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Moro, Requião Filho e Sandro Alex já arrecadaram R$ 29,7 milhões no Paraná

Candidatos do PL e do PT registram os valores mais altos

06/09/2026
Recursos financeiros que chegam aos candidatos são provenientes de fundos partidários, que, por sua vez, são alimentados com dinheiro públicoRecursos financeiros que chegam aos candidatos são provenientes de fundos partidários, que, por sua vez, são alimentados com dinheiro público

As campanhas de Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD), os três principais candidatos ao governo do Paraná, já arrecadaram juntas R$ 29.728.500. As informações foram compiladas a partir do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Moro lidera o ranking financeiro, com R$ 11.778.500, seguido por Requião Filho, com R$ 11 milhões, e Sandro Alex, com R$ 6,95 milhões, conforme as prestações de contas disponíveis no TSE neste domingo (6).

O levantamento mostra que o financiamento da disputa pelo Palácio Iguaçu está concentrado nos partidos políticos

Dos quase R$ 30 milhões entregues às três candidaturas, somente R$ 978,5 mil, o equivalente a 3,3% do total, aparecem como doações diretas de pessoas físicas. Todo o restante foi transferido por direções partidárias.

A concentração revela que o tamanho do caixa de cada candidato depende menos da mobilização de doadores privados e mais das decisões tomadas pelas cúpulas nacionais das legendas e pelos partidos integrantes das coligações.

Moro recebe R$ 10,8 milhões do PL

Sergio Moro possui a maior arrecadação: R$ 11.778.500. A Direção Nacional do PL transferiu R$ 10,8 milhões, correspondentes a 91,69% do total. Outros R$ 978,5 mil, ou 8,31%, vieram de pessoas físicas.

Entre os maiores doadores privados estão Luis Felipe Cunha, com R$ 500 mil; Mauricio Melhim Abou Rejaile, com R$ 100 mil; Jefferson Melhim Abou Rejaile, também com R$ 100 mil; e Daniel Krepel Goldberg, com R$ 80 mil.

A arrecadação de Moro ultrapassa em R$ 215.776 o teto de R$ 11.562.724 estabelecido para as despesas de primeiro turno. Isso não configura, isoladamente, irregularidade: o limite eleitoral restringe os gastos realizados, e não necessariamente o total recebido. Recursos não utilizados devem ter a destinação prevista pela legislação eleitoral.

Na prestação consultada, atualizada em 4 de setembro, a campanha de Moro ainda não havia informado nenhuma despesa, fornecedor ou nota fiscal. 

Requião depende integralmente do PDT

Requião Filho aparece na segunda posição, com R$ 11 milhões, apenas R$ 778,5 mil abaixo de Moro. A diferença está na origem: 100% do dinheiro declarado pelo candidato veio da Direção Nacional do PDT.

Os recursos chegaram em dois grandes aportes partidários: R$ 6 milhões em 24 de agosto e mais R$ 5 milhões em 4 de setembro. Não havia doações de pessoas físicas, financiamento coletivo ou aplicação de recursos próprios na atualização consultada.

O valor representa aproximadamente 95% do teto permitido para os gastos no primeiro turno. Apesar do caixa próximo do limite, a prestação de contas atualizada em 4 de setembro também não apresentava despesas contratadas, pagamentos ou fornecedores. 

Campanha de Sandro reúne recursos de três direções

Sandro Alex arrecadou R$ 6,95 milhões, cerca de R$ 4 milhões a menos que Requião Filho e R$ 4,83 milhões abaixo de Moro. Todo o dinheiro registrado foi transferido por partidos da coligação governista.

O maior repasse foi feito pela Direção Nacional do PP, que destinou R$ 3,5 milhões. A Direção Nacional do PSD enviou outros R$ 3 milhões, enquanto o diretório estadual do PSD transferiu R$ 450 mil em quatro operações.

O repasse do PP representa 50,36% da receita de Sandro; o PSD nacional responde por 43,17%; e a direção estadual da sigla, por 6,47%. Não constavam doações de pessoas físicas nem recursos próprios.

A prestação disponível para Sandro, porém, estava mais desatualizada que as dos adversários: a última entrega havia ocorrido em 28 de agosto. O único gasto registrado era de R$ 0,50, classificado como encargo financeiro ou taxa bancária. Não havia fornecedores de propaganda ou serviços relacionados.

Como o dinheiro está sendo aplicado

Embora as campanhas já estejam nas ruas, a base pública consultada ainda não permite identificar como praticamente nenhum dos R$ 29,7 milhões foi aplicado. Moro e Requião não declararam despesas; Sandro apresentou somente a cobrança bancária de R$ 0,50.

A diferença ocorre porque as receitas precisam ser comunicadas à Justiça Eleitoral em até 72 horas após o recebimento, enquanto a movimentação completa estará obrigatoriamente na prestação parcial. As campanhas deverão apresentar, entre 9 e 13 de setembro, todas as receitas e despesas realizadas até o dia 8. Os dados serão divulgados pela Justiça Eleitoral em 15 de setembro. 

Somente essa nova atualização permitirá comparar contratos de publicidade, produção audiovisual, impulsionamento digital, pessoal, viagens, comitês e materiais gráficos. Neste momento, é possível saber quem abasteceu as campanhas, mas ainda não como os candidatos utilizaram a maior parte do caixa.

Dinheiro público domina a disputa

Os repasses partidários podem ser formados por recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado fundo eleitoral, pelo Fundo Partidário ou por outras receitas próprias das legendas. O FEFC de 2026 soma R$ 4,96 bilhões e é composto por dinheiro público.

O PL recebeu a maior fatia nacional do fundo eleitoral, aproximadamente R$ 881 milhões. O PSD ficou com R$ 421 milhões, o PP com R$ 417 milhões e o PDT com R$ 169 milhões. Cada direção partidária define os critérios internos para distribuir sua parcela entre os candidatos.

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