Política > JUSTIÇA

Crise no STF se agrava após afastamento do diretor-geral da Polícia Federal

Decisão de André Mendonça contra Andrei Rodrigues divide o Supremo, provoca reação jurídica e amplia confronto político a menos de um mês das eleições

08/09/2026
Afastamento da cúpula da Polícia Federal aprofundou o confronto entre ministros e provocou reação de delegados e juristas. O embate institucional também entrou no discurso político a menos de um mês do primeiro turnoAfastamento da cúpula da Polícia Federal aprofundou o confronto entre ministros e provocou reação de delegados e juristas. O embate institucional também entrou no discurso político a menos de um mês do primeiro turno

A crise no Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (8), com a decisão do ministro André Mendonça de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. Mendonça também determinou apurações internas sobre relatórios que, segundo ele, indicariam monitoramento irregular de sua atuação e da Advocacia-Geral da União. O ministro classificou os documentos como tecnicamente impróprios e sem validade probatória. A medida mantém os delegados fora de suas funções e aprofunda o desgaste entre integrantes do STF e a cúpula da PF. 

A Segunda Turma formou maioria para referendar o afastamento, com os votos de Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O julgamento, porém, foi interrompido por um pedido de vista de Gilmar Mendes, que questionou a inclusão do processo na pauta com pouca antecedência, apontou possível incompetência do colegiado e defendeu que o caso seja examinado pelo plenário. Mesmo suspensa a análise, a decisão de Mendonça continua válida. A controvérsia se conecta à disputa envolvendo Alexandre de Moraes, investigações sobre o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, além do uso de informações produzidas pela inteligência policial. 

No meio jurídico, a principal crítica está no alcance de uma decisão individual que afastou a direção da maior instituição investigativa do país sem processo disciplinar ou inquérito formal previamente instaurado contra os delegados. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal afirmou que uma medida dessa gravidade deveria ser submetida ao plenário do STF e alertou para o risco de interferência na autonomia da corporação. Diretores da PF manifestaram apoio a Andrei e Almada e rejeitaram acusações de atuação irregular, enquanto juristas passaram a cobrar transparência na apuração e regras que impeçam ministros envolvidos na crise de conduzir investigações relacionadas aos próprios interesses. 

Politicamente, o afastamento foi explorado pela oposição como evidência de suposto aparelhamento da PF, enquanto governistas classificaram a decisão como uma interferência judicial de forte impacto institucional. O presidente do STF, Edson Fachin, sinalizou que poderá levar a controvérsia ao plenário e afirmou que o Judiciário não se afastará da legalidade constitucional. A menos de um mês do primeiro turno, o embate aumenta a pressão por um código de ética, pelo encerramento do inquérito das fake news e por uma saída institucional capaz de reduzir a exposição política da Corte. A disputa, antes concentrada entre gabinetes, já contamina o ambiente eleitoral e tende a ser incorporada ao discurso dos candidatos à Presidência.

Recomendado para você

Últimas Notícias

GUARAPUAVA NÃO PARA SP