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Sem Moro, Requião Filho e Sandro Alex travam duelo sobre os rumos do Paraná

Candidatos disputaram os legados de Ratinho Junior e Roberto Requião

10/08/2026

A ausência de Sergio Moro (PL) marcou o primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Paraná, realizado pela Band neste domingo (9). Líder nas pesquisas, o senador desistiu de participar pouco antes do início do programa e acusou os adversários de prepararem um “jogo combinado” para atacá-lo. Sem Sérgio Moro no estúdio, Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) transformaram o encontro em um duelo entre dois projetos para o Estado e, sobretudo, entre dois legados políticos: o de Roberto Requião e o de Ratinho Junior.

A ausência do senador acabou sendo um dos assuntos mais explorados pelos dois candidatos. Requião Filho chamou Moro de “fujão”, enquanto Sandro Alex afirmou que participar dos debates é uma demonstração de respeito ao eleitor.

Ausência de Sérgio Moro tornou-se alvo para os dois candidatos 

Bastidores do debate: assessores municiam os candidatos com informações e narrativas

Moro justificou a decisão alegando que os debates haviam se transformado em confrontos marcados por ataques pessoais e afirmou que não participaria de um encontro que, segundo ele, teria sido articulado para atacá-lo por liderar as pesquisas.

O efeito político, entretanto, foi inverso ao pretendido: mesmo fora do estúdio, Moro tornou-se um dos personagens centrais do debate.

Sandro Alex e Requião Filho: duas linhas antagônicas de administração pública 

Requião Filho aposta no legado de Roberto Requião 

Sem Moro como adversário direto, Requião Filho concentrou boa parte de sua estratégia na crítica ao atual modelo do governo Ratinho Júnior e procurou apresentar sua candidatura como uma retomada da experiência política de seu pai, o ex-governador Roberto Requião.

Em diferentes momentos, o candidato utilizou a expressão “nosso governo” para se referir às administrações de Roberto Requião. A escolha das palavras é politicamente significativa: Requião Filho não se apresentou apenas como um candidato de oposição a Ratinho Junior, mas como herdeiro de um projeto político que já governou o Paraná.

A estratégia busca recuperar uma memória administrativa associada aos governos de Requião e contrapô-la ao modelo adotado nos últimos anos. Ao falar de infraestrutura, agricultura, pedágios e políticas públicas, o candidato procurou mostrar que sua proposta não parte do zero, mas de uma experiência anterior de governo.

A referência ao pai também funciona como tentativa de transformar a eleição em uma comparação histórica. De um lado, Sandro Alex defende a continuidade da administração Ratinho Junior; de outro, Requião Filho tenta recuperar o legado político de Roberto Requião.

Copel e privatizações colocam candidatos em lados opostos 

A privatização da Copel foi um dos principais pontos de confronto.

Requião Filho criticou a mudança no controle da companhia e relacionou a privatização ao aumento dos custos de energia. Para o candidato, uma empresa estratégica como a Copel deveria permanecer sob maior influência do Estado.

Sandro Alex defendeu a política adotada pelo atual governo e argumentou que a empresa continua tendo participação estatal e capacidade de investimento. O candidato também apresentou a expansão da infraestrutura energética como uma das prioridades de sua eventual administração.

O debate revelou, nesse ponto, uma diferença central entre os dois projetos: Requião Filho procura recuperar uma visão de Estado mais presente na economia; Sandro Alex defende a continuidade do modelo de concessões, privatizações e atração de investimentos adotado pelo governo Ratinho Junior.

Educação vira disputa sobre escolas cívico-militares

A educação também colocou os candidatos em posições distintas.

Sandro Alex defendeu a ampliação das escolas cívico-militares e prometeu chegar a 500 unidades desse modelo, além da criação de escolas bilíngues.

Requião Filho afirmou que não pretende simplesmente fechar as escolas existentes, mas questionou o modelo e classificou sua expansão como uma política com forte componente ideológico.

