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Soja vale R$ 136,20 em Guarapuava; região projeta safra de 1,23 milhão de toneladas

Chicago ensaia recuperação nesta terça-feira; estimativa do Deral indica produção regional menor em 2026/27, enquanto o Paraná prevê crescimento

03/11/2026
Câmbio, demanda externa e produtividade das lavouras influenciam a receita que chegará aos produtores na próxima colheitaCâmbio, demanda externa e produtividade das lavouras influenciam a receita que chegará aos produtores na próxima colheita

A soja tem cotação de referência de R$ 136,20 por saca de 60 quilos na praça de Guarapuava, conforme levantamento do Deral disponível nesta terça-feira (3). Enquanto o mercado acompanha a recuperação dos contratos em Chicago, os produtores regionais trabalham com uma previsão de 1,23 milhão de toneladas na primeira safra 2026/27, abaixo das 1,29 milhão de toneladas colhidas no ciclo anterior.

Os números de produção abrangem o Núcleo Regional de Guarapuava, formado por vários municípios, e não apenas o território de Guarapuava.

O balanço de outubro do Departamento de Economia Rural registra 1.287.638 toneladas de soja na primeira safra 2025/26, cultivadas em 300.850 hectares na regional. A produtividade média alcançou 4.280 quilos por hectare, equivalente a aproximadamente 71,3 sacas.

O levantamento também aponta que 94,8% dessa produção já havia sido comercializada ou consumida nas propriedades até a data de referência, em 26 de outubro.

Preço local depende também do dólar

A referência de R$ 136,20 corresponde ao mercado de balcão, nas negociações entre produtores, cooperativas, cerealistas e atacadistas. No mesmo painel, Laranjeiras do Sul aparece com R$ 138 por saca, e Pitanga, com R$ 135,30. Os valores efetivamente negociados podem variar conforme as condições de entrega, qualidade e pagamento.

A reação de Chicago, isoladamente, não determina o preço recebido pelo agricultor. O câmbio, os prêmios de exportação e os custos de transporte também entram na formação das ofertas. Um dólar mais valorizado tende a favorecer a receita em reais das exportações; uma queda da moeda pode reduzir esse efeito.

Próxima safra regional pode recuar 4,4%

Para a primeira safra 2026/27, o Deral estima 1.230.410 toneladas na Regional de Guarapuava, em 300.100 hectares. Na comparação com o ciclo anterior, o volume representa uma redução calculada de 4,4%, enquanto a área fica praticamente estável.

A projeção equivale a um rendimento de cerca de 4.100 quilos por hectare, ou 68,3 sacas. O cenário indica, portanto, uma expectativa inicial de produtividade inferior à obtida na última colheita, sujeita a revisões durante o desenvolvimento das lavouras.

No conjunto do Paraná, a tendência é diferente. A estimativa divulgada em 29 de outubro prevê 22,75 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 4%. Naquele levantamento, 62% da área estadual estava semeada e 88% das lavouras implantadas apresentavam boas condições.

Chicago reage, mas oferta mantém pressão

Na abertura desta terça-feira, os contratos futuros da soja tentavam recuperar parte das perdas da sessão anterior. Às 7h02, o vencimento janeiro de 2027 avançava para US$ 12,2025 por bushel.

O mercado avaliava o avanço da colheita americana, a demanda externa e o plantio brasileiro. A entrada da produção dos Estados Unidos e a possibilidade de uma safra volumosa na América do Sul seguem como fatores capazes de limitar as altas.

Para Guarapuava e região, a combinação entre produtividade, preço de venda e custo por hectare será decisiva para a renda da próxima colheita. Uma recuperação das cotações pode ajudar, mas seu efeito dependerá também do volume efetivamente produzido.

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