Professor Pablo e filho são denunciados em investigação sobre desvios na educação de Guarapuava
Operação Abecedário resulta em cinco denúncias;
02/10/2026
Em outra frente, MPPR pede ressarcimento de R$ 2,14 milhões por irregularidades em reparos escolaresRecursos destinados à manutenção de escolas e centros municipais de educação infantil de Guarapuava estão no centro de cinco denúncias apresentadas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR). Em uma das frentes da Operação Abecedário, o órgão pede a restituição de R$ 2.140.425,42, valor que atribui a serviços não executados ou cobrados acima do previsto em contrato. As acusações foram divulgadas nesta quinta-feira (1).
O contrato questionado resultou no pagamento de R$ 4.504.778,73 à empresa responsável pelos reparos.
Com base em auditoria, o MPPR também solicita a devolução de R$ 365.337,56, calculados como suposto lucro ilícito, em valores da época. Os pedidos ainda dependem de análise judicial.
As denúncias descrevem diferentes núcleos de suspeitas: concorrência simulada entre empresas, pagamentos a servidor municipal, desvio de materiais e irregularidades na execução dos serviços. A investigação alcança contratações de engenharia e pequenos reparos em prédios públicos, principalmente unidades de ensino.
Acusação envolve Professor Pablo e o filho
O vereador e ex-secretário municipal de Educação Pablo Almeida, conhecido como Professor Pablo, está entre os denunciados, assim como o filho dele, empresários e um engenheiro civil da Prefeitura.
Nessa frente, o Ministério Público sustenta que materiais comprados com dinheiro público teriam sido destinados a uma obra particular do então secretário entre 2021 e 2022.
Operação do Gaeco/Gepatria na residência de Pablo Almeida em 2024. Vereador se disse inocente na época. Agora, denúncia do Ministério Pública traz o assunto novamente à tona
A acusação também aponta que a contratação do filho de Pablo por empresas investigadas teria sido utilizada para viabilizar repasses mensais de "propina".
O MPPR descreve 17 pagamentos entre 2021 e 2023 e calcula em R$ 50.591,73, atualizados, o prejuízo e as vantagens consideradas ilícitas nesse núcleo.
Empresas teriam criado aparência de disputa
Outra denúncia aponta uma suposta organização criminosa formada por sete empresários, com atuação entre 2019 e 2024. Nomes e cidades onde atuam ainda são desconhecidos.
Segundo o Ministério Público, empresas do mesmo conglomerado econômico e parceiras teriam participado das licitações simulando concorrência. A finalidade seria direcionar contratações, obter vantagens indevidas e corromper agentes públicos.
A investigação também indica atuação dos envolvidos em outros municípios paranaenses.
Engenheiro é acusado de receber pagamentos
Duas das denúncias tratam de suspeitas de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo empresários, um engenheiro civil do município de Guarapuava e a esposa dele.
De acordo com o MPPR, o servidor teria recebido propina em dez ocasiões entre 2021 e 2022, somando aproximadamente R$ 85,6 mil em valores atualizados. Em oito situações, contas de familiares e amigos teriam sido utilizadas para ocultar o recebimento.
Investigação continua
As acusações foram apresentadas pelo Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), pelo Gaeco e pela 7ª Promotoria de Justiça de Guarapuava.
Deflagrada em 2024, a Operação Abecedário cumpriu 26 mandados de busca e apreensão autorizados pela 2ª Vara Criminal de Guarapuava. O Ministério Público informou que outras licitações das quais os investigados participaram continuam sob análise. Na época, o Professor Pablo declarou inocente e vítima de perseguição, segundo registro do Portal Paraná Central,
O oferecimento das denúncias não representa condenação. Caberá à Justiça examinar as acusações e as provas, assegurando aos denunciados o contraditório e a ampla defesa. O material consultado não apresenta manifestações das defesas sobre essas novas denúncias.
Sobre a recente denúncia, a defesa do Professor Pablo, citado nominalmente na reportagem, ainda não se pronunciou.
Todo mundo fala
-
SEGURANÇA Megaoperação deixa três mortos e prende quatro em Guarapuava e Campina do Simão -
TEMPORegião de Guarapuava em estado de alerta para chuvas e ventos intensos nesta 6ª feira -
OBITUÁRIOComoção em Guarapuava: morre o empresário Joldmar Baroni Kuster, aos 53 anos -
TEMPOGuarapuava entra em alerta para tempestades com ventos acima de 70 km/h e granizo
