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Presidente do BC do Paraguai renuncia após colapso do banco digital Ueno

Carlos Carvallo deixa o cargo a pedido de Santiago Peña; autoridades tentam proteger depósitos e conter os efeitos da crise na instituição

04/11/2026
Carlos Carvallo deixou o comando da autoridade monetária paraguaia em meio à crise do banco digital UenoCarlos Carvallo deixou o comando da autoridade monetária paraguaia em meio à crise do banco digital Ueno

O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia na terça-feira (3), a pedido do presidente Santiago Peña, após o colapso do banco digital Ueno.

A crise deixou clientes sem acesso a recursos e colocou sob pressão a fiscalização bancária e as relações entre autoridades e a instituição financeira.

A economista Liana Caballero, integrante do conselho diretor do Banco Central, foi escolhida para assumir interinamente a presidência. Funcionária de carreira da instituição há 19 anos, ela terá entre os desafios a condução das medidas para atender os depositantes afetados.

A crise estourou no mesmo dia em que o Paraguai abriu inscrições para imigrantes brasileiros se inscreverem para obter residência fixa no país vizinho. A onda foi puxada por uma expressiva propaganda paraguaia de abertura do mercado para novos profissionais e empresas, tendo como atração incentivos de capitais e juros mais baixos. Especialistas lembram que o Paraguai também está integrado a uma ordem econômica mundial – a exemplo do Brasil –, cujas tendências sugerem mais prudência do que ânimos exaltados.

O que aconteceu com o Ueno

O Banco Central determinou o início do processo de resolução do Ueno depois de identificar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido. A insuficiência foi constatada após ajustes nas demonstrações financeiras durante um processo de regularização.

A decisão foi tomada pelo conselho diretor em 2 de novembro e divulgada no dia seguinte. O procedimento prevê a nomeação de interventores para verificar a situação patrimonial, preservar os ativos e conduzir as medidas previstas em lei.

O Ueno tem cerca de 3 milhões de clientes e administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos. A interrupção dos serviços levou correntistas, entre eles aposentados e pensionistas, a procurar agências para tentar acessar suas economias.

Relações com o governo ampliam pressão

A crise ganhou dimensão política porque Carvallo havia presidido o Ueno antes de assumir o Banco Central, em 2023. Peña, por sua vez, foi sócio do grupo proprietário da instituição até março de 2025.

A supervisão do banco passou a ser questionada em meio a suspeitas de empréstimos excessivos a empresas vinculadas ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno. O Ministério Público determinou a prisão de oito pessoas ligadas à instituição. As suspeitas ainda dependem de apuração e não representam condenação dos envolvidos.

Como ficam os depósitos

Segundo o Banco Central, a garantia de depósitos cobre até 75 salários mínimos mensais por depositante em cada instituição financeira. O limite informado é de 228,3 milhões de guaranis e considera o conjunto dos depósitos do cliente no banco, e não cada conta individualmente.

Para os valores superiores à cobertura, a autoridade monetária afirmou que utilizará os mecanismos previstos na legislação para buscar a maior proteção possível dos saldos.

Peña anunciou um acordo com os líderes do Congresso para acelerar um projeto que permita utilizar o fundo de garantia nos pagamentos aos depositantes e proteja recursos públicos e previdenciários. O anúncio, porém, não equivale à conclusão dos ressarcimentos.

Apesar da gravidade da crise no Ueno, o Banco Central classificou o episódio como um caso específico da instituição e afirmou que ele não representa uma condição generalizada do sistema financeiro paraguaio.

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