Novo Desenrola prevê desconto de pelo menos 90% em dívidas antigas; veja quem poderá participar
Renegociações estão previstas para começar em fevereiro de 2027
25/09/2026
Medida provisória assinada por Lula nesta sexta-feira (25) autoriza a União a comprar carteiras de dívidas em leilões e repassar o desconto aos devedoresO governo federal anunciou uma terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas. Pela medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (25), a União poderá comprar em leilão dívidas antigas com deságio mínimo de 90% e oferecer ao devedor a quitação pelo valor restante. A proposta é alcançar até 15 milhões de pessoas, mas a adesão dependerá da participação dos credores, da seleção das carteiras e da regulamentação das condições de pagamento. Exame
A diferença em relação às fases anteriores está em quem conduzirá a negociação. Em vez de apenas aproximar credores e consumidores, o governo comprará lotes de créditos inadimplidos. O desconto obtido nessa compra deverá ser transferido integralmente à pessoa endividada.
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Em um exemplo simples, se uma dívida de R$ 1.000 for adquirida pela União com desconto de 90%, o valor para quitação à vista será de R$ 100. Quem optar pelo parcelamento pagará o saldo remanescente acrescido de juros, segundo condições ainda a serem definidas pelo Conselho Monetário Nacional. O exemplo ilustra o mecanismo; não significa que toda dívida será aceita no programa.
Quais dívidas poderão entrar
O texto anunciado pelo governo prevê a compra de dívidas bancárias e não bancárias com valor original de até R$ 10 mil e atraso superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026. A faixa corresponde, aproximadamente, a débitos vencidos há mais de dois anos e menos de quatro anos e meio.
Contas de serviços, dívidas no comércio e débitos bancários poderão compor os lotes, desde que atendam aos critérios. O Ministério da Fazenda ainda poderá estabelecer regras adicionais de renda e de prioridade entre os devedores. Assim, ter uma dívida dentro do limite de valor e atraso não garante inclusão automática.
Os credores apresentarão propostas em leilões. Terão preferência as carteiras oferecidas com os maiores descontos, respeitado o mínimo de 90%. O desenho anunciado também exige que o credor inclua todos os créditos elegíveis de cada devedor, sem escolher apenas parte deles.
Quando será possível renegociar
Ainda não há atendimento aberto ao público nesta nova fase. O cronograma divulgado prevê chamamento dos credores em novembro de 2026, apresentação de propostas em dezembro e seleção em janeiro de 2027. A assinatura dos contratos e a oferta das condições de quitação ou parcelamento aos devedores estão previstas para fevereiro de 2027.
A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil poderão participar da operação. As regras práticas de acesso e pagamento deverão ser divulgadas antes do início das renegociações.
Alcance e custo previstos
Segundo o governo, até R$ 150 bilhões em dívidas poderão preencher os requisitos para compra. A estimativa é de R$ 75 bilhões efetivamente renegociados, considerando que nem todos os credores e devedores participarão.
O limite anunciado para a aquisição das carteiras pela União é de R$ 15 bilhões, com recursos a serem previstos nos projetos de orçamento de 2027 e 2028. Esse valor representa o desembolso máximo estimado para comprar as dívidas com desconto; não é o montante que será entregue diretamente às famílias.
O governo afirma que as duas fases anteriores do programa alcançaram cerca de 25 milhões de pessoas e famílias e renegociaram R$ 75 bilhões em dívidas. A nova etapa mira principalmente débitos mais antigos, cuja recuperação pelos credores é considerada difícil. O anúncio ocorre em um cenário de alta inadimplência: levantamento citado pela equipe econômica aponta 83,9 milhões de pessoas negativadas e R$ 592 bilhões em dívidas atrasadas em agosto de 2026.
Para o consumidor, a orientação imediata é aguardar a divulgação dos canais oficiais e conferir se a dívida será incluída em uma carteira selecionada. O anúncio da MP, por si só, ainda não permite solicitar o desconto.
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