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Região de Guarapuava projeta safra de 2 milhões de toneladas em 2026/27

Paraná projeta 26,9 milhões de toneladas de soja, milho de verão e feijão; produção brasileira de grãos pode atingir 366,6 milhões

15/09/2026
Soja, milho de verão e feijão podem somar cerca de 2 milhões de toneladas na Regional de Guarapuava. Potencial elevado contrasta com riscos climáticos, custos de produção e margens mais apertadas no campoSoja, milho de verão e feijão podem somar cerca de 2 milhões de toneladas na Regional de Guarapuava. Potencial elevado contrasta com riscos climáticos, custos de produção e margens mais apertadas no campo

O Núcleo Regional de Guarapuava pode produzir aproximadamente 2 milhões de toneladas de soja, milho de verão e feijão na safra 2026/27. A primeira estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) aponta 1,23 milhão de toneladas de soja, 743,3 mil toneladas de milho e 27 mil toneladas de feijão. No Paraná, as três culturas devem somar 26,9 milhões de toneladas, enquanto a produção brasileira de grãos pode alcançar 366,6 milhões.

Os números de Guarapuava abrangem os municípios atendidos pelo núcleo regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, e não somente a área territorial da cidade. As projeções são preliminares e dependem das condições climáticas durante o plantio e o desenvolvimento das lavouras.

A soja deverá ocupar 300,1 mil hectares na Regional de Guarapuava. O Deral trabalha com uma produtividade média de 4,1 toneladas por hectare e uma produção estimada em 1,23 milhão de toneladas.

O milho de primeira safra terá 59,9 mil hectares, com rendimento médio projetado em 12,4 toneladas por hectare. A produção esperada é de 743,3 mil toneladas.

Para o feijão, a estimativa indica 12,8 mil hectares, produtividade média de 2,1 toneladas por hectare e colheita de 27 mil toneladas. Somadas, as três culturas deverão ocupar cerca de 373 mil hectares. Deral/Secretaria da Agricultura do Paraná

Paraná pode colher 22,6 milhões de toneladas de soja

No Paraná, a safra de soja está estimada em 22,64 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 4% sobre as 21,8 milhões de toneladas do ciclo anterior. A área deve permanecer praticamente estável, em 5,76 milhões de hectares, o que significa que o avanço dependerá principalmente do ganho de produtividade.

O milho de verão poderá produzir 4,1 milhões de toneladas. Apesar do aumento de 2% na área cultivada, a previsão representa leve recuo em relação às 4,14 milhões de toneladas colhidas em 2025/26.

A primeira safra de feijão tem produção estimada em 180,8 mil toneladas. O levantamento estadual também projeta 90,2 mil hectares destinados à cultura.

O trigo apresenta um cenário diferente. A produção paranaense de 2025/26 está estimada em 2,37 milhões de toneladas, queda de 18% em comparação com o ciclo anterior. O resultado preocupa Guarapuava e o Centro-Sul, onde o cereal tem forte peso econômico.

Brasil pode alcançar 366,6 milhões de toneladas

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção brasileira de 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, aumento de 1,4% em relação ao ciclo anterior.

A área plantada deve crescer para 85,3 milhões de hectares. A expansão compensaria uma pequena redução da produtividade média nacional, estimada em 4.296 quilos por hectare, ante 4.335 quilos na safra passada.

A soja poderá atingir 181,64 milhões de toneladas, enquanto o milho deve chegar a 148 milhões. A primeira safra do cereal tem previsão de 32,1 milhões de toneladas, o maior volume dos últimos 13 anos. Conab

Safra maior não garante renda maior

O volume projetado é positivo para a atividade econômica regional, mas uma produção elevada não significa, necessariamente, aumento proporcional da renda do agricultor. A maior oferta de grãos pode pressionar as cotações, especialmente quando estoques e exportações não crescem no mesmo ritmo.

Na soja, a expansão da área brasileira será de apenas 1,4%, o menor crescimento percentual em duas décadas. O avanço moderado reflete margens mais apertadas, custos de produção elevados e maior cautela dos produtores.

O cenário de oferta e demanda mais ajustado pode limitar quedas acentuadas nos preços, mas o resultado financeiro continuará condicionado ao câmbio, às compras da China, à safra dos Estados Unidos e aos custos de fertilizantes, defensivos, combustíveis e crédito.

Milho encontra demanda em rações e etanol

O milho apresenta um mercado interno mais aquecido. A demanda cresce com a produção de rações para aves e suínos e com a expansão das indústrias de etanol de cereais.

A Conab projeta exportações brasileiras próximas de 46 milhões de toneladas no ciclo 2026/27. Esse consumo interno e externo pode ajudar a absorver o aumento da produção e oferecer maior sustentação às cotações.

Para a região de Guarapuava, onde a produtividade do milho de verão está entre as mais altas do Paraná, o desafio será transformar rendimento elevado em rentabilidade. Custos altos e eventuais perdas climáticas podem reduzir a margem mesmo em propriedades tecnificadas.

Excesso de chuva preocupa o Centro-Sul

O clima será o principal fator de incerteza da safra. As chuvas recuperam a umidade do solo e favorecem a implantação das lavouras, mas volumes excessivos podem atrasar a semeadura, dificultar a entrada de máquinas e provocar falhas na germinação.

Em Guarapuava, períodos prolongados de umidade também aumentam o risco de erosão, compactação do solo e doenças fúngicas. Para as culturas de inverno ainda no campo, especialmente trigo e cevada, o excesso de chuva pode comprometer a qualidade dos grãos e dificultar a colheita.

A influência do El Niño amplia o risco de chuvas acima da média no Sul do Brasil. O impacto, porém, dependerá da distribuição das precipitações: chuva regular ao longo do ciclo favorece a produtividade, enquanto temporais ou longos períodos de solo encharcado podem provocar perdas.

Com potencial para uma nova safra expressiva, Guarapuava inicia o ciclo entre duas forças: a elevada capacidade produtiva de suas lavouras e a incerteza climática e econômica que pode transformar recordes de volume em margens menores para o produtor.

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