A discussão expôs outra diferença entre as candidaturas. Sandro Alex procura associar sua campanha aos indicadores educacionais apresentados pelo atual governo e à continuidade de políticas implantadas nos últimos anos. Requião Filho, por sua vez, defende uma revisão dessas políticas e tenta aproximar sua proposta de uma concepção de educação pública mais tradicionalmente associada ao campo político de esquerda.

Segurança pública e feminicídio entram no confronto

Na segurança pública, Sandro Alex destacou os resultados apresentados pelo governo Ratinho Junior e prometeu ampliar o efetivo das forças de segurança, com novos concursos e contratações.

Requião Filho criticou a atuação do Estado em áreas como o combate à violência contra a mulher e utilizou o feminicídio para questionar as prioridades da atual administração.

O tema permitiu ao candidato do PSD reforçar sua imagem de continuidade, enquanto Requião Filho buscou explorar pontos considerados vulneráveis na gestão estadual.

Sandro Alex: obras colocam Ratinho Júnior no centro do debate

As grandes obras realizadas ou iniciadas durante o governo Ratinho Junior também foram utilizadas por Sandro Alex como argumento eleitoral.

A Ponte de Guaratuba foi apresentada como exemplo de uma obra aguardada durante décadas e finalmente executada. Requião Filho, entretanto, questionou o custo do empreendimento.

A nova ponte entre Brasil e Paraguai também entrou na discussão. Sandro Alex destacou a obra como resultado da atual administração, enquanto Requião Filho contestou a autoria política do projeto e atribuiu sua origem a iniciativas anteriores.

Porto de Paranaguá, rodovias, pedágios e investimentos públicos completaram o confronto.

Nesse campo, a estratégia de Sandro Alex é clara: transformar os resultados da gestão Ratinho Junior em uma espécie de cartão de visitas de sua candidatura. Requião Filho tenta fazer o movimento contrário, questionando resultados, custos e decisões do atual governo e apresentando o passado administrativo de Roberto Requião como alternativa.

Moro, o alvo das críticas 

Politicamente, a principal característica do debate foi a presença de um candidato que não estava no palco.

Moro liderava as pesquisas e, justamente por isso, sua ausência alterou a dinâmica do encontro. Em vez de enfrentar diretamente o senador, Requião Filho e Sandro Alex passaram boa parte do debate disputando o espaço que poderá ser decisivo na tentativa de chegar ao segundo turno.

O cenário é particularmente relevante porque a eleição ainda apresenta uma distância significativa entre Moro e os demais candidatos. Ao mesmo tempo, a disputa pelas posições seguintes permanece aberta.

A ausência de Moro permitiu que Requião Filho e Sandro Alex apresentassem suas diferenças sem o confronto direto com o líder das pesquisas. Mas também criou um paradoxo: Moro não participou do debate e, ainda assim, conseguiu ocupar parte significativa dele.

Uma eleição entre continuidade, retomada e liderança

O primeiro debate deixou mais claras as três principais narrativas que começam a disputar o eleitor paranaense.

Sandro Alex tenta transformar o legado de Ratinho Junior em uma candidatura própria, apresentando-se como representante da continuidade de um governo que chega ao processo eleitoral com forte aprovação.

Requião Filho busca reconstruir uma identidade política a partir do legado de Roberto Requião. Ao dizer “nosso governo”, procura não apenas homenagear o pai, mas reivindicar para si a experiência administrativa acumulada por aquele grupo político.

E Sergio Moro, mesmo ausente, permanece como o candidato a ser alcançado pelos dois.

O resultado foi um primeiro debate marcado menos pelo confronto direto entre todos os concorrentes e mais pela disputa entre dois modelos de Estado e duas memórias políticas do Paraná, enquanto o líder das pesquisas acompanhava o embate de fora do estúdio.

A eleição, portanto, começa a ganhar contornos de uma disputa entre continuidade, retomada e liderança: Sandro Alex tentando herdar o capital político de Ratinho Junior; Requião Filho tentando reativar a marca política de Roberto Requião; e Moro buscando manter a liderança sem necessariamente se submeter, neste primeiro momento, ao confronto televisivo com os adversários.

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