MP denuncia mãe de adolescente investigado por ataque em Campo Mourão
Promotoria afirma que mulher sabia que o filho escondia munições, explosivos e equipamentos clandestinos em casa e deixou de impedir a atividade; MP pede indenização de R$ 40 mil
21/07/2026
CAMPO MOURÃO – O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou criminalmente a mãe do adolescente de 15 anos investigado pelo ataque a tiros que deixou duas pessoas mortas e outras três gravemente feridas em uma loja de conveniência de Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná. A denúncia, apresentada pela 4ª Promotoria de Justiça do município, sustenta que a mulher, de 33 anos, teria se omitido do dever legal de proteção e vigilância sobre o filho, permitindo que ele mantivesse em casa materiais ilícitos e de alto potencial ofensivo. Dois homens foram mortos e mais três pessoas foram gravemente feridas, entre elas uma mulher que perdeu um olho (foto).
Segundo o MP, a acusação é baseada na chamada omissão penalmente relevante, modalidade prevista na legislação para situações em que uma pessoa tinha o dever jurídico de agir para evitar um crime ou situação ilícita e, mesmo assim, permaneceu inerte.
O caso é um desdobramento da investigação sobre o ataque ocorrido na última sexta-feira (17), quando o adolescente é apontado como principal suspeito de efetuar os disparos que provocaram a morte de duas pessoas e deixaram outras três vítimas com lesões gravíssimas.
Polícia encontrou explosivos, munições e equipamento de bloqueio de sinal
Após o atentado, policiais militares cumpriram buscas na residência da família. No local, foram apreendidos dois cartuchos intactos de calibre .38, um carretel com cerca de 500 metros de cordel detonante – explosivo de uso industrial –, seis antenas de um bloqueador de sinais de radiofrequência ("jammer"), além de cinco gramas de maconha e uma unidade de substância semelhante ao ecstasy.
De acordo com a Promotoria, as investigações apontam que a mãe tinha conhecimento de que o adolescente escondia os materiais dentro da residência e, apesar disso, não adotou medidas para impedir a permanência dos objetos nem comunicou os fatos às autoridades.
Crimes atribuídos à denunciada
Na denúncia, o Ministério Público acusa a mulher, em concurso material e por omissão, pelos crimes de:
- posse irregular de munição de uso permitido;
- posse ilegal de artefato explosivo;
- desenvolvimento clandestino de atividade de telecomunicação, em razão da posse do equipamento bloqueador de sinal.
Para os promotores, a omissão da denunciada contribuiu para a manutenção de um ambiente que permitiu o armazenamento de materiais potencialmente perigosos dentro da residência.
MP pede indenização por danos morais coletivos
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público requereu que a Justiça fixe uma indenização mínima de R$ 40 mil por danos morais coletivos.
A denúncia será analisada pelo Poder Judiciário, que decidirá se a recebe formalmente, dando início à ação penal contra a acusada. Enquanto isso, seguem as investigações sobre o ataque que chocou Campo Mourão e mobilizou forças de segurança em todo o Estado.
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