deixa de ser coadjuvante e passa a laboratório eleitoral de 2026. O desfecho dessa disputa antecipada indicará não apenas quem controlará o Estado, mas também quem terá fôlego — e base — para sustentar uma candidatura competitiva ao Planalto.
O poder "sobrenatural" do governador
No centro da análise, uma variável decisiva: a capacidade real de transferência de votos. Ratinho lidera em aprovação, mas ainda precisa provar que esse capital político é transmissível. Moro, por outro lado, já demonstrou densidade eleitoral própria. É esse contraste que, mais do que alianças formais, deve definir o equilíbrio de forças nos próximos meses.
Há controvérsias
E Rafael Greca, muda para o MDB?


