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A semana em que a eleição nacional desembarcou no Paraná

06/09/2026

Resumo: Flávio Bolsonaro aproxima campanha de Moro, Lula prepara palanque com Requião Filho e pesquisas embaralham a disputa pelo segundo lugar no Estado

A campanha eleitoral entrou em setembro com o Paraná transformado em território estratégico para a disputa presidencial. Flávio Bolsonaro (PL) passou por Ponta Grossa neste sábado (5), enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou comício em Curitiba para o próximo dia 12. No intervalo entre as duas agendas, pesquisas divergentes mexeram com as campanhas ao governo e mostraram uma corrida aberta pelas duas vagas no Senado.

Professora Terezinha a toda

Causou surpresa entre os observadores do Calçadão da XV, em Guarapuava, o volume de campanha da candidata a deputada federal Professora Terezinha (PT). Há uma expectativa já formada sobre o desempenho de uma das vereadoras mais combativas da Câmara Municipal. Dentro da coordenação de campanha, o otimismo também é considerável: em 2022, Professora Terezinha não teve nenhuma estrutura de campanha e chegou a quase 12.000 votos, ficando na terceira suplência petista. Agora, a realidade é outra: a candidata colocou os dois pés na rua.

Palanque montado

A visita de Flávio Bolsonaro a Filipe Martins na Cadeia Pública de Ponta Grossa não estava anunciada como ato de campanha. A presença de Sergio Moro e Filipe Barros, porém, transformou o encontro em uma fotografia eleitoral do PL no Paraná.

Trinca conservadora

Flávio disputa a Presidência, Moro concorre ao governo e Barros busca uma cadeira no Senado. Ao aparecerem juntos, os três procuraram reforçar a integração entre as campanhas nacional e estadual, além de disputar a preferência do eleitorado bolsonarista.

Sem concorrência

Moro precisa da vinculação com Flávio para consolidar sua candidatura entre os eleitores de direita. O cuidado da campanha será impedir que o presidenciável ocupe todo o espaço político e reduza o ex-juiz à condição de coadjuvante no próprio Estado.

Resposta marcada

Lula escolheu a Boca Maldita, no Centro de Curitiba, para responder à ofensiva bolsonarista. O comício está previsto para as 10h de sábado (12), com Requião Filho (PDT), Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT) no palanque.

Transferência

Requião Filho espera que a presença de Lula reorganize a oposição paranaense e lhe devolva a condição inequívoca de segundo colocado. A tarefa não é simples: o presidente enfrenta forte resistência no Paraná e precisa transformar militância consolidada em votos para seus aliados estaduais.

Dois cenários

A semana produziu pesquisas com resultados diferentes sobre a segunda colocação. A Paraná Pesquisas mostrou Moro com 45%, Requião Filho com 24% e Sandro Alex com 17,5%. Um dia depois, o IRG colocou Moro com 38,8%, Sandro com 27% e Requião com 21,8%.

As diferenças não autorizam a escolha do levantamento mais conveniente a cada campanha. Os institutos utilizaram questionários e amostras próprios. O dado comum às duas pesquisas é a liderança de Moro; a disputa pela segunda vaga permanece sem uma ordem consolidada.

Vice na urna

O IRG apresentou as chapas completas aos entrevistados. Moro apareceu com Edson Vasconcelos; Sandro Alex, com Rafael Greca; e Requião Filho, com Michele Caputo. A inclusão dos vices pode ter contribuído para o melhor desempenho do candidato governista, que conta com um ex-prefeito de Curitiba na composição.

Efeito Greca

O resultado deu ao PSD um argumento que vinha sendo buscado desde as convenções: o de que Sandro pode crescer à medida que for associado a Greca e ao governador Ratinho Junior. O risco é a candidatura depender mais dos padrinhos do que da construção de uma identidade própria.

Faixa de segurança

Moro encerra a semana ainda na frente, mas o segundo turno contra Sandro aparece mais competitivo. No IRG, o candidato do PL vence por 44,8% a 40,5%, diferença de 4,3 pontos. Contra Requião, a vantagem de Moro é mais ampla: 57,5% a 31,2%.

