Disputa na direita pode levar à polarização entre Sérgio Moro e Sandro Alex
Requião Filho ou assiste a banda passar ou atrai os insatisfeitos
16/09/2026
Ratinho Junior e Sergio Moro disputam o comando da direita e o eleitorado bolsonarista no Paraná. A polarização pode impulsionar Sandro Alex e reduzir o espaço de Requião Filho no segundo turnoA fragmentação da direita tornou-se o elemento central da disputa pelo Governo do Paraná. De um lado, o governador Ratinho Junior (PSD) assumiu a linha de frente da campanha de Sandro Alex (PSD); do outro, Sergio Moro (PL) tenta reunir bolsonaristas, apoiadores da antiga Operação Lava Jato e conservadores insatisfeitos com o grupo governista. Embora exponha um racha entre antigos aliados, a polarização pode beneficiar os dois candidatos ao concentrar votos e reduzir o espaço de Requião Filho (PDT) na disputa por uma vaga no segundo turno.
O movimento ganhou força depois que Ratinho elevou o tom contra Moro. O governador acusou o senador de ter traído Jair Bolsonaro, questionou sua atuação política e afirmou que sua imagem estaria “derretendo”.
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A ofensiva acompanha a licença de Ratinho do Palácio Iguaçu para percorrer o Estado ao lado de Sandro Alex. O objetivo é transferir ao candidato do PSD parte da elevada aprovação do atual governo e assegurar sua presença na etapa decisiva da eleição.
Moro muda postura e mira a Copel
Moro iniciou a campanha tentando preservar a popularidade de Ratinho Junior. Em agosto, afirmou que não considerava o governador um adversário e prometeu manter os projetos bem avaliados da atual administração.
A estratégia começou a mudar com o crescimento dos ataques do grupo governista. Diante da ofensiva de Ratinho e da campanha de Sandro, o senador passou a adotar um discurso mais crítico. Uma das principais frentes escolhidas foi a Copel, privatizada durante a atual gestão estadual.
Moro passou a explorar as reclamações de consumidores, especialmente dos produtores rurais, sobre interrupções no fornecimento de energia. O candidato do PL defende que o governo estadual cobre maior eficiência da companhia, mesmo depois da privatização.
A campanha do senador também abriu uma frente jurídica contra o grupo governista. Em decisão recente, a Justiça Eleitoral proibiu Sandro Alex de promover atos de campanha ligados, temporal ou espacialmente, a eventos oficiais com servidores públicos convocados. A multa prevista em caso de descumprimento é de R$ 100 mil.
Racha envolve o eleitorado bolsonarista
A divisão alcança as principais lideranças ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Paraná. Ratinho passou a acusar Moro de ter rompido e traído o ex-presidente. O senador, por sua vez, busca manter o eleitorado bolsonarista reunido em torno de sua candidatura pelo PL.
O conflito também envolve a disputa pelo comando da direita paranaense. Ratinho pretende preservar o grupo político que governa o Estado desde 2019, enquanto Moro tenta formar uma nova força eleitoral capaz de assumir o Palácio Iguaçu.
Sandro precisa retirar votos de Moro e, simultaneamente, ultrapassar Requião Filho. Já o candidato do PL procura sustentar sua liderança e impedir que a popularidade do governador seja transferida ao representante do PSD.
O resultado é uma eleição na qual os dois principais candidatos da direita passaram a disputar praticamente o mesmo eleitor. A divisão representa um risco para o campo conservador, mas também pode produzir um efeito eleitoral favorável a ambos.
Polarização pode pressionar Requião Filho
Se o confronto concentrar a atenção pública e os votos em Sandro e Moro, a eleição poderá se afunilar entre os dois. Nesse cenário, Requião Filho corre o risco de perder espaço e ficar fora do segundo turno.
Apoiado pelo PT e por outros partidos de esquerda e centro-esquerda, o candidato do PDT tenta preservar uma trajetória própria. Sua campanha concentra as críticas na privatização da Copel, na política econômica estadual e no modelo administrativo implantado pelo grupo de Ratinho.
Requião procura apresentar-se como uma alternativa à briga interna da direita. O problema é que a polarização pode transformar o primeiro turno em uma disputa antecipada entre continuidade e ruptura dentro do próprio campo conservador.
A entrada direta de Ratinho na campanha demonstra que o Palácio Iguaçu reconhece esse potencial. Ao atacar Moro, o governador não busca apenas defender Sandro: tenta torná-lo o principal adversário do candidato do PL, ocupando o espaço que atualmente também é disputado por Requião.
Bastidores especulam aproximação
A possibilidade de um segundo turno envolvendo Moro também alimenta especulações sobre uma aproximação entre os grupos de Sandro Alex e Requião Filho. O entendimento, ainda sem confirmação pública, seria construído para que um apoiasse o outro contra o candidato do PL.
A costura seria delicada, sobretudo se a eleição presidencial também avançar para a segunda rodada. Requião integra uma aliança que reúne o PT e outros partidos de esquerda e apoia a reeleição do presidente Lula.
Caso Requião fique fora da disputa estadual, um apoio de seu grupo — principalmente do PT — a Sandro poderia ser interpretado como uma aproximação do candidato governista com a campanha de Lula. Isso criaria dificuldades para Ratinho e seus aliados, cuja base eleitoral é majoritariamente identificada com a direita e o antipetismo.
Apoio do grupo governista a Requião seria menos desconfortável
O caminho inverso poderia ser politicamente mais confortável. Se Requião avançasse ao segundo turno contra Moro, Ratinho e Sandro poderiam justificar um eventual apoio ao pedetista como uma aliança estadual destinada a derrotar o candidato do PL.
Nesse arranjo, o grupo governista tentaria separar as duas eleições. Poderia apoiar Requião no Paraná sem assumir compromisso com Lula na disputa presidencial, concentrando o discurso na necessidade de impedir a vitória de Moro.
Ainda assim, qualquer acordo envolveria contradições. Requião faz oposição ao governo estadual, critica a privatização da Copel e questiona as prioridades econômicas da gestão de Ratinho. Uma aliança exigiria que os dois grupos deixassem diferenças programáticas em segundo plano.
Segundo turno poderá reorganizar alianças
A sucessão paranaense, portanto, não está dividida apenas entre direita e esquerda. A eleição também envolve o controle do campo conservador, a continuidade do atual governo e a sobrevivência dos grupos que pretendem comandar o Estado a partir de 2027.
Moro tenta associar sua candidatura aos resultados positivos da administração estadual, mas se apresenta como uma alternativa independente. Ratinho procura convencer o eleitor de que somente Sandro representa a continuidade de sua gestão.
Requião aposta no desgaste provocado pela disputa entre os dois grupos. O risco para o pedetista é que a fragmentação da direita no início da campanha se transforme, nas urnas, em uma polarização entre Sandro e Moro.
A definição do segundo turno mostrará se o racha conservador ampliou as possibilidades eleitorais ou se acabou concentrando a disputa justamente nos dois candidatos que brigam pelo comando da direita paranaense.
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