Ratinho entra na campanha de Sandro em meio à guerra das pesquisas no Paraná
15/09/2026
O governador Ratinho Junior (PSD) decidiu se dedicar integralmente às eleições estaduais a partir de agora, em apoio à candidatura de Sandro Alex (PSD) ao governo do Paraná. A previsão é que ele se licencie do cargo nesta quinta-feira (17), transferindo temporariamente o comando do Executivo ao vice-governador Darci Piana. O movimento ocorre em meio a uma guerra de números entre pesquisas que apresentam diferenças significativas na disputa pelo Palácio Iguaçu e pelas duas vagas do Estado no Senado.
A entrada direta de Ratinho na campanha pretende transformar sua aprovação administrativa em votos para Sandro Alex. Pesquisa Quaest divulgada em agosto mostrou que 79% dos paranaenses aprovavam o trabalho do governador.
Mais viagens pelo interior
A licença também permitirá que Ratinho participe da campanha sem conciliar os compromissos eleitorais com a agenda institucional. Nas últimas semanas, ele deverá intensificar viagens, encontros com lideranças e aparições ao lado de Sandro.
A estratégia representa um teste para a capacidade de transferência de votos do governador. Embora tenha o apoio da principal liderança política do Estado, Sandro ainda não conseguiu alcançar Sergio Moro (União Brasil) nos levantamentos divulgados até agora.
Moro lidera, mas vantagem oscila
As pesquisas concordam em um ponto: Moro está na primeira posição. O tamanho da vantagem, porém, muda de acordo com o instituto.
Na Quaest divulgada em 24 de agosto, Moro apareceu com 37%, seguido por Requião Filho (PDT), com 21%, e Sandro Alex, com 15%. O levantamento ouviu 804 eleitores e apresentou margem de erro de três pontos percentuais. Folha de S.Paulo
Já o Paraná Pesquisas colocou Moro com 45%, Requião com 24% e Sandro com 17,5%. Foram entrevistadas 1.280 pessoas em 56 municípios, entre 31 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro foi de 2,8 pontos.
No levantamento do IRG, que apresentou aos entrevistados as chapas com os respectivos candidatos a vice, Moro registrou 38,8%, Sandro avançou para 27% e Requião ficou com 21,8%.
A pesquisa Real Time Big Data divulgada em 11 de setembro mostrou Moro com 35%, Sandro com 25% e Requião com 21%. Nesse cenário, Sandro abriu quatro pontos sobre Requião, mas os dois ainda estão próximos quando considerada a margem de erro de dois pontos percentuais. Gazeta do Paraná
Guerra pelo segundo lugar
A maior divergência está na definição do adversário de Moro em um eventual segundo turno. Quaest e Paraná Pesquisas colocaram Requião Filho na segunda posição. IRG, Real Time Big Data e outro levantamento recente da Alfa Inteligência apontaram Sandro Alex à frente do pedetista.
A diferença interessa diretamente ao grupo de Ratinho. Para a campanha governista, sustentar que Sandro já ocupa o segundo lugar ajuda a atrair prefeitos, apoiadores e eleitores que buscam uma candidatura competitiva contra Moro.
Requião, por sua vez, procura apresentar os resultados da Quaest e do Paraná Pesquisas como sinal de que mantém uma base eleitoral consolidada e pode chegar ao segundo turno.
Métodos produzem retratos diferentes
As diferenças não significam necessariamente que um levantamento esteja correto e os demais, errados. Pesquisas realizadas em períodos distintos podem captar movimentos momentâneos da campanha.
Também interferem no resultado o modelo da entrevista, a distribuição regional da amostra, a ordem de apresentação dos candidatos e a inclusão ou não dos nomes dos vices.
Por isso, a comparação mais segura é observar a evolução de cada candidato dentro de levantamentos sucessivos do mesmo instituto. A leitura conjunta indica que Moro continua na liderança, enquanto Sandro e Requião disputam a vaga restante no segundo turno.
