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Augusto Cury chega a 11% nas pesquisas e atrai eleitores insatisfeitos com a polarização

Analistas associam avanço à exposição na TV, ao alcance digital e ao discurso moderado; apoio ao escritor ainda é menos consolidado que o de Lula e Flávio Bolsonaro

01/09/2026
Lula continua liderando em todos os cenários, mas o crescimento de Augusto Cury mostrou uma trajetória na disputa eleitoral: eleitor de centro começa a se posicionarLula continua liderando em todos os cenários, mas o crescimento de Augusto Cury mostrou uma trajetória na disputa eleitoral: eleitor de centro começa a se posicionar

O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) alcançou 11% das intenções de voto em duas pesquisas presidenciais divulgadas nesta semana e ganhou espaço na disputa por eleitores que procuram uma alternativa a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O resultado aparece tanto na Nexus/BTG, publicada na segunda-feira (31), quanto na RealTime Big Data, divulgada na terça-feira (1º). 

O crescimento também foi registrado pela AtlasIntel/Bloomberg. Nesse levantamento, Cury passou de 1,6% em julho para 7,8% em agosto, avanço de 6,2 pontos percentuais. Ficou numericamente à frente de Renan Santos (Missão), com 7,6%, mas sem distância suficiente para caracterizar uma terceira posição isolada. Metrópoles.

Os resultados colocam o candidato do Avante em evidência, mas não significam que ele já esteja próximo de disputar o segundo turno.

Na Nexus, a distância para Flávio é de 22 pontos; na RealTime, de 19 pontos.

O que dizem os analistas

Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, Cury encontrou espaço entre eleitores que escolhiam os principais concorrentes sem identificação firme com eles. Em entrevista à Exame, o pesquisador descreveu esse comportamento como um voto dado “meio a contragosto”.

Na avaliação de Tokarski, o discurso menos agressivo do escritor tem apelo entre eleitores conservadores que rejeitam o PT, mas não se sentem plenamente representados pelo bolsonarismo. Essa combinação ajuda a explicar por que o crescimento de Cury representa, em sua leitura, um desafio especialmente relevante para Flávio Bolsonaro. 

O colunista Josias de Souza, do UOL, também interpreta a ascensão como uma nova frente de preocupação para o senador: além de enfrentar Lula, Flávio precisa acompanhar um concorrente que disputa parte do eleitorado conservador. O jornalista ressalta, porém, que será importante verificar se o desempenho aparece igualmente em pesquisas presenciais, além das sondagens telefônicas e digitais.

Há uma distinção necessária: a queda de um candidato e a alta de outro, observadas em pesquisas sucessivas, não comprovam sozinhas uma transferência direta de votos. A origem desse movimento exige dados específicos sobre as escolhas dos entrevistados.

Exposição na televisão ampliou presença digital

A maior visibilidade de Cury ocorreu após sua participação no debate da Band e a circulação de trechos de suas falas nas redes sociais. O candidato já possuía uma audiência formada por leitores e seguidores de seu trabalho sobre comportamento e inteligência emocional.

Segundo dados da consultoria AP Exata reproduzidos pela CartaCapital, sua participação nas menções aos presidenciáveis nas redes passou de 0,35%, antes do debate, para 13,5% na quinta-feira seguinte. A consultoria Bites registrou ganho de 2,6 milhões de seguidores nos perfis oficiais durante a semana analisada. Esses indicadores mostram expansão de alcance, mas não equivalem, por si, a intenção de voto. CartaCapital.

Veja os números dos demais candidatos

Nos principais cenários estimulados – aqueles em que os nomes são apresentados aos entrevistados –, os levantamentos registraram:

  • CandidatoNexus/BTG — 31/8RealTime Big Data — 1º/9
  • Lula (PT)39%38%
  • Flávio Bolsonaro (PL)33%30%
  • Augusto Cury (Avante)11%11%
  • Ronaldo Caiado (PSD)5%4%
  • Renan Santos (Missão)3%7%
  • Romeu Zema (Novo)1%2%

Na Nexus, Samara Martins (UP) aparece com 1%. Rui Costa Pimenta, Edmilson Costa, Hertz Dias, Wilton Grassi e Clariana Barão registram 0% nos percentuais divulgados. Brancos e nulos somam 3%, assim como os que não sabem ou não responderam.

Na RealTime, os demais candidatos estão agrupados em “outros”, com 2%. Brancos e nulos representam 3%, e outros 3% não sabem ou não responderam. Os números dos dois institutos não devem ser interpretados como uma sequência de evolução, pois as metodologias e as amostras são diferentes. UOL — resultados dos levantamentos.

O desafio é transformar adesão em voto firme

A pesquisa Nexus mostra que 59% dos eleitores de Cury consideram sua decisão definitiva. Entre os apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro, esse percentual chega a 85% para cada candidato. A diferença indica que o escritor ainda precisa consolidar uma parcela maior de seu apoio. Nexus.

Tokarski alerta que a continuidade do avanço dependerá da reação dos eleitores ao conhecerem melhor o candidato. A exposição pode abrir espaço para uma candidatura, mas também aumenta o escrutínio sobre propostas, posicionamentos e capacidade de governar. Exame.

Metodologia

A Nexus/BTG entrevistou 2.005 eleitores por telefone entre 28 e 30 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com confiança de 95%. O registro no TSE é BR-08900/2026. Nexus.

A RealTime Big Data ouviu 2.000 eleitores entre 27 e 31 de agosto, por telefone e internet. A margem de erro também é de dois pontos, com confiança de 95%. O registro é BR-03490/2026. UOL.

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