Lula leva vantagem sobre Flávio nas entrevistas à Globo, avaliam especialistas
Pesquisadores apontam melhor aproveitamento do espaço pelo presidente; analistas veem moderação no senador, mas cobram respostas e consistência econômica
17/10/2026
Diante de Renata Lo Prete, os candidatos foram cobrados por mudanças de posição, vínculos políticos e propostas econômicas na reta final da disputa presidencialLula aproveitou melhor a entrevista à TV Globo para conversar com eleitores indecisos, enquanto Flávio Bolsonaro concentrou esforços em atacar o adversário e deixou de apresentar credenciais próprias para governar. Essa é a avaliação dos pesquisadores Doacir Gonçalves de Quadros, da Uninter, e Adriane Buarque de Holanda, da ESPM Rio, ouvidos pelo Terra após as sabatinas de quinta-feira (15) e sexta-feira (16). A leitura se refere ao desempenho dos candidatos; não permite medir eventual mudança de votos.
As declarações mais controversas envolveram mudanças de posição e cobranças sobre responsabilidades. Lula passou a defender a redução da maioridade penal para crimes hediondos e disse desconhecer que o Bolsa Família havia ficado sem reajuste. Flávio afirmou que respeitará o fim da escala 6x1, anteriormente criticada por ele, e negou irregularidades no financiamento do filme sobre seu pai ao ser questionado sobre recursos do Banco Master. Também voltou a contestar a caracterização dos ataques de 8 de Janeiro como tentativa de golpe.
▪ Veja também
- Lula mobiliza ruas, Flávio muda posição sobre 6x1 e TSE impõe regras ao Exército de Lula
- Pesquisas Nexus e PoderData mostram disputa apertada entre Lula e Flávio no segundo turno
- Lula amplia atos de rua e mobilização digital para tentar virar disputa com Flávio
- Moraes autoriza Flávio Bolsonaro a visitar o pai, preso em casa
- Reviravolta no TSE libera canal pró-Lula e põe redes no centro do segundo turno
Recomendado para você
As conversas com Renata Lo Prete colocaram os concorrentes diante de uma exigência comum nesta fase da eleição: oferecer razões para conquistar quem ainda resiste a votar neles. Para os especialistas consultados, o presidente foi mais eficaz nessa tarefa ao admitir falhas e indicar o que pretende corrigir. Flávio, na avaliação dos pesquisadores, permaneceu mais próximo do discurso dirigido à própria base.
Quadros considerou que o senador não explorou suficientemente suas qualidades pessoais para exercer a Presidência. Holanda avaliou que os ataques a Lula ocuparam espaço que poderia ter sido dedicado ao desenvolvimento de propostas e apontou evasivas nas respostas. Ambos viram melhor aproveitamento da entrevista pelo petista.
O reconhecimento de responsabilidade pelo desgaste do governo foi um dos movimentos de Lula. O presidente disse que não poderia transferir a culpa pela avaliação negativa da administração e atribuiu parte do problema à dificuldade de comunicar suas realizações. A autocrítica, porém, veio acompanhada de uma explicação delicada: afirmou não saber que o Bolsa Família não havia recebido reajuste anteriormente, embora seja o principal programa de transferência de renda de sua gestão.
Na segurança, sua defesa da maioridade penal aos 16 anos para crimes hediondos rompeu com posições que sustentou em outros momentos. A declaração aproximou o presidente de uma pauta tradicionalmente defendida pela direita, em meio à disputa pelo eleitorado que cobra respostas à violência.
Flávio recebeu avaliações distintas sobre a maneira de se apresentar e o conteúdo das respostas. A jornalista Letícia Casado, do UOL, identificou uma postura mais moderada que a de Jair Bolsonaro, coerente com a imagem que o senador procura construir. Ressalvou que ele recorreu a frases de campanha e desviou de perguntas para introduzir assuntos de sua preferência.
José Roberto de Toledo também reconheceu preparo diante das câmeras, mas criticou omissões e evasivas. Segundo o analista, o senador perdeu a paciência durante a conversa e passou a interromper Lo Prete – comportamento que Toledo também havia observado na entrevista de Lula.
A economia expôs outra fragilidade apontada pelos comentaristas: a distância entre prometer benefícios e explicar como financiá-los. João Paulo Charleaux, em análise no UOL, questionou a compatibilidade dos compromissos de Flávio com o ajuste fiscal anunciado. Para ele, as fontes de receita apresentadas são incertas ou pequenas diante do esforço necessário.
O que cada candidato disse à Globo
Lula – responsabilidade pelo governo e mudança na segurança
Assumiu a responsabilidade pela avaliação negativa da gestão e disse que não conseguiu comunicar adequadamente suas realizações.
Afirmou desconhecer a falta de reajuste anterior do Bolsa Família.
Defendeu reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
Propôs discutir uma reforma do Judiciário, incluindo critérios de escolha e mandatos de ministros, e defendeu o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master.
Flávio Bolsonaro – garantias sociais e ajuste fiscal
Prometeu respeitar o fim da escala 6x1 e manter a valorização do salário mínimo.
Anunciou ajuste fiscal de R$ 200 bilhões, com extinção de pelo menos dez ministérios e aproveitamento de imóveis públicos.
Negou irregularidades no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.
Contestou a interpretação do 8 de Janeiro como tentativa de golpe.
Descartou Eduardo Bolsonaro como chanceler, prometeu não disputar a reeleição e afirmou que respeitará o resultado eleitoral.
Todo mundo fala
-
ELEIÇÕES 2026Guarapuava elege três estaduais; Estacho deve assumir na Câmara Federal -
SEGURANÇA Megaoperação deixa três mortos e prende quatro em Guarapuava e Campina do Simão -
OBITUÁRIOComoção em Guarapuava: morre o empresário Joldmar Baroni Kuster, aos 53 anos -
TEMPOGuarapuava entra em alerta para tempestades com ventos acima de 70 km/h e granizo
