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Pós-debate expõe estratégias de Moro, Sandro Alex e Requião Filho e inaugura a disputa pelo Governo do Paraná

Repercussão do debate antecipa perfil de cada campanha

11/08/2026

PAULO ESTECHE (*)

Sergio Moro entrou no pós-debate sob uma ofensiva de Sandro Alex e Requião Filho, que transformaram sua ausência em argumento eleitoral, enquanto o candidato do PL mantém a justificativa de que recusou o confronto por considerar que havia um “jogo combinado” para atacá-lo. O episódio deslocou o debate das propostas para a disputa pela narrativa – e, politicamente, marca o momento em que a eleição paranaense começa a sair da pré-campanha e assumir contornos de campanha propriamente dita.

Sandro Alex adotou a estratégia do candidato que comparece, enfrenta os adversários e reivindica para si a condição de gestor. Sua comunicação procura associar a candidatura à continuidade administrativa do governo Ratinho Junior, mas sem abrir mão de apresentar-se como alternativa dentro do campo governista. No marketing político, é uma tentativa de transformar experiência em atributo eleitoral.

Requião Filho escolheu outra posição. Ao atacar Moro pela ausência e, simultaneamente, confrontar Sandro Alex sobre privatizações, educação, segurança e obras, procura ocupar o espaço oposicionista. Sua estratégia é mais ideológica: estabelecer uma fronteira entre o projeto associado ao atual governo e uma proposta de ruptura.

Moro, por sua vez, optou pelo controle de exposição. Ao não comparecer, evitou o confronto direto, mas perdeu a possibilidade de responder imediatamente aos adversários. A estratégia pode proteger o candidato de um ambiente hostil, mas cria um custo conhecido na comunicação política: quando o político abandona o palco, abre mão também do controle sobre a interpretação de sua ausência.

Foi o que ocorreu. Sandro e Requião passaram a definir o significado do episódio antes que Moro pudesse fazê-lo. A expressão “jogo combinado”, utilizada pelo candidato do PL para justificar sua decisão, tornou-se o eixo de sua defesa e, simultaneamente, o principal ponto de ataque dos adversários.

Sob a ótica da ciência política, o episódio é menos importante pelo debate em si do que pelo processo de enquadramento. O fato é único; as interpretações são três. Para Moro, a ausência representa independência diante de um confronto que considera artificial. Para Sandro Alex e Requião Filho, representa falta de disposição para enfrentar adversários e eleitores.

Essa disputa pelo enquadramento é central no marketing eleitoral contemporâneo. A campanha não busca apenas informar: busca definir previamente como o eleitor deve interpretar determinado acontecimento.

As redes sociais ampliaram esse mecanismo. Os apoiadores de cada candidato passaram a reproduzir as narrativas de seus respectivos grupos, transformando o episódio em conteúdo de identificação política. Não se trata necessariamente de convencer o eleitor adversário, mas de consolidar pertencimento e mobilizar a própria base.

É o fenômeno que a literatura de comunicação política associa à polarização afetiva: o adversário deixa de ser apenas alguém com outra proposta e passa a funcionar como elemento de reforço da identidade do próprio eleitor.

Nesse ambiente, Moro enfrenta uma equação delicada. Sua força política está vinculada a uma imagem nacional de enfrentamento e independência. Ao justificar repetidamente a ausência, precisa evitar que uma decisão tática seja reinterpretada como incompatibilidade com o confronto político.

Sandro Alex tenta fazer o movimento inverso: converter o confronto em prova de preparo. Requião Filho procura transformar o confronto em prova de oposição. São duas estratégias diferentes para ocupar o mesmo espaço deixado pela ausência de Moro.

O resultado é uma eleição que começa a adquirir uma característica essencial: cada candidatura está tentando definir não apenas quem é, mas contra quem está disputando.

E essa é uma mudança relevante. Até aqui, nomes, alianças e pesquisas dominaram a movimentação eleitoral. O debate introduziu algo diferente: personagens, conflitos, frases, ataques e narrativas com potencial para sobreviver nas redes e contaminar os próximos movimentos das campanhas.

Por isso, o episódio não deve ser medido apenas pela pergunta sobre quem teve melhor desempenho no debate. O indicador politicamente mais importante será saber qual narrativa permanecerá na memória do eleitor: a de Moro como candidato que recusou uma arena que considerava hostil ou a de um candidato que evitou o confronto.

A resposta ainda está aberta. Mas uma coisa já mudou.

Com o primeiro debate, os candidatos deixaram de disputar apenas posições nas pesquisas e passaram a disputar a definição do adversário, da narrativa e do próprio sentido da eleição. É assim que, na prática, começa oficialmente a campanha pelo Governo do Paraná.

(*) Paulo Esteche é jornalista, editor do Portal Paraná Central e Viva Guarapuava, e cientista político especializado em marketing eleitoral 

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