Prefeito de Guarapuava avalia permanência no PL em meio a reconfiguração política no Paraná
Movimento liderado por Giacobo após filiação de Moro pressiona bases municipais; Baitala adota cautela e prioriza alinhamento com Ratinho Jr e Bolsonaro
26/03/2026
O prefeito de Guarapuava, Denilson Baitala, avalia se permanece ou deixa o PL em meio à crise interna desencadeada pela entrada do senador Sérgio Moro na legenda. A decisão ocorre num contexto de reorganização política no Paraná, com potencial impacto sobre alianças regionais e a distribuição de recursos estaduais.
Na manhã desta quinta-feira (26), prefeitos de diversas regiões participaram de uma reunião em Curitiba convocada pelo deputado federal Fernando Giacobo, que recentemente deixou a presidência estadual do partido e se desfiliou. O movimento é interpretado como uma reação à nova correlação de forças dentro do PL após a chegada de Moro, que tende a assumir protagonismo na sigla.
Nos bastidores, interlocutores apontam para a possibilidade de uma saída em massa de lideranças municipais. Baitala, porém, adota uma estratégia de cautela. Segundo fontes, não há definição imediata, e o prefeito deve observar o desdobramento das articulações antes de formalizar qualquer decisão.
A tendência, no curto prazo, é que Baitala continue seguindo linha do deputado estadual Artagão Júnior (PSD) e do deputado federal Rodrigo Estacho (PSD), mantendo-se politicamente alinhado ao governador Ratinho Júnior. Esse posicionamento, na prática, o coloca em rota de distanciamento do grupo que gravita em torno de Moro dentro do partido.
Equilíbrio entre palanques
Independentemente da sigla, uma diretriz já está consolidada: Baitala pretende permanecer vinculado ao campo bolsonarista, com apoio ao senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
O desafio, segundo aliados, será construir um arranjo político que concilie interesses potencialmente conflitantes. De um lado, o grupo de Ratinho Jr busca preservar capital político para influenciar a sucessão estadual, elegendo um candidato apoiado pelo goverandor. De outro, há a necessidade de garantir espaço para o palanque de Flávio Bolsonaro no Paraná sem fortalecer diretamente Moro, adversário dentro do mesmo espectro ideológico.
Essa equação expõe a fragmentação do campo da direita no estado, com disputas internas por liderança e controle partidário.
Obras e dependência do governo estadual
A decisão de Ratinho Jr de permanecer no cargo até o fim do mandato é vista como fator de estabilidade para Guarapuava. Pessoas próximas de Baitala avaliam que a continuidade do governador favorece a liberação de recursos e o andamento de projetos estratégicos no município.
Atualmente, a maior parte das obras anunciadas ainda depende de etapas burocráticas, como publicação de editais e processos licitatórios. Entre elas estão o novo aeroporto e o mercado municipal. A exceção é a duplicação da PRC-170, em trecho urbano de nove quilômetros, já em estágio mais avançado.
Mesmo no cenário em que Ratinho Jr deixasse o cargo para disputar a Presidência, aliados de Baitala apostavam na continuidade administrativa sob o vice-governador Darci Piana. Ainda assim, a permanência do titular é considerada mais segura, sobretudo pelo compromisso político assumido com lideranças locais.
Promessas e cronograma apertado
Entre os projetos mais ambiciosos está um empreendimento habitacional de grande escala, com previsão de 2.300 unidades populares a serem viabilizadas até o fim de 2026. O cronograma, considerado apertado, depende da aceleração de trâmites administrativos e da efetiva liberação de recursos estaduais. Além disso, Baitala terá de definir terrenos para um volume de obras tão extenso.
Nesse cenário, a definição partidária de Baitala deixa de ser apenas uma escolha ideológica e passa a integrar uma estratégia mais ampla de governabilidade e acesso a investimentos – variável central para prefeitos em cidades médias do interior, onde a dependência de repasses estaduais segue elevada.
A decisão na órbita estadual, portanto, tende a ser menos sobre fidelidade partidária e mais sobre a capacidade de manter canais abertos com os principais polos de poder do estado. Já na federal, a tendência bolsonarista do grupo de Baitala fala mais alto.
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