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Moro fica longe do confronto entre Sandro Alex e Requião Filho, mas isto tem um preço

Primeiro debate é um laboratório, para o ausente e para os participantes

10/08/2026
Sérgio Moro: comportamento dos adversários e a reação da opinião pública vão medir se a ausência foi uma decisão acertadaSérgio Moro: comportamento dos adversários e a reação da opinião pública vão medir se a ausência foi uma decisão acertada

PAULO ESTECHE (*)

A decisão de Sérgio Moro (PL), de não participar do debate eleitoral da Band, neste domingo (9), é uma aposta calculada para proteger uma liderança “confortável” nas pesquisas. Os estrategistas de Moro certamente consideram que o candidato, com cerca de 20 pontos de vantagem sobre o 2º colocado, Requião Filho (PDT), tinha pouco a ganhar e muito a perder no confronto.

Enquanto Sandro Alex [PSD) e Requião Filho se enfrentam pela segunda posição, a campanha de Moro avalia os adversários, mede a repercussão de suas narrativas e decide, com o resultado em mãos, se é hora de manter a estratégia ou mudar de rumo.


A distância para o segundo colocado

Em primeiro lugar nas pesquisas, a participação de Moro em um debate representa uma equação diferente daquela enfrentada pelos candidatos que precisam crescer. Para quem está atrás, o debate é uma oportunidade de ganhar visibilidade, confrontar o favorito e produzir um fato político. Para o líder, é também um pântano de surpresas.

Um desempenho ruim, uma resposta mal formulada ou um ataque bem-sucedido de um adversário podem produzir imagens e frases que serão reproduzidas durante dias nas redes sociais e no noticiário.

Há outro elemento que ajuda a explicar a decisão. Se a distância de Sérgio Moro para o segundo colocado, Requião Filho, está na casa dos 20 pontos, o cenário é relativamente tranquilo para quem lidera; é o “perigo medido” de sentir que a situação ainda está sob controle.

Nesse quadro, a disputa mais imediata deixa de ser necessariamente pelo primeiro lugar e passa a ser pelo segundo posto.

E é aí que a ausência de Moro ganha uma dimensão estratégica ainda maior.

Enquanto o líder observa à distância, os candidatos que estão logo atrás precisam disputar entre si o espaço de principal alternativa ao favorito. O debate, portanto, deixa de ser apenas uma oportunidade de atacar Moro e transforma-se também em uma arena de embate direto entre os candidatos que disputam a segunda posição.

O desgaste do UFC entre os dois candidatos entra na conta dos analistas de Moro. Mas aqui há o outro lado: os bons combatentes são forjados no campo de batalha.

O paradoxo é evidente: para reduzir a distância em relação ao líder, é preciso atacar; mas, ao atacar o adversário mais próximo, o candidato também pode enfraquecer justamente a alternativa que poderia disputar com Moro uma eventual etapa posterior da eleição, o segundo turno.

O debate como laboratório

A repercussão do confronto oferece aos estrategistas de todos aos candidatos uma quantidade significativa de dados para análise.

Não se trata apenas de saber quem "venceu" ou "perdeu" o debate, uma avaliação quase sempre subjetiva. As equipes podem observar números de audiência, repercussão nas redes sociais, pesquisas qualitativas, comentários, engajamento, circulação de vídeos e, principalmente, quais narrativas conseguiram ultrapassar a bolha política e chegar ao eleitor comum.

Também será possível analisar o comportamento dos próprios candidatos.

Quem demonstrou segurança? Quem perdeu a paciência? Quem conseguiu responder aos ataques? Quem criou uma frase capaz de viralizar? Quem ficou excessivamente agressivo? Quem conseguiu apresentar propostas? Quem foi percebido como mais preparado?

São informações estratégicas que um candidato líder pode utilizar para decidir os próximos movimentos.

