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Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito” em carta e depois altera texto

Senador alega fraude sem apresentar provas e anuncia oposição a partir dos EUA; TSE reafirma validade da eleição e Rogério Marinho diz não haver evidências de irregularidade

28/10/2026
Documento divulgado após a chegada aos Estados Unidos abriu divergências na oposição sobre a contestação do resultado das urnasDocumento divulgado após a chegada aos Estados Unidos abriu divergências na oposição sobre a contestação do resultado das urnas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta na qual se apresentou como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, contestou sem provas a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e anunciou que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. 

Derrotado no segundo turno de domingo (25), Flávio não foi eleito presidente. O resultado reconhecido pela Justiça Eleitoral confirmou a reeleição de Lula. A carta provocou reações de autoridades, governistas e integrantes da própria oposição.

No documento, o senador acusa o Judiciário de perseguição política e questiona a decisão que prorrogou a votação até as 19h. A medida, tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, havia sido solicitada pelas campanhas do PT e do PL.

Flávio também afirma que houve uso da máquina pública em benefício de Lula, mas não apresenta no texto provas que sustentem suas acusações de fraude.

O senador agradece aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento e pelo apoio recebido. Afirma que deixou o Brasil para preservar a família e manter sua atuação política.

A carta ainda compara sua situação à de personagens que atuaram politicamente no exterior, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí. Ao se dirigir a parlamentares e governadores aliados, Flávio anuncia que pretende organizar a oposição fora do país e mobilizar apoiadores por meios que descreve como pacíficos e legítimos.

Coordenador da campanha diz que não há provas de fraude

Uma das principais reações dentro do próprio PL veio do senador Rogério Marinho (RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio. Em entrevista no Senado, ele afirmou que nem ele nem o partido poderiam sustentar a acusação de fraude por falta de provas.

Marinho também comentou a alteração da carta. Disse que a versão definitiva apresentava Flávio como uma liderança política e atribuiu a referência inicial a presidente eleito a um possível problema na elaboração do documento.

Os números da votação também contrariam a associação feita na carta entre a prorrogação do horário e a derrota do senador. Segundo os dados apresentados na cobertura do pleito, foram computados 34.393 votos nas duas horas adicionais, enquanto a vantagem de Lula superou quatro milhões de votos.

TSE reafirma segurança da eleição

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou na quarta-feira que as eleições transcorreram dentro da normalidade e respeitaram as normas legais e constitucionais.

Em nota, o ministro reafirmou o compromisso da Justiça Eleitoral com a escolha dos eleitores. Também informou que os questionamentos apresentados pelos procedimentos legais serão examinados e respondidos.

Nunes Marques reconheceu a instabilidade na reta final da votação, mas destacou que as medidas adotadas pelas equipes técnicas permitiram concluir a apuração com segurança.

Carta provoca críticas de governistas e manifestações de aliados

Entre os aliados de Lula, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a autoproclamação e a busca de respaldo nos Estados Unidos. O parlamentar afirmou que a definição do presidente cabe aos eleitores brasileiros.

A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) questionou a organização e o financiamento da viagem de Flávio. Também criticou a contestação do resultado sem provas e a mudança no trecho em que o senador se apresentava como presidente eleito.

Na oposição, Eduardo Bolsonaro, Jorge Seif e José Medeiros compartilharam o documento sem comentários adicionais, segundo levantamento da CNN Brasil. A circulação da carta entre aliados ocorreu paralelamente à manifestação de Rogério Marinho, que afastou a existência de provas de fraude.

PF investiga saída do Brasil

A divulgação ocorreu após Flávio deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos. A Polícia Federal informou que investiga as circunstâncias da viagem, realizada apesar de uma decisão de Alexandre de Moraes que proibia o senador de sair do país e determinava a entrega de seus passaportes.

Segundo a corporação, Flávio atravessou a fronteira com a Argentina e embarcou em um avião particular. A PF afirmou não ter encontrado registro de passagem pelos postos brasileiros de controle migratório.

A restrição foi determinada em investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador nega irregularidades.

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