Itaipu eleva para R$ 220 milhões investimento em segurança na tríplice fronteira
Nova etapa da Operação Muralha Inteligente prevê mais tecnologia para reforçar o combate ao crime
03/07/2026
Ênio Verri, presidente brasileiro da Itaipu Binacional: parceria entre instituições potenciliza o nível de segurança na tríplice fronteira Investimentos da Itaipu Parquetec e da Itaipu Binacional vão dar um novo suporte às ações da Receita Federal na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A ampliação da Operação Muralha Inteligente, anunciada nesta semana, marca uma nova etapa da estratégia de cooperação entre a Itaipu Binacional e a Receita Federal para fortalecer o combate ao crime organizado na tríplice fronteira. O novo convênio, firmado em Brasília, destina R$ 19,9 milhões ao projeto – dos quais R$ 18,5 milhões serão aportados pela Itaipu Binacional e R$ 1,4 milhão pelo Itaipu Parquetec – elevando para mais de R$ 220 milhões os investimentos da empresa em ações de segurança pública desde 2023.
A iniciativa amplia um modelo baseado no uso de tecnologia e inteligência para monitorar uma das regiões mais sensíveis do país
Historicamente, a fronteira é utilizada por organizações criminosas para o transporte de drogas, armas, cigarros contrabandeados e mercadorias introduzidas ilegalmente no Brasil.
Segundo o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, a integração entre diferentes órgãos públicos tornou-se um dos principais instrumentos para enfrentar o crime na fronteira.
"Somos agentes do Estado e temos que zelar pela segurança de maneira conjunta. E a segurança hoje passa por inteligência", afirmou durante a cerimônia de assinatura.
Segunda fase aposta em inteligência artificial
O novo convênio terá duração de cinco anos e prevê a expansão da infraestrutura tecnológica já implantada na primeira etapa do programa.
Entre as principais ações previstas estão:
- instalação de até 50 novas câmeras de monitoramento;
- fornecimento de até dez drones por ano para operações táticas;
- capacitação de 120 servidores para pilotagem de aeronaves não tripuladas;
- desenvolvimento de softwares de inteligência e análise de dados;
- incorporação de ferramentas de inteligência artificial às operações.
O foco da expansão será a vigilância da Ponte da Amizade, da Ponte da Integração Brasil–Paraguai e das chamadas rotas secundárias utilizadas por organizações criminosas para escapar da fiscalização convencional.
Segundo Verri, a próxima etapa pretende transformar o grande volume de dados coletados pelos equipamentos em respostas mais rápidas durante as operações.
Resultados sustentam ampliação do projeto
A primeira fase da Operação Muralha Inteligente, executada entre 2021 e 2025, serviu como base para a renovação do convênio.
Nesse período foram instaladas:
- 53 câmeras para identificação de veículos;
- 16 câmeras de reconhecimento facial;
- Sistema de Monitoramento de Aduanas;
- drones táticos para operações;
- ferramentas digitais de apoio às equipes de fiscalização.
Os números apresentados pela Receita Federal indicam aumento significativo da capacidade operacional.
Nos últimos cinco anos, a atuação integrada resultou na apreensão de aproximadamente R$ 2,83 bilhões em mercadorias contrabandeadas ou introduzidas irregularmente no país. Também foram apreendidos 1.160 veículos utilizados para o transporte de drogas, armas e outros produtos ilegais.
Entre 2024 e 2025, mais de 32 toneladas de entorpecentes foram retiradas de circulação, causando um prejuízo estimado em R$ 560 milhões às organizações criminosas, segundo os dados oficiais.
Para o coordenador-geral de Administração Aduaneira da Receita Federal, Felipe Mendes Moraes, o convênio fortalece uma política baseada na integração entre instituições públicas.
"A iniciativa reforça um dos papéis da instituição, que é atuar com integração, cuidado e inteligência", afirmou.
Segurança deixa de ser apenas policiamento
Embora a Operação Muralha Inteligente tenha como foco imediato o combate ao contrabando e ao tráfico, a estratégia adotada pelo governo federal e pela Itaipu amplia o conceito de segurança para incluir investimentos em tecnologia, inovação e compartilhamento de informações entre diferentes órgãos.
Além da Receita Federal, participam da rede de cooperação instituições como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Marinha, Exército e forças estaduais de segurança.
O objetivo é fortalecer a vigilância permanente da faixa de fronteira, considerada uma das principais portas de entrada de mercadorias ilegais e drogas no território nacional.
Região concentra desafios históricos
A tríplice fronteira reúne características que desafiam permanentemente as autoridades brasileiras. O intenso fluxo diário de pessoas e mercadorias entre Brasil, Paraguai e Argentina impulsiona a economia regional, mas também favorece a atuação de grupos especializados em contrabando, descaminho, tráfico internacional de drogas e armas.
Nos últimos anos, os investimentos em sistemas inteligentes de monitoramento passaram a integrar uma estratégia de longo prazo para aumentar a capacidade de fiscalização sem depender exclusivamente da ampliação do efetivo policial.
Com a nova fase da Operação Muralha Inteligente, a expectativa é ampliar a cobertura tecnológica das principais rotas utilizadas pelo crime organizado e tornar mais eficiente o cruzamento de informações em tempo real, reduzindo o tempo de resposta das forças de segurança e fortalecendo o controle da fronteira brasileira.
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