Moro atribui ruptura a disputa por vice e tenta conter efeito de debandada no PL no Paraná
Pré-candidato ao governo diz que saída foi “incompatibilidade política” e relativiza perda de prefeitos; movimento expõe reconfiguração da base de Ratinho Jr.
27/03/2026
O senador Sérgio Moro (PL), pré-candidato ao governo do Paraná, afirmou nesta sexta-feira (27) que rompeu com a federação União Progressista por divergências na definição do vice de sua chapa. Em entrevista à rádio CBN, Moro disse que havia firmado compromisso com o empresário Edson Vasconcelos, presidente da Fiep, e que não abriria mão de um nome “de perfil empresarial, inovador e não político”.
A decisão precipitou sua saída do grupo formado por União Brasil e Progressistas, culminando na filiação ao Partido Liberal (PL). O movimento, no entanto, desencadeou uma reação em cadeia: prefeitos da legenda no Paraná começaram a migrar em massa para o campo do governador Ratinho Júnior (PSD).
Segundo Marcel Micheletto, presidente da Associação dos Municípios do Paraná, cerca de 50 dos 53 prefeitos do PL já teriam decidido deixar o partido – um esvaziamento que, em condições normais, fragilizaria qualquer projeto majoritário.
Moro, contudo, minimizou o impacto. Disse que as desfiliações ocorreram “sob pressão política” e afirmou que o PL “sairá maior” do processo eleitoral. Também alegou liderar as pesquisas e não descartou vitória em primeiro turno.
Reconfiguração política no Paraná
A movimentação reforça um redesenho do tabuleiro político estadual. Como mostram reportagens recentes, a entrada de Moro no PL provocou fissuras internas e abriu espaço para uma ofensiva coordenada do grupo de Ratinho Júnior, que busca consolidar uma base municipal robusta para influenciar a sucessão estadual.
Prefeitos, tradicionalmente peças-chave em campanhas no interior, tendem a migrar conforme a viabilidade eleitoral e o acesso a recursos. Nesse contexto, a debandada sinaliza mais do que divergência ideológica: aponta para uma disputa pragmática por estrutura e capilaridade política.
Além disso, o episódio se conecta a um fenômeno mais amplo observado no estado – a fragmentação partidária e a formação de blocos fluidos em torno de lideranças competitivas. A federação União Progressista, que pretendia atuar como polo de centro-direita, já enfrentava dificuldades de coesão antes mesmo da saída de Moro.
Discurso de gestão e promessa de ruptura
Ao tentar deslocar o foco da crise partidária, Moro reiterou seu discurso de campanha baseado em eficiência administrativa. Disse que pretende promover um “choque de gestão” no Palácio Iguaçu, com redução da burocracia e foco em educação, infraestrutura e segurança pública.
Também afirmou querer transformar o Paraná em uma “Singapura”, em referência ao modelo de desenvolvimento do país asiático, marcado por alto grau de eficiência estatal e ambiente favorável a negócios – comparação recorrente em campanhas, mas raramente detalhada em termos de viabilidade.
O senador declarou ainda que não pretende se licenciar do mandato durante a campanha e citou como aliados na chapa nomes como os deputados federais Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), pré-candidatos ao Senado.
Entre narrativa e realidade eleitoral
A estratégia de Moro passa por sustentar a imagem de outsider com experiência administrativa e capital político nacional, mesmo diante de um cenário local adverso. Ao relativizar a perda de prefeitos, o senador aposta que sua exposição e desempenho em pesquisas possam compensar a fragilidade na base municipal.
Analistas avaliam, porém, que campanhas no Paraná ainda dependem fortemente de redes locais de apoio – especialmente em regiões fora dos grandes centros. Nesse sentido, a capacidade de recompor alianças nos próximos meses será determinante para a viabilidade de sua candidatura.
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