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Milton Küster assume cadeira com patrono Érico Veríssimo em academia de letras de BC

Advogado e escritor guarapuavano tomará posse em 30 de outubro, em Balneário Camboriú;

19/10/2026
Autor lançou recentemente “Reflexões de uma vida em movimento” em Guarapuava, e agora é a vez de um novo título, destinado a criançasAutor lançou recentemente “Reflexões de uma vida em movimento” em Guarapuava, e agora é a vez de um novo título, destinado a crianças

O advogado e escritor guarapuavano Milton Luiz Küster, radicado em Itapema (SC), foi aprovado para integrar a Academia de Letras de Balneário Camboriú. A posse está marcada para 30 de outubro, quando assumirá a cadeira número 23, cujo patrono é Érico Veríssimo. O reconhecimento chega após o lançamento de Reflexões de uma vida em movimento, apresentado recentemente também em Guarapuava.

A entrada na academia marca uma etapa de uma trajetória literária construída nos últimos cinco anos, desde sua mudança para o litoral catarinense. Em texto sobre a aprovação, Küster conta que chegou a Itapema em busca de uma nova experiência de vida, sem um projeto definido de se tornar escritor.

“Não vim para escrever: vim em busca de um lugar onde coubesse a vida”, relata. A convivência com a cidade e a proximidade do mar, segundo ele, abriram espaço para transformar observações e inquietações em literatura.

Da formação literária aos livros

Küster atribui parte desse percurso à Escola de Criação Literária, onde estudou teoria e prática da escrita. Destaca o aprendizado sobre ritmo, escolha das palavras e escuta, além da troca com professor e colegas.

“Quem se sentou na carteira, agora recebe uma cadeira”, escreveu, ao relacionar a formação literária à chegada à academia.

Dessa experiência nasceram dois livros. O primeiro, "Reflexões de uma vida em movimento", reúne textos sobre alegrias, inquietações e experiências pessoais. O segundo, o infantil Fábula do Estojo, ainda aguarda publicação.

 

Para o autor, escrever para crianças também representa uma aproximação com a própria infância. É uma forma, como descreve, de “reencontrar o menino que nunca fez as malas”.

O compromisso com Érico Veríssimo 

A cadeira dedicada a Érico Veríssimo tem um significado particular para Küster. Ele recorda a leitura de Incidente em Antares na juventude e a permanência, em sua memória, da cidade fictícia em que os mortos se levantam para cobrar justiça.

O encontro com o romance ajudou a formar sua compreensão da literatura como exercício de consciência. Por isso, considera que assumir a cadeira vai além do reconhecimento formal entre escritores.

“Sentar-me na cadeira que guarda a sua memória não é mera deferência protocolar: é compromisso assumido com a palavra escrita com seriedade”, afirma.

A escrita e o vocabulário do Direito

No relato sobre a futura posse, o advogado recorre ao universo jurídico para narrar a transformação do leitor em escritor. Expressões como “posse mansa e pacífica”, “escritura” e “transita em julgado” dão ao texto uma marca pessoal, aproximando a profissão de sua experiência literária.

A assinatura do termo, em 30 de outubro, formalizará sua entrada na instituição. Küster encerra o relato com a mesma combinação de linguagem jurídica e gratidão: “Vou tomar posse – desta vez, no sentido mais nobre da palavra.”

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