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Jornada 5x2 começa a virar 0x7

Zero dias de trabalho. Sete dias de descanso. A irresponsabilidade no limite máximo.

05/11/2026
"Há empresas resistindo com prejuízos, à espera de dias melhores"

Célio Cunha (*)

OPINIÃO/ANÁLISE – O encerramento da produção de aço da Gerdau em Divinópolis, cidade natal do governador eleito Cleitinho, com cerca de 280 desligamentos e possibilidade de transferência para parte dos trabalhadores, é um alerta para Minas e para o país. A empresa aponta perda de competitividade, custos e avanço das importações. O impacto vai além da fábrica: atinge fornecedores, transportadores, comércio e famílias.

Cleitinho foi entusiasta da jornada 5x2 e defendeu o fim da escala 6x1. Mas nenhuma mudança pode ignorar seus efeitos sobre quem produz, emprega e investe. Quando os custos aumentam sem previsibilidade, o risco recai sobre as empresas e os trabalhadores.

Há empresas resistindo com prejuízos, à espera de dias melhores. Só que incerteza econômica e insegurança jurídica não são ambiente para investir. Sem confiança, projetos são adiados, contratações suspensas e fábricas ou lojas fecham. Cada demissão enfraquece uma cadeia inteira.

A crise deixa de ser teoria quando chega ao contracheque, ao comércio local e ao prestador de serviço. A jornada 5x2, apresentada como avanço, pode se transformar em 0x7 para quem perde o emprego.

O país precisa discutir as consequências e cobrar respostas de quem governa e legisla. Suspeitas sobre a legitimidade do processo eleitoral devem ser apuradas com provas e transparência. Se as instituições falharem, quem ainda poderá agir?

Investir exige regras claras e estabilidade.

(*) Célio Cunha é industrial e economista em Guarapuava

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