Inventum 2026: como Pato Branco fez da tecnologia um pilar da economia do Sudoeste
Cidade de 99 mil habitantes uniu escolas, universidade e empresas para formar profissionais e desenvolver produtos com mercado
06/11/2026
Prefeito Geri Dutra, professor que participou da implantação do Parque Tecnológico de Pato Branco e hoje, como dirigente municipal, no comando da Inventum 2026Pato Branco, cidade de 99.000 habitantes, no Sudoeste do Paraná, respira inovação. Não é pouco. Num mundo cada vez mais tecnológico, a proposta está presente no dia a dia da população, a começar pelas crianças do ensino fundamental, passando pelas universidades, até chegar nas empresas. Com os dois pés no mercado,a tecnologia deixou de ser uma ideação para se tornar a ferramenta que move uma engrenagem de conhecimentos, desde sistema de gestão, plataformas para serviços públicos, peças para máquinas e implementos agrícolas, ferramentas de inteligência artificial, entre outros. É essa combinação que explica como Pato Branco se tornou numa referência em paque tecnológico no Paraná.
Tecnologia e inovação são a linguagem da economia contemporânea. Nas empresas, isso se traduz em decisões concretas: automatizar uma tarefa, reduzir desperdícios, usar dados para planejar a produção ou criar um serviço que o cliente esteja disposto a pagar. A qualificação profissional determina quanto desse potencial chega à operação. É o trabalhador que integra o software à rotina, interpreta os dados e redesenha o processo. É nessa passagem que o investimento em tecnologia pode aparecer no desempenho da empresa, em indicadores como custo por unidade, tempo de entrega e volume produzido por hora.
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Secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Rosiclei Caldato Dalagnol: Inventum 2026 em um momento histórico para Pato Branco
Em Pato Branco, projetos de formação, pesquisa aplicada e incubação são pilares da economia regional porque atuam em pontos diferentes desse percurso. A escola amplia a base de formação. A universidade prepara profissionais e ajuda a resolver problemas técnicos. A incubadora apoia quem precisa testar um produto e encontrar os primeiros clientes.
A Inventum 2026 foi aberta na última quarta-feira (4) e estende-se até domingo, no Parque de Exposições de Pato Branco, como uma vitrine dos investimentos realizados pelo Poder Público Municipal desde 1987, quando a cidade ganhou o curso superior de Tecnologia em Processamento de Dados. Dois anos depois, a Prefeitura cedeu uma área para instalar uma unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná, o Cefet-PR, que começou a dar aulas em março de 1993. A unidade incorporou cursos da Fundação de Ensino Superior de Pato Branco e, mais tarde, já como campus da UTFPR, ampliou a oferta com engenharias e pós-graduação.
O município construiu, em paralelo, uma estrutura para o empreendedorismo. O projeto Pato Branco Tecnópole surgiu em 1997. O Hotel Tecnológico veio em 1999, e o Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), em 2003. Em 2013, a Prefeitura criou a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação e realizou a primeira Inventum, que recebeu mais de 32 mil visitantes, segundo o município. O Parque Tecnológico, inaugurado em 2016, recebeu cerca de R$ 8 milhões em investimentos federais e estaduais. Em 2020, uma lei estadual deu à cidade o título de Capital Tecnológica e Inovadora do Paraná.
A formação tecnológica hoje alcança o 1º ao 5º ano. Uma lei municipal de 2024 incluiu fundamentos de computação, robótica e pensamento computacional no currículo da rede. Em 2025, pelo PatoTech, a Prefeitura e a UTFPR ofereceram a professores uma formação prática em impressão 3D no Parque Tecnológico. A cooperação também se estende a outras áreas. Desde 2017, docentes das licenciaturas e do mestrado em Letras da UTFPR oferecem oficinas a professores municipais, que aplicam as propostas nas turmas do ensino fundamental.
Sucesso de público na Inventum 2026: presença marcante de jovens e empreendedores
Apoio ao ensino voltado para as empresas
O Parque Tecnológico oferece estrutura para pesquisa, extensão e incubação. A legislação municipal de 2022 criou a política, o sistema, o plano e o fundo de ciência, tecnologia e inovação. Em janeiro de 2026, a incubadora municipal recebeu 14 novos incubados e graduou a Átrio Softwares, que concluiu o ciclo de acompanhamento. A seleção contempla projetos residentes e não residentes, com propostas de produtos, serviços ou processos de base tecnológica.
O papel econômico desses instrumentos é reduzir o custo e o risco das etapas iniciais. Um empreendedor que tem acesso a laboratório, orientação técnica e mentoria comercial pode testar mais cedo se o produto funciona e se existe demanda. Para uma empresa estabelecida, a cooperação com a universidade permite dividir o esforço de pesquisa em áreas nas quais montar uma equipe própria pode ser caro. Um exemplo local é a parceria da UTFPR com uma empresa do setor metal-mecânico para desenvolver tecnologias ligadas ao hidrogênio verde.
