MILTON LUIZ CLEVE KÜSTER
Advogado desde 1978, o guarapuavano radicou-se em Curitiba (PR) e Itapema (SC), sem nunca esquecer que "bebeu a água da Serra da Esperança".
Manual do Nolt
A maior prova de que você é “nolt” é a alegria genuína com pequenas vitórias
02/03/2026
Tempos atrás (vejam, não utilizo o “antigamente”) era comum nossa convivência com pessoas mais velhas, em razão da conjuntura social da época. Comuns eram os almoços em família, festas e comemorações. O adjetivo foi velho, depois idoso, depois 60+ e agora nolt.
Ser “nolt” é descobrir que você não envelheceu: você atualizou. Só que o update trouxe novas funcionalidades (opinião forte, filtro social e amor por conforto) e alguns bugs conhecidos (joelho que estala, paciência que reinicia em modo econômico e um sono que desaparece do nada).
O “nolt” acorda cedo sem despertador. Não por disciplina, mas porque o corpo virou despertador. Você abre o olho e já sabe: hoje tem três compromissos inadiáveis. Água. Café. E levantar da cama em três etapas, como num tutorial no YouTube: “agora gira de lado… apoia… respira… e sobe com fé”.
Ser “nolt” é entrar em loja e ouvir um “pois não, senhor?” com tanta tranquilidade que dá vontade de responder: “senhor está no caixa, eu sou o Milton”. Mas você não diz. Porque “nolt” é também ter maturidade. E porque discutir com a realidade dá dor nas costas.
O “nolt” tem uma relação espiritual com objetos úteis. Ele não deseja tênis bonitos; prefere tênis que não traiam. Recusa cadeira moderna; escolhe cadeira que não transforme o almoço em fisioterapia. E se alguém pergunta o que você quer de presente, você responde sem vergonha: meias boas. A vergonha ficou lá atrás, junto com as lombadas intactas.
A maior prova de que você é “nolt” é a alegria genuína com pequenas vitórias. Dia sem azia vira feriado. Noite de sono sem acordar às 3h vira milagre. E achar o óculos no primeiro lugar que você procura é praticamente um evento paranormal.
A parte social também é importante: o “nolt” não perde tempo. Ele não discute em grupo de WhatsApp e silencia. Não participa de briga e simplesmente some. Se a conversa não presta, não confronta; faz o que todo sábio faz – diz “pois é…” e vai embora por dentro.
No fundo, ser “nolt” é ótimo. Você já viveu o suficiente para saber o que é importante: paz, saúde, gente boa e uma cadeira confortável. O resto você até considera… mas sentado, de preferência.
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