O risco de os adversários controlarem a narrativa

Ao não comparecer, Moro perde a oportunidade de responder imediatamente às críticas. Os adversários podem ocupar esse espaço e construir narrativas sobre ele sem contraditório.

Por isso, existe uma linha tênue entre preservar a liderança e parecer ausente da campanha.

Uma falta isolada pode ser interpretada como estratégia. A repetição pode produzir outra leitura: medo do confronto, excesso de confiança ou incapacidade de responder aos adversários.

O desafio dos estrategistas de Moro será justamente identificar esse limite.

O verdadeiro resultado pode aparecer nas próximas pesquisas

Por isso, o resultado mais importante do debate da Band talvez não esteja no próprio debate.

Estará nas pesquisas seguintes.

Se Sandro Alex e Requião Filho crescerem, seus estrategistas terão motivos para comemorar. Se um deles crescer às custas do outro, a disputa pelo segundo lugar poderá se tornar ainda mais intensa. Se ambos se desgastarem e Moro permanecer estável, a estratégia de ausência terá produzido um resultado particularmente favorável ao líder.

E se a distância de aproximadamente 20 pontos começar a diminuir, será o sinal de que a campanha de Moro precisará rever sua postura.

No marketing político, não existe estratégia boa ou ruim em abstrato. Existe estratégia que funciona ou não funciona diante do comportamento do eleitor.

É justamente isso que a campanha de Sérgio Moro poderá descobrir ao observar, à distância, os efeitos do primeiro grande confronto eleitoral depois das convenções.

Enquanto Sandro Alex e Requião Filho disputam palmo a palmo o segundo lugar, Moro pode estar fazendo aquilo que todo líder gostaria de fazer: observar os adversários se enfrentarem, medir o efeito de cada golpe e decidir, com mais informação, quando – e se – será necessário entrar na briga.

O fato é que ao longo deste dias, quem ficará em evidência é Requião Filho e Sandro Alex. 

E isto pode trazer uma consequência inevitável: os adversários começarem a crescer, deixando Moro na incômoda posição de observador.

O que os estrategistas de Moro vão observar após o debate

Mais do que identificar um “vencedor”, a equipe do líder deverá medir se o confronto alterou o equilíbrio da disputa

1. Intenção de voto

  • O primeiro indicador será o comportamento das pesquisas após o debate. A pergunta central é objetiva: Moro manteve sua vantagem ou algum adversário conseguiu reduzir a distância? Também será importante observar se Sandro Alex e Requião Filho alteraram suas posições na disputa pelo segundo lugar.

2. Repercussão das narrativas

  • Quais temas ultrapassaram o ambiente do debate e chegaram ao eleitor? A equipe deverá identificar os argumentos que mais circularam, quais ataques foram assimilados pelo público e se alguma narrativa negativa contra Moro começou a ganhar força.

3. Desempenho individual dos adversários

  • Não basta saber quem foi considerado o vencedor. Os estrategistas deverão avaliar quem demonstrou capacidade real de crescimento: segurança, clareza, capacidade de ataque e defesa, domínio dos temas e potencial para transformar uma boa performance televisiva em votos.

4. Redes sociais e engajamento

  • Vídeos, cortes, frases de efeito, comentários, compartilhamentos e alcance serão monitorados para descobrir quais momentos do debate efetivamente mobilizaram o eleitor. Um trecho que viraliza pode ter impacto maior do que uma resposta tecnicamente correta, mas sem repercussão.

5. Necessidade de mudar a estratégia

  • Esse será o indicador decisivo. Se Moro permanecer estável e os adversários se desgastarem, a estratégia de preservação da liderança ganha força. Se algum candidato apresentar crescimento consistente ou se ataques contra Moro começarem a produzir efeito, a campanha poderá concluir que chegou a hora de abandonar a postura mais cautelosa e aumentar a exposição do líder.

(*) Paulo Esteche é jornalista, editor do Portal Paraná Central, e cientista político

 

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