CFM reconhece HIFU como procedimento não experimental no Brasil
Decisão do Conselho Federal de Medicina fortalece a adoção de terapias focais minimamente invasivas
29/05/2026
O tratamento do câncer de próstata por meio do HIFU (High Intensity Focused Ultrasound – Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade) passa a integrar oficialmente o rol de procedimentos não experimentais reconhecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A medida representa um novo marco para a uro-oncologia brasileira, amplia a segurança regulatória para utilização da técnica no país e reforça o avanço de abordagens menos invasivas no tratamento da doença.
“Na prática, essa decisão amplia o acesso a uma tecnologia que já vinha demonstrando resultados consistentes ao longo dos anos. O HIFU permite tratar o câncer de próstata de forma mais precisa, com menor impacto funcional e melhor qualidade de vida para o paciente”, afirma Marcelo Bendhack, presidente da Sociedade Latino-Americana de Uro-Oncologia, membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da Câmara Técnica de Urologia do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR).
Marcelo Bendhack, presidente da Sociedade Latino-Americana de Uro-Oncologia
O HIFU se posiciona como uma alternativa intermediária entre a vigilância ativa e os tratamentos radicais, como cirurgia e radioterapia, ao preservar estruturas saudáveis, reduzir o tempo de internação (12 a 24 horas) e proporcionar recuperação mais rápida e melhor qualidade de vida.
Com a nova classificação, especialistas poderão aplicar o HIFU de forma regulamentada, consolidando uma tecnologia já validada internacionalmente e com base científica robusta. A medida pode contribuir para futuras discussões sobre ampliação de cobertura do procedimento no sistema suplementar de saúde.
O HIFU possui aprovação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde 2008, do Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, desde 2015, além de certificação europeia (CE Mark) e utilização consolidada em mais de 48 países.
Pioneirismo brasileiro e trajetória de consolidação
No Brasil, a técnica foi introduzida pelo urologista e uro-oncologista paranaense Marcelo Bendhack, referência internacional na área. O primeiro procedimento com HIFU no país foi realizado em 19 de janeiro de 2011, no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba (PR).
Desde então, o método, utilizado há 15 anos no Brasil, tem apresentado resultados clínicos consistentes e crescente adoção em centros especializados. Pioneiro na técnica no país, Bendhack já realizou mais de mil procedimentos, consolidando uma das maiores experiências clínicas com HIFU na América Latina.
O reconhecimento pelo Conselho Federal de Medicina é resultado de quase uma década de discussões técnicas, produção científica e experiência clínica acumulada, sustentadas por ampla evidência científica internacional, publicações de alto impacto e pela aplicação contínua da técnica no Brasil.
Evidência científica e validação internacional
O HIFU é uma terapia focal minimamente invasiva indicada para o tratamento do câncer de próstata localizado, primário ou recidivado. A técnica utiliza energia ultrassônica concentrada para elevar rapidamente a temperatura do tecido-alvo, promovendo sua destruição sem a necessidade de incisões ou radiação.
Estudos internacionais de longo prazo apontam elevadas taxas de controle oncológico e sobrevida câncer-específica de 98% em determinados perfis de pacientes. Um dos dados mais relevantes da técnica é a baixa incidência de efeitos colaterais, como incontinência urinária (1 a 2%) e disfunção erétil (5 a 26%, média de 15%), além da possibilidade de reaplicação ou associação com outros tratamentos em casos de recidiva.
Mudança de paradigma no tratamento
Para Bendhack, esse reconhecimento não apenas valida a ciência, mas também amplia o acesso à inovação médica no Brasil, aproximando o país dos principais centros internacionais de excelência em uro-oncologia.
A decisão do CFM alinha o Brasil a países como Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França e Japão, onde o HIFU já é reconhecido como uma opção terapêutica estabelecida.
“Estamos diante de uma mudança de paradigma no tratamento do câncer de próstata. O paciente passa a ter acesso a uma opção terapêutica menos invasiva, com excelentes resultados oncológicos e menor impacto na qualidade de vida”, afirma Bendhack.
Contexto epidemiológico
O câncer de próstata é o tumor mais incidente entre os homens, quando excluídos os cânceres de pele não melanoma, e uma das principais causas de morte por câncer no mundo.
De acordo com o Globocan (IARC/OMS), foram registrados cerca de 1,4 milhão de novos casos em 2022, com aproximadamente 397 mil mortes associadas à doença. No Brasil, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam uma estimativa de 71.730 novos casos anuais, representando cerca de 30% dos diagnósticos de câncer masculino.
As projeções do INCA para o período de 2026 a 2028 apontam para até 78 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, sendo o câncer de próstata o mais frequente entre os homens.
Esse cenário reforça um dos principais desafios da medicina contemporânea: tratar de forma eficaz uma doença altamente prevalente, reduzindo sequelas e preservando a qualidade de vida masculina.
Sobre o HIFU
O HIFU (High Intensity Focused Ultrasound) é uma tecnologia médica que utiliza ultrassom de alta intensidade para destruir tecidos tumorais de forma precisa e não invasiva. Desenvolvido ao longo de décadas, o método representa uma das principais inovações no tratamento do câncer de próstata localizado.
O HIFU não é uma tecnologia recente, tendo sua trajetória científica iniciada há mais de sete décadas, com as primeiras aplicações clínicas experimentais nos Estados Unidos em 1953. Posteriormente, em 1992, passou a ser utilizado em doenças prostáticas na Alemanha, seguido pela consolidação de evidências clínicas entre 1995 e 2003.
“Mais do que uma inovação tecnológica, o HIFU representa a transição para uma medicina mais precisa, menos invasiva e centrada no paciente. É uma técnica consolidada pela ciência e pela prática clínica. O reconhecimento pelo CFM reforça que o Brasil está pronto para incorporar, de forma plena, uma tecnologia que já transformou o tratamento do câncer de próstata no mundo”, finaliza o urologista e uro-oncologista Marcelo Bendhack.
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