Moro no PL acelera racha no Paraná e provoca reação coordenada de aliados de Ratinho Jr
Entrada do senador na disputa estadual desencadeia articulação de prefeitos para deixar o partido; movimento expõe disputa por controle político no estado
25/03/2026
Deputado federal Fernando Giacobo, uma das lideranças mais antigas do PL e até então presidente estadual da sigla: desfiliação e debandada para o lado de Ratinho JrA filiação do senador Sergio Moro ao Partido Liberal e sua projeção como candidato ao governo do Paraná deflagraram uma reação organizada de prefeitos da sigla, em um movimento que aliados do governador Ratinho Junior tratam como contra-ataque político para esvaziar a base do adversário. A decisão mais emblemática foi a do deputado federal Fernando Giacobo, presidente estadual do PL, que anunciou sua desfiliação.
A ofensiva deve ganhar forma pública nesta quinta-feira (26), em Curitiba, com a previsão de anúncio de desfiliações em bloco. A dimensão do movimento ainda é incerta, mas interlocutores falam em dezenas de lideranças municipais – um contingente relevante em um partido que reúne atualmente 52 prefeitos no estado.
Artagão Jr (PSD) e Baitala (PL): ambos da base do governador Ratinho Jr
Em Guarapuava, o prefeito Denilson Baitala, maior liderança regional, filiado ao PL, ainda não se pronunciou oficialmente, embora há muito se ventile que ele tende a migrar para outro partido. O deputado estadual Artagão Júnior (PSD), da base política de Baitala, já reafirmou publicamente seu compromisso com o governador Ratinho Júnior.
Nos bastidores, a leitura predominante é de que a entrada de Moro alterou o equilíbrio interno da legenda, deslocando o eixo de poder e precipitando uma disputa pelo controle político do partido no Paraná às vésperas da janela partidária.
Troca de comando e sinalização política
O estopim da crise coincide com a mudança no comando estadual da sigla. O deputado federal Fernando Giacobo deixou a presidência do PL no estado e se aproximou da base de Ratinho Junior, ao mesmo tempo em que o também deputado Filipe Barros, aliado de Moro, assumiu a direção partidária por decisão da cúpula nacional, liderada por Valdemar Costa Neto.
A troca é interpretada como um divisor de águas. De um lado, consolida a candidatura de Moro dentro do partido; de outro, acelera a debandada de quadros locais alinhados ao governo estadual.
Giacobo, ao deixar o cargo, convocou prefeitos para a reunião que deve formalizar o movimento, sinalizando adesão explícita à estratégia do Palácio Iguaçu.
Base municipal como campo de disputa
O embate revela uma disputa clássica por capilaridade política. Prefeitos são peças-chave na montagem de palanques eleitorais, especialmente em estados com forte interiorização do voto, como o Paraná.
Relatos colhidos indicam que parte das lideranças já decidiu deixar o partido, enquanto outra parcela adota cautela e aguarda a reunião para definir posição. A falta de uniformidade sugere que o movimento, embora amplo, ainda não está consolidado.
Prefeitos que confirmaram a saída citam insatisfação com a condução interna da legenda e ausência de consulta sobre decisões estratégicas. Outros, como gestores de cidades de médio porte, indicam que avaliam custos políticos e eleitorais antes de romper.
Pressão do governo e narrativa de Moro
A leitura do entorno de Moro é de que há interferência direta do governo estadual na reorganização partidária. Em nota, o senador classificou o movimento como “pressão da máquina” e relativizou o impacto das possíveis desfiliações, afirmando que o partido deve sair “maior e mais forte” ao fim do processo eleitoral.
A resposta indica uma estratégia de contenção de danos e de tentativa de reposicionamento do PL como polo competitivo, mesmo diante da perda potencial de base municipal.
Cenário aberto
O episódio explicita o início antecipado da disputa pelo governo do Paraná em 2026. Mais do que uma divergência interna, o racha no PL evidencia a fragmentação das alianças e a reconfiguração das forças políticas no estado.
Se confirmada, a saída em massa de prefeitos tende a enfraquecer a estrutura territorial de Moro no curto prazo, ao mesmo tempo em que reforça a capacidade de articulação do grupo de Ratinho Junior.
O desfecho, no entanto, dependerá da extensão real da debandada e da capacidade de recomposição do partido nas semanas seguintes – um processo que deve redesenhar o tabuleiro político paranaense antes mesmo do início formal da campanha.
Recomendado para você
▪ Veja também
- Prefeito de Guarapuava avalia permanência no PL em meio a reconfiguração política no Paraná
- Ratinho Jr. recua de disputa presidencial: decisão expõe cálculo familiar e sucessão no Paraná
- Greca troca PSD pelo MDB e entra no tabuleiro da sucessão no Paraná
- Líder nas pesquisas, Moro enfrenta isolamento político em meio à disputa entre Ratinho Jr. e Flávio Bolsonaro
- Lula x Flávio: pessimismo sobre economia empurra avaliação do governo para baixo
Todo mundo fala
-
LUIZ FELIPE DE LIMAHistórias que o povo conta: o segredo da Lutcher S/A (Parte 2) -
VIVACULTEntre o mar e a memória, Milton Küster transforma a própria vida em literatura -
GOVERNORatinho anuncia reconstrução de aeroporto e duplicação da PR-170 -
SANTA CRUZ Adolescentes são apreendidos com pistola, munições e drogas em abordagem em Guarapuava


