Requião Filho promete retomar controle da Copel e acabar com modelo cívico-militar no Paraná
Candidato explicou aliança com o PT e cobrou na Justiça a realização de debate eleitoral
16/09/2026
Requião Filho defendeu maior controle público sobre a Copel e mudanças nas escolas cívico-militares. O candidato também reafirmou o voto auditável, a posse de armas e explicou a aliança com o PTO candidato ao Governo do Paraná Requião Filho (PDT) aproveitou a quarta-feira (16) para marcar diferenças em relação aos adversários Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD). Em entrevista à RPC, ele defendeu a retomada do controle público sobre a Copel, prometeu substituir o modelo dos colégios cívico-militares e confirmou posições que contrariam partidos de sua própria coligação, como o apoio à posse de armas e à impressão do voto para auditoria.
Requião também afirmou que mantém as críticas feitas anteriormente ao governo Lula, mas argumentou que sua aliança com o PT está baseada na defesa da saúde, da educação e dos serviços públicos. No mesmo dia, ganhou repercussão nacional a decisão de sua campanha de acionar a Justiça Eleitoral contra o cancelamento de um debate que seria promovido pelo Grupo RIC.
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A sabatina no Meio-Dia Paraná encerrou a rodada de entrevistas com os três candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest.
Moro participou na segunda-feira (14), e Sandro Alex, na terça-feira (15). Cada concorrente teve 30 minutos para responder às perguntas.
Copel ocupa o centro da entrevista
Requião voltou a colocar a Copel no centro de sua campanha. O candidato é contrário à privatização concluída durante o governo Ratinho Junior e afirmou que pretende recuperar a influência do Estado sobre a empresa.
Entre as medidas mencionadas estão a realização de uma auditoria, a compra de ações e a retomada do direito de voto do governo estadual no conselho da companhia. Segundo o candidato, a perda dessa influência permitiu que acionistas privados assumissem o controle das principais decisões.
Requião disse acreditar que uma operação de recompra seria possível com a participação do governo federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, que também possui ações da Copel. O candidato, porém, não detalhou o custo da operação nem a origem de todos os recursos necessários.
Enquanto uma eventual recompra não ocorresse, a proposta seria ampliar a fiscalização sobre os serviços e pressionar a Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, diante das reclamações sobre interrupções no fornecimento.
O tema também é explorado por Moro, que passou a cobrar providências do governo Ratinho Junior diante das quedas de energia, sobretudo nas áreas rurais. Sandro Alex, por sua vez, defende a privatização e o legado da atual gestão.
Aliança com o PT preserva divergências
Questionado sobre sua relação com o PT, partido pelo qual foi eleito deputado estadual em 2022, Requião afirmou que não abandonou as críticas feitas ao governo federal. Ele deixou a legenda e filiou-se ao PDT em 2025, mas recebe atualmente o apoio de PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede.
O candidato sustentou que as divergências fazem parte da democracia e disse que a convergência está na defesa das políticas públicas. Também afirmou que uma eventual composição do secretariado estadual não seria definida apenas pela divisão partidária.
Segundo Requião, os nomes escolhidos para o governo teriam de apresentar capacidade técnica e de gestão, independentemente da filiação. A entrevista foi transmitida pela RPC e repercutida pela imprensa paranaense.
Requião cita Moro ao responder sobre fraude no INSS
A relação do PDT com o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi também foi abordada. Presidente nacional da legenda, Lupi deixou o ministério em maio de 2025, depois do avanço das investigações sobre descontos irregulares em benefícios do INSS.
Requião respondeu que qualquer denúncia deve ser investigada e afirmou que não pretende proteger integrantes de seu partido. Em seguida, direcionou a crítica a Moro, alegando que o então ministro da Justiça teria recebido informações sobre irregularidades no INSS em 2019 e não teria adotado providências.
O candidato argumentou ainda que o esquema foi investigado e tornado público durante o governo Lula. A declaração teve o objetivo de rebater a tentativa de ligar sua candidatura e o PDT às fraudes contra aposentados.
