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Pesquisa Quaest no PR: 83% ainda não sabem em quem votar e eleição para o governo segue aberta

Levantamento mostra que disputa ainda não entrou no radar da maioria dos paranaenses; além dos indecisos na pesquisa espontânea, quase dois terços dos eleitores admitem mudar de candidato

27/07/2026

A primeira pesquisa Genial/Quaest sobre a disputa pelo Governo do Paraná, divulgada nesta segunda-feira (27), revela que o dado mais relevante da corrida eleitoral não é a liderança do senador Sergio Moro (PL), mas o elevado grau de indefinição do eleitorado. Na pesquisa espontânea – quando os entrevistados respondem sem receber uma lista de candidatos –, 83% dos paranaenses afirmam que ainda não sabem em quem votar, indicando que a sucessão estadual permanece distante do cotidiano da maioria da população.

A fotografia do momento sugere uma eleição ainda em fase inicial de consolidação. Embora Moro lidere todos os cenários estimulados, os números mostram que o eleitorado ainda não cristalizou preferências. A combinação entre um índice recorde de indecisos na pesquisa espontânea, percentuais relevantes de indecisão mesmo após a apresentação dos candidatos e a disposição da maioria dos eleitores de mudar o voto aponta para uma campanha ainda altamente aberta.

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Pesquisa espontânea mede lembrança, não intenção consolidada

Entre analistas de opinião pública, a pesquisa espontânea é considerada um dos principais indicadores do grau de conhecimento e da presença dos candidatos na memória do eleitor. Diferentemente da pesquisa estimulada, ela mede quais nomes já foram incorporados ao debate político sem auxílio dos entrevistadores.

Nesse cenário, apenas 16% dos entrevistados citaram algum candidato.

Sergio Moro aparece com 8%, seguido por Requião Filho (3%), Sandro Alex (2%) e Rafael Greca (1%). Outros nomes somam 2%, enquanto 1% declarou voto branco, nulo ou intenção de não comparecer. Luiz França (Missão) e Paulo Eduardo Martins (Novo) foram lembrados, mas não alcançaram 1% após o arredondamento estatístico.

Na prática, isso significa que mais de oito em cada dez eleitores ainda não associam espontaneamente um nome à disputa pelo Palácio Iguaçu, um indicador típico de campanhas que ainda não mobilizaram o interesse do eleitorado.

Quando os nomes são apresentados, indecisão diminui, mas permanece elevada

A dinâmica muda quando os pesquisadores apresentam uma lista de possíveis candidatos.

Nos três cenários estimulados testados pela Quaest, Sergio Moro lidera com índices entre 39% e 40%, enquanto Requião Filho varia entre 18% e 24%. Rafael Greca aparece entre 12% e 12% nos cenários em que é incluído, e Sandro Alex oscila entre 7% e 9%.

Mesmo assim, entre 15% e 16% dos entrevistados continuam indecisos, além de um contingente entre 6% e 9% que afirma votar em branco, anular o voto ou não comparecer.

Sob a ótica estatística, esses percentuais demonstram que a apresentação dos nomes reduz significativamente a indecisão – de 83% para cerca de 15% –, mas não elimina a incerteza eleitoral.

Maioria admite que ainda pode mudar de voto

Outro indicador que reforça a fluidez da disputa aparece entre aqueles que já manifestaram preferência por algum candidato.

Segundo a pesquisa, 64% dos eleitores afirmam que ainda podem mudar de voto até a eleição. Apenas 35% consideram a decisão definitiva, enquanto 1% não respondeu.

Nem mesmo entre os principais candidatos o eleitorado demonstra fidelidade consolidada.

Entre os entrevistados que hoje declaram voto em Sérgio Moro, 52% afirmam que ainda podem mudar de escolha, enquanto 47% dizem ter decisão definitiva.

Entre os eleitores de Requião Filho, 62% admitem rever o voto. No caso de Rafael Greca, o percentual chega a 67%.

Para especialistas em pesquisas eleitorais, esse comportamento é característico das fases iniciais das campanhas, quando o eleitor conhece os candidatos, mas ainda não estabeleceu vínculos políticos suficientemente fortes para tornar sua escolha definitiva.

Liderança não significa voto consolidado

Os números sugerem que a liderança observada nos cenários estimulados está mais relacionada ao grau de conhecimento público dos candidatos do que necessariamente à consolidação de suas candidaturas.

A pesquisa espontânea mostra que a maior parte do eleitorado sequer menciona um nome. Já a pesquisa estimulada demonstra que muitos entrevistados fazem uma escolha quando confrontados com a lista de candidatos, mas essa decisão permanece frágil.

Essa diferença entre espontânea e estimulada costuma ser interpretada como um dos principais indicadores do potencial de movimentação eleitoral ao longo da campanha.

Campanha terá como principal alvo o eleitor indefinido

A tendência é que os próximos meses sejam marcados por uma disputa intensa pelo eleitor ainda sem preferência consolidada.

O universo formado pelos 83% de indecisos na pesquisa espontânea, pelos 15% a 16% de indecisos na estimulada e pelos 64% dos eleitores que admitem mudar de voto representa um amplo espaço para crescimento ou perda de apoio entre os candidatos.

Em termos práticos, isso significa que o cenário eleitoral observado no fim de julho deve ser interpretado como uma fotografia inicial da corrida ao Palácio Iguaçu, e não como um retrato definitivo da eleição.

Resumo dos principais indicadores da pesquisa

  • 83% dos eleitores não sabem em quem votar na pesquisa espontânea.
  • Apenas 16% citaram espontaneamente algum candidato.
  • Sergio Moro lidera a lembrança espontânea com 8%.
  • Nos cenários estimulados, Moro varia entre 39% e 40%.
  • Os indecisos permanecem entre 15% e 16%, mesmo com a apresentação dos nomes.
  • 64% dos eleitores afirmam que ainda podem mudar de candidato até a eleição.
  • Entre os eleitores de Moro, 52% admitem mudar de voto; entre os de Requião Filho, 62%; e entre os de Rafael Greca, 67%.

Metodologia

A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 1.104 eleitores com 16 anos ou mais entre 21 e 25 de julho de 2026, em todas as regiões do Paraná. As entrevistas foram presenciais, realizadas nos domicílios dos participantes. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números BR-01656/2026 e PR-04818/2026.

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