Lula amplia atos de rua e mobilização digital para tentar virar disputa com Flávio
Manifestações no Rio e em outras cidades acompanham expansão do “Exército do Lula”
12/10/2026
Em Guarapuava, estudantes pró-lula e liderados por Cesar Filho disputam espaço no CentroA campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as mobilizações de rua e a articulação nas redes sociais para tentar reverter a vantagem numérica de Flávio Bolsonaro (PL) nas primeiras pesquisas do segundo turno.
A menos de duas semanas da votação de 25 de outubro, os apoiadores do petista combinaram manifestações em diferentes cidades com a ampliação dos canais de comunicação digital.
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Nesta segunda-feira (12), o movimento ganhou visibilidade no Rio de Janeiro, com milhares de pessoas na Praia de Copacabana, um dia depois de recorde de público (estimado em mais de 1 milhão) na Avenida Paulista, em São Paulo.
Um relatório da área técnica do Tribunal Superior Eleitoral trouxe um desdobramento favorável ao deputado André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal “Exército do Lula” no WhatsApp, alvo de uma ação da campanha de Flávio.
Copacabana e Lapa concentram manifestações no Rio
A manifestação na avenida Atlântica, em Copacabana, começou ao meio-dia e se estendeu por cerca de sete quarteirões, com concentração próxima ao Posto 5. Bandeiras, roupas vermelhas e cartazes de apoio a Lula marcaram a presença dos participantes. Lula permaneceu em Brasília e não participou.
Na região central do Rio, artistas ligados ao samba e parlamentares participaram da manifestação. Lindbergh Farias (PT) comparou o impulso das mobilizações ao movimento dos caras-pintadas, do qual foi uma das lideranças em 1992.
A defesa do fim da escala de trabalho 6x1 e críticas ao adversário de Lula estiveram entre as pautas dos discursos.
Mobilização alcança capitais e cidades do interior
Os atos no Rio ocorreram depois da manifestação de domingo (11) na avenida Paulista, em São Paulo, com a presença de Lula, Janja e Geraldo Alckmin.
Em Salvador, apoiadores se reuniram na região da Barra nesta segunda-feira. No Recife, a mobilização de domingo percorreu o trajeto entre o parque 13 de Maio e o Marco Zero, com participação de organizações estudantis.
Também foram registradas ações em Curitiba, Belo Horizonte, Vitória, Goiânia e Campinas durante o feriado. A estratégia procura transformar a participação dos apoiadores em conversas com eleitores, novas adesões e comparecimento às urnas.
Relatório do TSE favorece Janones, mas caso segue aberto
A disputa pelo “Exército do Lula” começou com um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para suspender o canal. No domingo (11), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu provisoriamente o funcionamento, considerando insuficientes as provas para bloquear todo o canal.
A decisão manteve a proibição de republicar conteúdos anteriormente considerados irregulares e ainda deverá ser examinada pelo plenário.
Nesta segunda-feira, a análise técnica solicitada pela Presidência do tribunal não identificou, nas publicações examinadas, os conteúdos específicos apontados na denúncia. O relatório, porém, registrou limitações decorrentes da exclusão de mensagens e observações sobre linguagem polarizadora. A conclusão favorece a defesa de Janones, sem representar uma autorização irrestrita para as publicações.
Canal passa de 4 milhões de seguidores
A controvérsia deu projeção nacional ao canal e coincidiu com seu crescimento. Na manhã desta segunda-feira, o “Exército do Lula” registrava aproximadamente 3,7 milhões de seguidores; à noite, ultrapassou a barreira dos 4 milhões.
Janones explorou politicamente a repercussão e ironizou a iniciativa do adversário. A sequência sugere que o embate ampliou a visibilidade da ferramenta.
Guarapuava tem estudantes nas ruas e adesivaços por Flávio
Em Guarapuava, a mobilização lulista ganhou participação de estudantes da Unicentro, alunos do ensino médio, partidos e organizações populares. No sábado (10), esses grupos se reuniram no Calçadão da XV de Novembro. Na sexta-feira, um ato a favor de Lula, considerado "histórico" pelas organizações de esquerda na cidade, reuniu centenas de estudantes na rua em frente à Unicentro.
A articulação também prevê ações nos bairros e distritos e compartilhamento de materiais pelo WhatsApp, Instagram e Facebook.
No mesmo sábado, também no Calçadão, Cesar Silvestri Filho e Cristina Silvestri, ambos do PP, comandaram um adesivaço em apoio a Flávio Bolsonaro.
Em outra frente, a direção municipal do PL iniciou uma mobilização para adesivar veículos no comitê próximo à Praça Cleve. A iniciativa conta com o apoio do suplente de deputado federal Rodrigo Estacho (Podemos).
As ações colocam a campanha presidencial nas ruas de Guarapuava, com os dois campos buscando ampliar adesões na reta final do segundo turno.
Como foi a segunda-feira de Lula e Flávio Bolsonaro
Agendas religiosas em Brasília e disputa nas redes marcaram o feriado dos candidatos
Lula – O presidente participou de uma missa na capela do Palácio da Alvorada, acompanhado de Janja e aliados, em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. Defendeu o respeito às religiões e criticou a suspensão, posteriormente revertida, do canal “Exército do Lula”. Cobrou imparcialidade do TSE e anunciou que pretende ampliar a presença digital da campanha. Enquanto permaneceu em Brasília, apoiadores realizaram manifestações no Rio e em outras cidades.
Flávio Bolsonaro – O senador participou de uma missa na Catedral de Brasília, em um aceno ao eleitorado católico. Nas redes, reagiu à exibição de sua propaganda eleitoral sem áudio e pediu aos apoiadores que compartilhassem o vídeo pelo WhatsApp. O TSE confirmou uma falha técnica e anunciou a reexibição do programa. Também nesta segunda-feira, Alexandre de Moraes autorizou a retomada das visitas de Flávio ao pai, Jair Bolsonaro, mantendo restrições ao uso político dos encontros.
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