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Sob ataque de Ratinho, Moro chama ofensiva de “baixo nível” e mira problemas da Copel

Líder nas pesquisas reagiu ao governador, intensificou críticas ao serviço de energia e apresentou-se como alvo de uma tentativa do grupo governista de recuperar terreno

16/09/2026
Sergio Moro classificou como de “baixo nível” os ataques de Ratinho Junior e reforçou as críticas à Copel. O confronto acirra a disputa com Sandro Alex pelo comando da direita paranaenseSergio Moro classificou como de “baixo nível” os ataques de Ratinho Junior e reforçou as críticas à Copel. O confronto acirra a disputa com Sandro Alex pelo comando da direita paranaense

A quarta-feira (16) do candidato ao Governo do Paraná Sergio Moro (PL) foi marcada pelo acirramento do confronto com o governador Ratinho Junior (PSD). Depois de ser acusado de trair Jair Bolsonaro, gostar de “mordomia” e produzir poucos resultados no Senado,

Moro classificou a ofensiva como de “baixo nível” e manteve a estratégia de relacionar o grupo governista aos problemas enfrentados pelos consumidores da Copel.

Os registros públicos consultados não apresentam um roteiro detalhado de compromissos presenciais de Moro ao longo do dia. A movimentação política do candidato concentrou-se principalmente na propaganda eleitoral, nas redes sociais e na repercussão dos ataques feitos por Ratinho em defesa de Sandro Alex (PSD).

A troca de acusações tornou explícita a divisão da direita paranaense. Ratinho assumiu a linha de frente da campanha de Sandro, enquanto Moro tenta manter reunidos bolsonaristas, apoiadores da antiga Operação Lava Jato e eleitores conservadores que defendem uma mudança no comando do Estado.

Moro chama ataques de “baixo nível”

Na propaganda eleitoral, Moro reagiu às críticas do grupo governista dizendo que a campanha havia descido de nível. O candidato procura apresentar a ofensiva como resultado de sua liderança nas pesquisas e da dificuldade de Sandro Alex em assegurar uma vaga no segundo turno.

Ratinho afirmou que se afastou de Moro quando o então ministro da Justiça deixou o governo Bolsonaro, em abril de 2020. Também questionou a decisão do senador de disputar o Governo do Paraná antes de concluir o mandato iniciado em 2023.

O governador declarou ainda que a imagem de Moro estaria “derretendo” e acusou o adversário de ter feito “pouco e nada” pelo Paraná no Senado.

Moro não aprofundou, nesta quarta-feira, uma resposta ponto a ponto às acusações. Sua campanha optou por tratar os ataques como parte da estratégia eleitoral do Palácio Iguaçu para impulsionar Sandro na reta final do primeiro turno.

Publicação antiga expõe mudança de Ratinho

O confronto cresceu depois que Moro recuperou uma mensagem publicada por Ratinho em 24 de abril de 2020, quando o ex-juiz deixou o Ministério da Justiça.

Na ocasião, o governador classificou Moro como um dos principais paranaenses da história recente, lamentou sua saída do governo federal e declarou que o Paraná o receberia “de braços abertos”.

Ao divulgar novamente a manifestação, Moro buscou evidenciar a mudança de posição de Ratinho. O governador respondeu que, naquele momento, acreditava que o ex-juiz era uma pessoa diferente e que rompeu politicamente com ele após sua saída do governo Bolsonaro.

A disputa pela interpretação desse episódio tem um objetivo eleitoral direto: conquistar o voto bolsonarista no Paraná. Moro está no PL e apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, enquanto Ratinho tenta impedir que esse vínculo garanta ao adversário o domínio completo da direita estadual.

Copel vira principal linha de ataque

Em vez de concentrar a resposta apenas nas acusações pessoais, Moro intensificou as críticas aos serviços prestados pela Copel. A companhia foi privatizada durante o segundo mandato de Ratinho Junior, em operação concluída em 2023.

O candidato do PL passou a explorar as reclamações relacionadas às interrupções no fornecimento de energia, especialmente nas propriedades rurais. Segundo Moro, o governo estadual precisa demonstrar firmeza e cobrar melhorias da companhia mesmo depois da privatização.

