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Mercado fecha primeira semana após eleição sob tensão e espera sinais do “novo” governo Lula

Queda da Bolsa e alta do dólar refletem revisão de apostas eleitorais; equipe econômica e trajetória das contas públicas concentram expectativas para o próximo mandato

31/10/2026
Formação da equipe e propostas para o próximo mandato serão acompanhadas em meio à revisão das projeções para câmbio, inflação e jurosFormação da equipe e propostas para o próximo mandato serão acompanhadas em meio à revisão das projeções para câmbio, inflação e juros

A primeira semana após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva terminou com forte desvalorização dos ativos brasileiros. O Ibovespa caiu 18,12%, enquanto o dólar subiu 9,04%, encerrando a sexta-feira (30) a R$ 5,44.

O movimento expôs a distância entre as apostas feitas por parte dos investidores antes da votação e as expectativas para o quarto mandato do presidente. 

Rafael Fonteles, governador eleito pelo Piauí, entre os cotados para o Ministério da Economia 

Foi a maior perda semanal da Bolsa desde março de 2020, no início da pandemia, e a maior alta semanal do dólar desde a crise financeira de 2008. O Ibovespa acumulou cinco pregões consecutivos de queda e terminou aos 167.921,80 pontos. 

Uma parcela do mercado havia montado posições esperando a vitória de Flávio Bolsonaro e uma mudança na política econômica. Com o resultado das urnas, essas apostas foram desfeitas rapidamente. À reorganização das carteiras somaram-se dúvidas sobre os gastos públicos, a dívida e as prioridades do próximo governo. 

O cenário internacional também contribuiu para as perdas. A queda das bolsas americanas, as preocupações com os investimentos em inteligência artificial e o petróleo elevado ampliaram a cautela. A reação brasileira, portanto, reuniu fatores domésticos e externos. 

O futuro da economia com a reeleição de Lula 

Passado o choque inicial, a atenção se volta para uma questão: quais serão as diferenças entre o atual governo e o mandato que começa em janeiro? Nas avaliações de instituições financeiras, a recuperação da confiança depende de decisões sobre a equipe econômica e de propostas concretas para as contas públicas. A escolha do ministro da Fazenda será um sinal relevante, mas precisará estar acompanhada da orientação que Lula dará à política fiscal. 

Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, e o vice-presidente Geraldo Alckmin aparecem entre os nomes considerados para a Fazenda. A permanência de Dario Durigan também é uma possibilidade. Fonteles, porém, negou ter discutido cargos com o presidente e afirmou que pretende continuar no governo estadual. 

Dentro do governo, a leitura da turbulência enfatiza a reversão das apostas eleitorais. Durigan atribuiu parte expressiva da volatilidade a esse ajuste e informou que Fazenda e Banco Central atuaram para preservar o funcionamento do mercado. O Tesouro realizou operações extraordinárias de recompra de títulos públicos durante a semana. 

Os efeitos da instabilidade podem ultrapassar o mercado financeiro. A valorização do dólar pressiona os custos de produtos e insumos importados e pode dificultar a redução dos juros. O Itaú passou a projetar a manutenção da Selic em 13,75% na reunião de novembro, diante das pressões inflacionárias e das condições financeiras mais apertadas. 

O primeiro teste do “novo” governo Lula será transformar as sinalizações políticas em decisões capazes de reduzir essas incertezas. Para os investidores, os próximos anúncios ajudarão a avaliar o compromisso com as contas públicas, a capacidade de execução da equipe econômica e o espaço para crescimento com inflação controlada. A semana de perdas estabelece o ponto de partida dessas expectativas; o rumo dependerá das medidas adotadas e do ambiente internacional. 

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