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Selic em 13,75%: mercado espera medidas do governo Lula

Banco Central interrompe sequência de cinco cortes; definição da equipe econômica e plano para as contas públicas estão entre os sinais aguardados por investidores

05/11/2026
Com o crédito caro, famílias adiam compras e empresas reavaliam investimentos. O desafio de Lula é conciliar compromissos sociais e equilíbrio das contas públicas para ajudar a criar condições para a queda dos juros.Com o crédito caro, famílias adiam compras e empresas reavaliam investimentos. O desafio de Lula é conciliar compromissos sociais e equilíbrio das contas públicas para ajudar a criar condições para a queda dos juros.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, coloca pressão sobre o Governo Lula. Na primeira reunião após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta quarta-feira, o Banco Central apontou aumento das incertezas, piora das expectativas de inflação e desaceleração da economia. 

A medida mantém o crédito caro para famílias e empresas e amplia a atenção sobre os próximos passos do governo. Analistas avaliam que a retomada dos cortes dependerá da melhora das expectativas inflacionárias e de sinais mais consistentes sobre a política fiscal. 

O BC enfrenta cobranças em direções diferentes: a atividade perde força, mas a inflação continua preocupando. As projeções do próprio banco subiram para 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027, acima do teto de tolerância de 4,5%. Petróleo, câmbio e inflação de serviços estão entre os fatores de risco. 

​​​​Como o mercado reagiu

A manutenção dos juros foi recebida sem grande surpresa pelos analistas. A unanimidade na decisão do Copom trouxe alívio, enquanto a leitura do comunicado reforçou a expectativa de uma pausa nos cortes, sem garantia de retomada próxima. 

No pregão de quarta-feira, o dólar caiu 0,64%, para R$ 5,4518, e o Ibovespa avançou 1,23%, aos 167.563 pontos. Esses movimentos ocorreram antes do anúncio do Copom, divulgado depois do fechamento, e acompanharam principalmente o ambiente externo mais favorável. Portanto, não representam uma reação à decisão.

O que se pode esperar de Lula

O mercado aguarda a definição do comando da Fazenda para o próximo mandato e medidas que indiquem como o governo pretende conter o crescimento da dívida pública.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na terça-feira (3) que o governo prepara um ajuste fiscal gradual, preservando compromissos de campanha. As propostas ainda dependiam de avaliação de Lula, sem data confirmada para apresentação.

A Fazenda também prepara uma proposta de emenda à Constituição para ampliar a possibilidade de congelamento de recursos e buscar o centro da meta fiscal.

O que o governo pode fazer

A Selic é definida pelo Copom. A atuação do Executivo pode ajudar a criar condições para juros menores, mas não assegura uma redução imediata. Como análise econômica, os principais caminhos são:

  • Apresentar um plano fiscal verificável: indicar medidas, valores e prazos para receitas e despesas, permitindo avaliar seus efeitos sobre a dívida.
  • Revisar gastos e benefícios tributários: avaliar despesas ineficientes e incentivos com pouco retorno, preservando serviços essenciais e a proteção social.
  • Dar previsibilidade à política econômica: esclarecer prioridades, equipe e financiamento das promessas eleitorais.
  • Evitar estímulos sem cobertura fiscal: expansões de gastos ou subsídios podem sustentar a demanda e dificultar o combate à inflação.

Essas alternativas seguem a preocupação expressa pelo Copom com os efeitos da política fiscal sobre a inflação, os ativos financeiros e a eficácia dos juros. Medidas que dependam de mudanças legais precisarão de negociação com o Congresso. 

O governo também precisa considerar o custo dos próprios juros sobre a dívida. Uma queda sustentável exige combinar melhora das contas públicas, redução das expectativas de inflação e preservação da credibilidade monetária – relação destacada por economistas no debate sobre propostas de redução acelerada da Selic. 

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