Candidato promete mudar escolas cívico-militares
Na educação, Requião confirmou que pretende encerrar o modelo cívico-militar implantado pelo governo Ratinho Junior. Ressaltou, no entanto, que as escolas continuariam funcionando dentro do sistema regular de ensino.
Para o candidato, não existe diferença curricular relevante entre as unidades cívico-militares e as demais escolas estaduais. Ele classificou o programa como uma forma de “propaganda ideológica” e criticou a possibilidade de seleção de estudantes nas unidades.
Requião também afirmou que policiais militares não recebem preparação específica para o trabalho pedagógico com adolescentes. A proposta é direcionar esses profissionais ao Batalhão Escolar e ampliar a autonomia dos professores dentro das salas de aula.
Porte de arma e voto auditável dividem coligação
Requião manteve duas posições que destoam dos partidos de esquerda integrantes de sua aliança. Declarou-se favorável à posse e ao porte de armas e disse que não modificará sua opinião durante a campanha.
O candidato afirmou possuir porte de arma e vir de uma família de colecionadores. Segundo ele, seria incoerente mudar de posição apenas para se adequar às legendas da coligação.
Em relação às urnas, defendeu o que chama de voto auditável. A proposta prevê que a urna eletrônica produza um comprovante, depositado automaticamente em outro compartimento, sem contato com o eleitor. Esse material poderia ser utilizado posteriormente para conferir o resultado eletrônico.
Requião argumentou que o sistema aumentaria a segurança jurídica e reduziria a desconfiança em relação às eleições. A Justiça Eleitoral afirma que as urnas eletrônicas já são submetidas a diferentes procedimentos de auditoria e fiscalização.
Placa reservada e pensão de ex-governador
O candidato também foi questionado sobre o uso de placas veiculares reservadas por integrantes da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Requião confirmou que recebeu uma delas e alegou que o benefício estava previsto em lei e havia sido concedido a todos os membros do colegiado.
Após a repercussão do caso, a Assembleia revogou o benefício e as placas foram devolvidas. Requião disse que não era favorável nem contrário à medida e justificou que agiu dentro da legalidade.
Sobre a verba de representação recebida por ex-governadores — benefício que alcançou seu pai, Roberto Requião —, o candidato defendeu que o pagamento funcionaria como uma garantia para que ocupantes do cargo pudessem governar sem depender de interesses privados.
Chuvas, proteção ambiental e agronegócio
Depois dos temporais registrados no Paraná, Requião defendeu a retomada de programas de proteção de matas ciliares, rios e nascentes. Também mencionou a criação de corredores biológicos, mas não detalhou como o projeto seria implantado.
O candidato associou a proteção ambiental à segurança climática e à produção agrícola. A proposta, segundo ele, é construir uma parceria com o agronegócio para preservar a Mata Atlântica e tornar a produção mais sustentável.
No Litoral, Requião afirmou não ser contrário à Ponte de Guaratuba, mas criticou a ordem das prioridades. Para ele, os acessos rodoviários, o saneamento, a saúde e a infraestrutura regional deveriam ter avançado antes ou simultaneamente à construção da ponte.
Campanha recorre contra cancelamento de debate
Outro movimento político da quarta-feira foi a repercussão da ação apresentada pela campanha ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Requião pediu que o Grupo RIC mantenha o debate que estava previsto para 21 de setembro.
A emissora cancelou o encontro citando incertezas sobre a participação das principais candidaturas e a complexidade da operação. A campanha argumenta que havia confirmado presença e que as regras estabeleciam a manutenção da programação mesmo com ausências.
Se apenas um candidato comparecesse, o horário poderia ser transformado em entrevista. Requião declarou que não pretende obrigar a empresa a realizar o debate, mas cobrar o cumprimento do compromisso formalizado. O pedido apresentado ao TRE-PR foi revelado pela Folha de S.Paulo.
A iniciativa permite ao candidato reforçar o discurso de que está disposto a confrontar os adversários. Em uma eleição marcada pela disputa interna da direita entre Moro e o grupo de Ratinho Junior, Requião tenta ampliar seu espaço apresentando propostas distintas e cobrando debates diretos antes do primeiro turno.
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