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STF em ebulição: Moraes cancela fala e PF mira bastidores do filme sobre Bolsonaro

Operação faz 49 buscas atingiram suspeitos de desviar recursos ligados a “Dark Horse”

10/09/2026
ação autorizada por Flávio Dino atingiu Mário Frias e a produtora Karina Gama, da cinebiografia de Bolsonaroação autorizada por Flávio Dino atingiu Mário Frias e a produtora Karina Gama, da cinebiografia de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes (STF)anunciou que faria um pronunciamento às 11h desta quinta-feira (10), mas cancelou a manifestação pouco depois, enquanto a Polícia Federal cumpria 49 mandados em uma operação sobre suspeitas de desvio de recursos públicos envolvendo pessoas ligadas ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A fala de Moraes seria a primeira desde a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O pronunciamento não teria transmissão pública e seu conteúdo não foi antecipado. A assessoria do STF informou apenas que a manifestação foi cancelada e será remarcada “para data oportuna”.

O cancelamento ocorre um dia após o presidente do STF, Edson Fachin, retirar de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, conduzido pelo ministro durante mais de sete anos. Fachin assumiu o processo e suspendeu decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino relacionadas à chefia da Polícia Federal.

A intervenção manteve Andrei Rodrigues no comando da PF e determinou que novas apurações envolvendo ministros do Supremo dependam de autorização da Presidência da Corte. Fachin convocou sessão extraordinária para terça-feira (15), quando o plenário deverá avaliar o relatório policial sobre os diálogos de Moraes com Vorcaro e o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o documento.

A decisão buscou interromper a escalada entre ministros. Mendonça havia afastado Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada; Dino determinou a reintegração; e Moraes pediu a apuração da conduta de Mendonça. A sequência expôs uma disputa interna incomum no Supremo.

Operação Make Up atinge Mário Frias

Paralelamente, a PF deflagrou nesta manhã a Operação Make Up, autorizada por Flávio Dino e realizada com apoio da Controladoria-Geral da União. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”, e Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up Entertainment, produtora brasileira do longa. A investigação apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em contratos públicos.

Segundo a PF, recursos originados de emendas parlamentares teriam sido transferidos para organizações da sociedade civil e, posteriormente, direcionados a empresas subcontratadas sem comprovação da execução dos serviços. Auditorias também identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas vinculadas aos investigados – valor que não corresponde necessariamente ao orçamento do filme.

Durante as buscas, agentes apreenderam sete armas registradas em nome de Mário Frias. Conforme a apuração, o armamento estava em endereço diferente daquele informado nos registros, circunstância que será investigada separadamente. Computadores e celulares também foram recolhidos para perícia. Folha de S.Paulo

Emenda e contrato de internet entram na apuração

Uma das frentes envolve uma emenda de R$ 1 milhão destinada por Frias ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama. O dinheiro deveria financiar um programa de empreendedorismo estudantil no interior de São Paulo. Investigadores apuram se o projeto foi executado e qual foi o destino dos recursos.

Outro inquérito analisa um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o instituto para a instalação e manutenção de pontos de internet gratuita. O acordo, inicialmente estimado em R$ 108 milhões, já havia provocado buscas da Polícia Civil paulista. A hipótese investigada é de que parte dos valores possa ter chegado à estrutura responsável pela produção do filme.

Karina Gama nega irregularidades. Ela afirma que colaborará com as autoridades, que não participou da captação financeira do longa e que os recursos remanescentes da emenda permanecem guardados para a execução do projeto.

Caso Dark Horse alcança investigação do Banco Master

A Operação Make Up não se confunde com o inquérito relatado por André Mendonça sobre o Banco Master, mas as duas investigações alcançam personagens e estruturas ligados ao filme. A apuração sob Mendonça investiga remessas atribuídas ao grupo de Daniel Vorcaro para financiar “Dark Horse”.

Mendonça homologou a colaboração de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e apontado como operador financeiro de Vorcaro. A investigação tenta esclarecer transferências ao fundo norte-americano Havengate Development Fund, relacionado ao financiamento da produção.

Reportagens apontam que Flávio Bolsonaro teria solicitado US$ 24 milhões a Vorcaro para o projeto e que ao menos US$ 10 milhões teriam sido transferidos ao fundo. Esses valores ainda estão sob investigação e não representam conclusão judicial sobre a origem ou o destino final do dinheiro. Flávio Bolsonaro não é alvo da Operação Make Up desta quinta-feira.

A ação autorizada por Dino amplia a pressão política sobre o grupo bolsonarista às vésperas da estreia prevista de “Dark Horse”. Ao mesmo tempo, o cancelamento da manifestação de Moraes prolonga o silêncio do ministro e mantém a crise institucional sem resposta pública direta até o julgamento convocado por Fachin para a próxima terça-feira.

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