Território Rio das Cobras é a maior comunidade indígena do Paraná
Área fica entre Nova Laranjeiras e Espigão Alto do Iguaçu, com 800 famílias
17/08/2026
Comunidade não gosta de ser chamada como "reserva", e sim Território Indígena Goj Ki Pyn (Rio das Cobras). Para eles, reserva cria distanciamento com a população em geralO Território Indígena Goj Ki Pyn (Rio das Cobras) é considerado a maior comunidade indígena do Paraná. Com cerca de 18 mil hectares, o território abriga mais de 800 famílias, distribuídas entre 11 comunidades.
A população é formada majoritariamente pelo povo Kaingang, além de famílias do povo Guarani-Mbya, que compartilham o território e mantêm suas próprias tradições, formas de organização e identidades culturais.
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Localizado no Centro-Sul do Paraná, o território se estende pelos municípios de Nova Laranjeiras e Espigão Alto do Iguaçu.
O reconhecimento oficial da área remonta à década de 1920, embora a presença indígena na região seja muito anterior à demarcação formal.
“Reserva” ou território indígena?
Entre os indígenas, há resistência ao uso da expressão “Reserva Indígena Rio das Cobras” para denominar o território. A preferência é por Território Indígena Goj Ki Pyn (Rio das Cobras) ou Terra Indígena Rio das Cobras.
A crítica está relacionada ao próprio significado histórico da palavra “reserva”, associada à ideia de uma área destinada a manter povos indígenas afastados da sociedade envolvente.
“Reserva… Estamos reservados de que? Da ‘civilização’?”, questionou um indígena Kaingang ao criticar a denominação.
A questão não é apenas semântica. Para as comunidades, a forma como o território é chamado também está relacionada à maneira como os povos originários são percebidos e tratados pela sociedade não indígena.
Vida às margens da BR-277
A proximidade com a BR-277 é um dos principais pontos de tensão envolvendo as comunidades. A rodovia atravessa a região e concentra intenso fluxo de veículos, incluindo caminhões que transportam cargas entre o Paraná e outras regiões do país. Recentes ações de saques e vandalismo, envolvendo membros do território indígena em saques a veículos tombados na BR-277, provocou confronto policial e fortes reações de desaprovação dentro da própria aldeia e na sociedade em geral.
Segundo relatos de indígenas, a convivência com a rodovia também envolve atropelamentos, riscos para pedestres e animais e episódios de ameaças e conflitos com não indígenas.
Ao mesmo tempo, acidentes com caminhões e o consequente saque de cargas tornaram-se um problema recorrente no trecho, provocando operações policiais e episódios de confronto.
As lideranças indígenas afirmam que comportamentos praticados por indivíduos não devem ser atribuídos coletivamente às comunidades. A preocupação é evitar que episódios envolvendo saques reforcem o preconceito contra os povos que vivem no território.
Um território com identidade própria
A Goj Ki Pyn reúne comunidades que preservam línguas, costumes, espiritualidade, formas próprias de organização e vínculos históricos com o território.
Para os Kaingang e Guarani-Mbya, portanto, a área não representa apenas um espaço de moradia. É território de pertencimento, memória, cultura e reprodução de seus modos de vida.
Em números
- Nome: Território Indígena Goj Ki Pyn (Rio das Cobras)
- Área: aproximadamente 18 mil hectares
- Famílias: mais de 800
- Comunidades: 11
- Povos: Kaingang e Guarani-Mbya
- Municípios: Nova Laranjeiras e Espigão Alto do Iguaçu
- Reconhecimento oficial: década de 1920
- Principal rodovia próxima: BR-277
- Identidade predominante: Kaingang
Todo mundo fala
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