A estratégia permite que Moro ataque um ponto vulnerável da gestão sem romper totalmente com a elevada aprovação do governador. Ele continua afirmando que pretende manter os projetos bem avaliados, mas procura separar a imagem de Ratinho das decisões mais contestadas de seu governo.

A Copel também é alvo de Requião Filho (PDT), que propõe uma auditoria e a recuperação da influência do Estado sobre a companhia. Com isso, a energia elétrica tornou-se um dos principais assuntos da eleição paranaense.

Campanha mantém ofensiva na Justiça

A quarta-feira também foi marcada pela repercussão das ações eleitorais movidas pela campanha de Moro contra o grupo governista.

Em decisão recente, a Justiça Eleitoral proibiu Sandro Alex de promover atos de campanha conectados, temporal ou espacialmente, a eventos oficiais com servidores públicos convocados. A multa prevista em caso de descumprimento é de R$ 100 mil.

A área jurídica de Moro tenta sustentar que a estrutura e a agenda do governo estadual estariam sendo utilizadas para favorecer o candidato do PSD. O grupo de Sandro contesta as acusações.

Essa frente jurídica complementa a estratégia eleitoral do senador: enquanto a propaganda classifica os ataques como agressões pessoais, as ações judiciais buscam limitar a participação da máquina estadual na campanha governista.

Licença de Ratinho aumenta pressão

O confronto ganhou importância porque Ratinho anunciou uma licença do Governo do Paraná a partir desta quinta-feira (17). O vice-governador Darci Piana assume o Palácio Iguaçu durante o afastamento.

Ratinho pretende percorrer o Estado ao lado de Sandro Alex sem as limitações de horário impostas pela agenda oficial. O governador também deve mobilizar prefeitos, deputados e lideranças regionais para reforçar a campanha de seu ex-secretário de Infraestrutura.

A decisão indica que o grupo governista considera decisivas as últimas semanas antes da votação. Segundo informações publicadas pelo UOL, Moro classificou os ataques como de baixo nível em sua propaganda eleitoral.

Moro busca preservar liderança

Mesmo com a intensificação do confronto, Moro procura preservar a imagem de candidato favorito. Sua estratégia consiste em evitar uma reação excessivamente pessoal, apontar problemas concretos da atual administração e atribuir os ataques ao desempenho de Sandro nas pesquisas.

A posição exige equilíbrio. O senador precisa fazer oposição ao candidato governista sem atacar indiscriminadamente Ratinho, cuja administração apresenta índices elevados de aprovação.

Ao mesmo tempo, Moro tenta impedir que o governador transforme Sandro no único representante legítimo da continuidade. O candidato do PL afirma que pode manter os programas considerados positivos e corrigir decisões que, em sua avaliação, prejudicaram os paranaenses.

A quarta-feira mostrou que essa convivência estratégica chegou ao fim. Ratinho passou a tratar Moro como adversário direto, e o senador respondeu colocando a Copel e o uso eleitoral da estrutura governamental no centro do confronto.

Disputa pelo eleitor conservador entra em nova fase

O embate representa mais do que uma troca de ataques. Ratinho e Moro disputam o comando político da direita paranaense a partir de 2027.

Sandro Alex apresenta-se como herdeiro da atual administração. Moro tenta construir uma nova coalizão conservadora, ligada ao PL e ao eleitorado bolsonarista, mas capaz de aproveitar parte da popularidade do governo estadual.

A divisão pode fragmentar a direita, mas também concentrar a eleição em dois candidatos desse campo. Se o confronto entre Sandro e Moro dominar a reta final, Requião Filho corre o risco de perder espaço na disputa por uma vaga no segundo turno.

A quarta-feira de Moro, portanto, foi menos marcada por anúncios de novas propostas e mais pela necessidade de responder à ofensiva do governador. Ao classificar os ataques como de baixo nível e voltar-se contra a gestão da Copel, o candidato deixou claro que pretende reagir sem abandonar o discurso de continuidade seletiva dos projetos de Ratinho.

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