Segundo turno entra no cálculo
No Real Time Big Data, Moro marcou 43% contra 36% de Sandro em uma simulação direta. Sandro apareceu com 40% diante de 31% de Requião.
Na Quaest de agosto, Moro registrou 48% contra 19% de Sandro. No confronto com Requião, o senador alcançou 51%, ante 27% do adversário.
A diferença entre as simulações reforça a importância das próximas semanas. A campanha de Sandro aposta que a presença intensiva de Ratinho pode reduzir a distância, aumentar o conhecimento do candidato e consolidá-lo no segundo lugar.
Senado tem disputa ainda mais embaralhada
A corrida pelas duas vagas do Paraná no Senado apresenta números ainda mais difíceis de comparar. Cada eleitor poderá votar em dois candidatos, e os institutos utilizam formatos diferentes para medir as preferências.
No Paraná Pesquisas, Deltan Dallagnol (Novo) apareceu com 30,8%, Alexandre Curi (PSD) com 28,4%, Gleisi Hoffmann (PT) com 25,7% e Filipe Barros (PL) com 22,9%. Cristina Graeml (União Brasil) marcou 14,4%, enquanto Dr. Rosinha (PT) teve 13%. O levantamento permitiu que os entrevistados indicassem até dois nomes. Exame
No Real Time Big Data, Deltan registrou 19%, Curi e Filipe Barros tiveram 18% cada, e Gleisi apareceu com 16%. Considerada a margem de erro de dois pontos, os quatro estavam tecnicamente empatados. Cristina Graeml, com 15%, também permanecia próxima do grupo. CartaCapital
Primeiro e segundo votos
O IRG separou as escolhas. Para o primeiro voto, Deltan teve 23,7%, Gleisi 20,2% e Curi 19,8%. Na segunda escolha, Filipe Barros apareceu com 12,8%, seguido por Dr. Rosinha, com 12,4%, Curi, com 12,3%, e Deltan, com 12,1%. Tribuna do Paraná
O formato ajuda a explicar por que candidatos que lideram em uma pesquisa podem aparecer em posições diferentes em outra. Parte do eleitorado já definiu o primeiro nome, mas ainda não escolheu o segundo.
O dado que une as pesquisas
Apesar da disputa pública sobre quem cresceu ou caiu, os levantamentos revelam um quadro comum: Moro segue à frente na corrida pelo governo, Sandro e Requião brigam pelo segundo turno e o Senado permanece aberto.
A partir de agora, a principal pergunta será se a entrada de Ratinho Junior conseguirá alterar essa configuração. Para Sandro Alex, a participação direta do governador representa a maior aposta da campanha. Para os adversários, será também a oportunidade de medir até onde vai a influência eleitoral do chefe do Executivo paranaense.
Ele não
Enquanto o gabinete de Pedro Moraes, comodamente alojado na Câmara Municipal de Guarapuava, roda a cidade pedindo voto para Ademar Traiano (PSD), a assessoria de Odacir Antonelli (Cidade dos Lagos) jura, de pé junto, que o empresário não está apoiando "nenhum candidato" nas eleições deste ano.
Nego Sílvio e a Presidência da Câmara
O vereador Nego Sílvio (PL) é, na prática, o representante institucional do Legislativo guarapuavano em eventos públicos. Ele figura mais do que líder do prefeito Denilson Baitala. Diante da completa ausência de Pedro Moraes, que não comparece à maioria dos encontros institucionais, Nego Sílvio acaba validando sua pré-candidatura ao cargo de presidente da Câmara. É visível a mudança de postura do atual líder do prefeito.
Toma lá, dá cá
Já círculam articulações para atrair apoio do grupo de Ratinho Júnior a Requião Filho em caso de segundo turno. A proposta tem compensação: se Sandro Alex subir, os aliados de Requião Filho o apoiariam, para derrotar Sérgio Moro.
Há controvérsias
Quem é o Vorcaro de Guarapuava?
Todo mundo fala
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