A contribuição da política pública pode ser medida em etapas. O número de professores capacitados e de projetos incubados mostra o alcance dos programas. A conversão de protótipos em contratos, a sobrevivência das empresas após a incubação e a geração de empregos qualificados ajudam a medir o resultado econômico. Nas empresas que adotam as soluções, o efeito pode ser acompanhado pela redução de custos, pelo ganho de produtividade ou pela melhora no atendimento. São medidas diferentes, que permitem identificar em que ponto uma boa ideia começa a gerar valor.
Uma economia sólida
Pato Branco tinha um PIB de R$ 5,82 bilhões em 2023, último dado oficial disponível. Se mantiver o ritmo médio de crescimento nominal registrado entre 2019 e 2023, a economia do município pode chegar a R$ 7,7 bilhões em 2026 (crescimento médio de 9,8% ao ano, em termos nominais, pela variação histórica). O Plano Municipal de Cidade Inteligente registra aproximadamente 365 empresas de tecnologia, entre elas 126 indústrias de software, no retrato usado pelo município para planejar suas ações.O levantamento municipal mostra a concentração de negócios tecnológicos, cuja presença também se vê nos produtos vendidos por empresas da cidade. Entre os exemplos, encontra-se a Viasoft fornece sistemas de gestão empresarial, a IDS desenvolve software para serviços públicos e a Proc, criada para atender ao varejo alimentar, passou a desenvolver ferramentas próprias de inteligência artificial e visão computacional.
A malha aérea oferece outro sinal da capacidade de Pato Branco de se conectar a mercados maiores. Enquanto a Azul Linhas Aéreas enxugava sua operação nacional em 2025, com o encerramento de voos em 14 cidades, Pato Branco conseguiu preservar ligações regulares. Para novembro de 2026, a programação prevê voos em 20 dias, sendo 12 com Curitiba e oito com Campinas, onde Viracopos funciona como centro de conexões da companhia. De janeiro a julho de 2025, o aeroporto local registrou 19.960 passageiros em voos regulares, segundo a Prefeitura.
Para as empresas do Sudoeste, a conexão aérea reduz o tempo de deslocamento para visitas a clientes, reuniões com fornecedores e atendimento técnico. A manutenção das rotas é um indicador de conectividade regional.
A feira, vitrine de um grande projeto
Antes de chegar à Prefeitura, o prefeito Géri Dutra trabalhou na implantação e na consolidação do Parque Tecnológico de Pato Branco e foi um dos idealizadores e gestores da Inventum. Também atuou em Guarapuava, como CEO do Cilla Tech Park e diretor do Comitê Executivo do Vale do Genoma. Na abertura da feira, resumiu o que a edição representava para ele: “É a realização de um sonho ver o que acontece aqui em Pato Branco.”
A cerimônia teve o espetáculo “Rock It”, da LightWire, com personagens de visual robótico, figurinos de LED e coreografia sincronizada com a música. A noite também contou com a palestra de Rafael Liporace, cofundador e CEO da Tardezinha, sobre os bastidores do negócio de entretenimento. A secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Rosiclei Caldato Dalagnol, destacou que a sexta edição reúne mais de 20 competições e abre espaço para empresas apresentarem soluções e fazerem contatos comerciais. A organização espera receber mais de 100 mil visitantes nos cinco dias.
O diretor de Coordenação da Itaipu Binacional, Carlos Carboni, disse que a instituição patrocina a Inventum por reconhecer a importância do evento para a inovação, reunindo universidade (UTFPR), empresas e poder público num só objetivo.
Inventum 2026 – programação e serviço
Onde – Centro Regional de Eventos Prefeito Astério Rigon, no Parque de Exposições. Rua Benjamin Borges dos Santos, 600, bairro Fraron, em Pato Branco.
Quando – De 4 a 8 de novembro, com entrada gratuita.
Realização – Prefeitura de Pato Branco, por meio da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, com correalização da UTFPR, do Parque Tecnológico, do Núcleo Regional de Educação, do NTI e de outras instituições.
Patrocínio master – Itaipu Binacional.
Quarta-feira (4) · Abertura às 19h
Espetáculo “Rock It”, da LightWire, e palestra de Rafael Liporace.
Sexta-feira (6) · Das 8h às 22h
Arena de Robótica e competição de inteligência artificial ao longo do dia. Às 8h30, oficina Inova Startups, do Sebrae. Das 13h às 17h, mentoria da incubadora municipal. Às 19h30, palestra “Será que estamos sozinhos?”, com Sérgio Sacani, no Espaço Inovação, com transmissão simultânea no Espaço Desafio. As duas sessões exigem inscrição pelo Sympla.
Sábado (7) · Das 9h às 22h
Às 9h, ElaSão Tech, sobre formação, liderança feminina e empreendedorismo em tecnologia. Às 13h30, competição de xadrez digital. Às 15h, concurso de cosplay da Genkos, no palco do Museu do Videogame.
Domingo (8) · Das 9h às 19h
Às 9h, Corrida Maluca, com veículos sem motor construídos pelas equipes. A disputa está prevista para o Kartódromo Municipal Ayrton Senna da Silva. inventum.org.br
Todo mundo fala
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