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Presidente: pesquisa mostra que 31% não sabem em quem votar e vão decidir as eleições

CNT/MDA aponta Lula à frente no 1º turno e vencendo todos os adversários no 2º

11/08/2026
Em busca dos indecisos: levantamento aponta 42,4% para Lula e 28,7% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, num cenário de eleição abertaEm busca dos indecisos: levantamento aponta 42,4% para Lula e 28,7% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, num cenário de eleição aberta

A pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (11) coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da eleição presidencial de 2026 e mostra vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) tanto no primeiro quanto nas simulações de segundo turno.

O levantamento, porém, também revela um eleitorado ainda pouco definido: na pergunta espontânea, 31% dos entrevistados não sabem em quem votar.

No cenário estimulado de primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados, Lula aparece com 42,4%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 28,7%. Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, Romeu Zema (Novo), 3,3%, e Renan Santos (Missão), 2,8%. Samara Martins (UP) registra 1,6%, Augusto Cury (Avante), 1,2%, e Rui Costa Pimenta (PCO), 0,9%. Branco ou nulo somam 6,8% e 7,2% estão indecisos.

Primeiro turno/Estimulada

  • Lula (PT) ................................. 42,4%
  • Flávio Bolsonaro (PL) ............. 28,7%
  • Ronaldo Caiado (PSD) ............   4,0%
  • Romeu Zema (Novo) ...............   3,3%
  • Renan Santos (Missão) ...........   2,8%
  • Samara Martins (UP) ...............   1,6%
  • Augusto Cury (Avante) ..............  1,2%
  • Rui Costa Pimenta (PCO) .........   0,9%
  • Branco/nulo ................................  6,8%
  • Indecisos ....................................  7,2%

A diferença entre Lula e Flávio é de 13,7 pontos percentuais no primeiro turno. O dado, contudo, precisa ser lido em conjunto com a pesquisa espontânea. Sem uma lista de candidatos, Lula cai para 35,3%, Flávio fica em 22,4% e 31% dizem não saber em quem votar.

Essa diferença é um dos principais sinais de volatilidade do eleitorado. Ela não significa que os 31% necessariamente migrarão para algum candidato, mas indica que uma parcela expressiva ainda não transformou preferência genérica em voto consolidado. Também há eleitores que conhecem os candidatos, mas ainda podem mudar de escolha até outubro.

Lula mantém vantagem em todos os cenários de segundo turno

A CNT/MDA testou quatro disputas de segundo turno. Lula aparece à frente em todas.

  • Lula x Flávio ......... 48,0% x 39,1% =   8,9 pontos
  • Lula x Romeu ....... 49,1% x 34,9% = 14,2 pontos
  • Lula x Caiado ....... 47,9% x 35,9% = 12,0 pontos
  • Lula x Renan  ....... 48,5% x 33,0% = 15,5 pontos

No confronto com Flávio Bolsonaro, a vantagem de Lula é de 8,9 pontos. Em junho, o placar era de 49,3% a 37%.

A redução da diferença decorre simultaneamente da queda de Lula e do avanço de Flávio.

O cenário contra Zema é mais favorável a Lula, que registra 49,1% contra 34,9%. Contra Caiado, o presidente marca 47,9%, ante 35,9%. Já diante de Renan Santos, Lula chega a 48,5%, contra 33%.

Onde estão os indecisos

O comportamento dos indecisos é mais importante do que simplesmente somar seu percentual ao resultado de algum candidato.

No primeiro turno estimulado, 7,2% não escolheram nenhum nome. Na pergunta espontânea, porém, 31% não souberam responder. Isso revela que muitos eleitores ainda não possuem uma candidatura suficientemente consolidada para ser lembrada sem estímulo.

No segundo turno, o contingente de indecisos diminui consideravelmente: são 2,3% no confronto Lula-Flávio, 4,2% contra Zema e 4,5% contra Caiado. A redução é esperada em uma disputa binária, na qual o eleitor recebe apenas duas alternativas.

Por isso, a pesquisa não permite afirmar que os indecisos serão, sozinhos, os responsáveis pelo resultado. O que os números mostram é que o eleitorado ainda em formação pode alterar a correlação de forças, sobretudo porque a eleição está a menos de dois meses do primeiro turno.

O que os números dizem sobre a eleição

O levantamento combina dois movimentos. De um lado, Lula parte de uma posição de vantagem: lidera o primeiro turno e supera todos os adversários nas simulações de segundo turno. De outro, a elevada parcela de eleitores sem escolha espontânea mostra que a fotografia atual não equivale a uma decisão definitiva.

A disputa também permanece concentrada em dois polos. Lula reúne 42,4% no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro chega a 28,7%. Os demais candidatos aparecem abaixo de 5%, indicando dificuldade, neste momento, de romper a polarização.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores presencialmente entre 5 e 9 de agosto, em 140 municípios, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06935/2026.

Rejeição de Flávio é de 42,1% e de Lula, 39,8%

Na pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (11), o dado de rejeição acrescenta uma dimensão importante à leitura dos cenários: Flávio Bolsonaro aparece com 42,1% de rejeição, contra 39,8% de Lula. Em outro recorte divulgado sobre o levantamento, a rejeição de Flávio chega a 54,5% quando a pergunta considera a disposição de não votar nele no segundo turno, enquanto Lula registra 46,2%.

O dado ajuda a explicar por que a eleição permanece aberta apesar da vantagem de Lula nas intenções de voto. Flávio Bolsonaro lidera a rejeição, mas reduziu a distância para Lula no segundo turno, enquanto o presidente mantém vantagem nos quatro confrontos testados pela CNT/MDA.

O ponto politicamente mais relevante é que rejeição não significa voto no adversário. Ela estabelece, porém, um teto potencial para o crescimento de uma candidatura: quanto maior o contingente que afirma não votar de jeito nenhum em determinado candidato, menor tende a ser o espaço disponível para conquistar eleitores de outros grupos.

Isso ganha peso diante dos 31% que não declaram espontaneamente uma preferência. Esse grupo não pode ser tratado como um bloco eleitoral homogêneo nem como votos disponíveis automaticamente para Lula ou Flávio. São eleitores em diferentes graus de indecisão, e parte deles pode simplesmente não ter escolhido um nome porque ainda não foi apresentada a lista de candidatos.

A combinação entre intenção de voto, rejeição e voto espontâneo produz o principal diagnóstico da pesquisa: Lula começa a corrida em posição mais confortável, Flávio é o único adversário com dimensão eleitoral suficiente para ameaçá-lo, mas ambos carregam rejeições elevadas. A parcela que ainda não consolidou sua escolha será, portanto, decisiva para determinar o tamanho da vantagem – e, sobretudo, se ela será suficiente para produzir uma vitória no primeiro turno ou levar a disputa para o segundo.

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