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Crise no STF incendeia debate ao Senado no Paraná e provoca sequência de confrontos

Troca de acusações se sobrepõe à apresentação de propostas

10/09/2026
Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha protagonizaram os principais embates; Alexandre Curi e Cristina Graeml buscaram espaços próprios na disputaDeltan Dallagnol, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha protagonizaram os principais embates; Alexandre Curi e Cristina Graeml buscaram espaços próprios na disputa

O primeiro debate da Band Paraná entre candidatos ao Senado colocou a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o caso Banco Master, a segurança pública e a corrupção no centro da campanha eleitoral.

Realizado na noite desta quarta-feira (9), o encontro foi marcado por acusações, pedidos de direito de resposta e poucos momentos dedicados ao detalhamento de propostas para o Estado.

Participaram Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL), Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT). O Paraná elegerá dois senadores em outubro, o que estimula tanto os confrontos entre adversários ideológicos quanto a disputa por votos dentro de um mesmo campo político.
Direita e esquerda concentram os ataques

Deltan Dallagnol e Filipe Barros direcionaram os ataques principalmente ao governo do presidente Lula e aos candidatos do PT. Os dois associaram a insegurança pública e as denúncias envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master à atual administração federal, além de defenderem o legado da Operação Lava Jato.

Gleisi Hoffmann reagiu mirando a trajetória jurídica e política de Deltan. A candidata voltou a classificá-lo como “inelegível” e “ficha suja”, embora a candidatura do ex-procurador tenha sido confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). A referência de Gleisi era ao processo que culminou na cessação do mandato de deputado federal de Dallagnol. 

O confronto produziu sucessivos pedidos de resposta e elevou a temperatura do debate

Questionada sobre o ministro Alexandre de Moraes, Gleisi afirmou que apoia a responsabilização de todos os envolvidos no caso Master, inclusive de integrantes do Supremo, caso existam provas. Ao mesmo tempo, defendeu a atuação de Moraes contra a tentativa de ruptura institucional.

Dr. Rosinha também adotou uma linha de defesa do governo Lula e de enfrentamento aos representantes da direita. Com isso, parte significativa do programa ficou concentrada na polarização nacional, deixando em segundo plano propostas diretamente relacionadas às atribuições de um senador.

Filipe Barros e Cristina Graeml disputam eleitor de direita 

O debate também expôs divisões no campo conservador. Filipe Barros questionou Cristina Graeml sobre a filiação ao PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, e insinuou que a candidata teria se aproximado do “sistema”.

Cristina respondeu que ingressou no PSD após convite do governador Ratinho Junior e afirmou representar uma liderança feminina dentro da legenda. Nas considerações finais, reforçou posições contrárias ao PT, defendeu a saída de Alexandre de Moraes do STF e reafirmou pautas conservadoras.

O confronto mostrou que Barros, Deltan e Cristina, apesar de compartilharem parte do eleitorado de direita, disputam entre si uma das duas vagas disponíveis. Essa competição tende a crescer porque, na eleição para o Senado, cada eleitor poderá escolher dois candidatos.

Curi tenta escapar da polarização 

Alexandre Curi adotou uma estratégia diferente. O candidato procurou apresentar-se como alternativa aos embates ideológicos e defendeu que a campanha fosse concentrada em propostas para o Paraná. A postura permitiu que ele atravessasse boa parte do debate sem se envolver diretamente nos confrontos mais agressivos.

Curi, porém, entrou em uma das discussões sobre segurança ao se declarar contrário ao uso de câmeras corporais por policiais. Também defendeu o endurecimento das penas, a redução das possibilidades de progressão e o debate sobre a maioridade penal.

Ao trocar perguntas com Cristina Graeml, Curi priorizou temas administrativos e propostas. A estratégia buscou aproximá-lo da imagem de gestor e do grupo político do governador Ratinho Junior, embora o candidato também tenha recorrido a pautas conservadoras na área da segurança.

A polarização entre Gleisi, Deltan e Barros fez com que Curi, Graeml e Dr. Rosinha ficassem aliados do debate na maior parte do tempo.

Proibição de bets aproxima candidatos 

Um dos poucos pontos de convergência foi a crítica às apostas esportivas on-line. Os seis participantes defenderam restrições severas ou o fim das chamadas bets, apontadas como responsáveis pelo endividamento e pelo comprometimento da renda das famílias.

Gleisi Hoffmann reconheceu a dificuldade de aprovar uma proibição diante da força econômica do setor e sugeriu, inicialmente, impedir a publicidade das empresas. Filipe Barros destacou os efeitos do vício em apostas sobre trabalhadores e famílias.

O debate terminou sem um vencedor inequívoco. Deltan, Barros, Gleisi e Rosinha mobilizaram seus campos políticos por meio da confrontação; Graeml tentou preservar sua identidade conservadora depois da filiação ao PSD; e Curi buscou ocupar o espaço de candidato menos envolvido na polarização.

O resultado imediato foi uma largada de campanha marcada mais por acusações nacionais do que pela apresentação de projetos específicos para o Paraná. 

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