Caixa abastecido

Os três principais candidatos já receberam juntos R$ 29,7 milhões. Moro lidera a arrecadação, com R$ 11,78 milhões; Requião soma R$ 11 milhões; e Sandro, R$ 6,95 milhões. O dinheiro veio quase integralmente de direções partidárias.

Conta incompleta

A origem dos recursos já aparece no TSE, mas a aplicação ainda não. Até a atualização consultada, Moro e Requião não haviam declarado despesas. Sandro registrava apenas R$ 0,50 em encargos bancários. A prestação parcial, com a movimentação até 8 de setembro, será divulgada pela Justiça Eleitoral no dia 15.

Quatro por duas

 A corrida ao Senado confirmou-se como a disputa mais embolada do Paraná. A Paraná Pesquisas colocou Deltan Dallagnol (Novo) com 30,8%, Alexandre Curi (Republicanos) com 28,4%, Gleisi com 25,7% e Filipe Barros com 22,9%.

Como a margem de erro é de 2,8 pontos, Deltan, Curi e Gleisi estão tecnicamente empatados. Filipe também permanece próximo do grupo que disputa as duas cadeiras. Cristina Graeml (PSD), com 14,4%, e Dr. Rosinha, com 13%, aparecem no pelotão seguinte.

Voto separado

O levantamento do IRG, que perguntou separadamente pelo primeiro voto, apresentou Deltan com 23,7%, Gleisi com 20,2%, Curi com 19,8% e Filipe com 12,3%. A ordem diferente reforça a volatilidade de uma eleição na qual cada paranaense poderá escolher dois nomes.

Duas direitas

Deltan e Filipe disputam o mesmo eleitorado conservador, embora estejam formalmente no mesmo campo político. A presença de Flávio no Estado favorece Barros, candidato do PL, mas Moro precisa evitar que o avanço do aliado prejudique Deltan, representante do Novo em sua coligação.

Máquina e mandato

Alexandre Curi aposta na estrutura municipalista construída como presidente da Assembleia Legislativa e no apoio de Ratinho Junior. Diferentemente dos candidatos ligados aos polos Lula e Bolsonaro, seu projeto depende de transformar a capilaridade do governo estadual em voto pessoal.

Palanque duplo

Gleisi terá com Lula a imagem que mais interessa à sua campanha. Dr. Rosinha estará no mesmo ato, mas precisará convencer o eleitor petista a usar os dois votos no Senado dentro da chapa, evitando que a segunda escolha migre para um candidato de outro grupo.

Terceiro elemento

No cenário presidencial, a semana não pertenceu apenas a Lula e Flávio. O Datafolha mostrou Lula com 38%, Flávio com 33% e Augusto Cury (Avante) com 8%. O escritor avançou seis pontos em duas semanas e passou a ocupar sozinho a terceira posição.

Polarização sob pressão

No segundo turno, Lula tem 46% e Flávio, 44%, empate técnico. Ambos carregam rejeição elevada: 47% dizem não votar no candidato do PL, enquanto 45% rejeitam o petista. Cury, com rejeição de apenas 9%, tenta ocupar o espaço de quem não quer escolher entre os dois polos. Folha de S.Paulo.

Teste das ruas

O próximo movimento será medir a capacidade de mobilização. Flávio mostrou alinhamento partidário em Ponta Grossa; Lula terá de mostrar público em Curitiba. Para Moro e Requião, o tamanho das comitivas importará menos do que a capacidade de converter a presença dos presidenciáveis em votos estaduais.

Semana decisiva

Moro terminou os últimos dias na liderança, mas sem conhecer ainda o adversário mais provável em um eventual segundo turno. Sandro cresceu em uma pesquisa; Requião manteve a segunda posição em outra. No Senado, quatro candidatos brigam diretamente por duas vagas. E, na corrida presidencial, o Paraná volta a ser disputado como uma vitrine da força conservadora no Sul.

A campanha deixou a fase de apresentação. Agora, cada visita presidencial, pesquisa e programa eleitoral passa a testar se os palanques estaduais transferem votos ou apenas produzem fotografias.

Há controvérsias

Qual será o candidato a governador mais votado em Guarapuava?

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