Eleições > ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro recua em carta, e aliados rejeitam contestação da eleição

Senador retirou expressão “presidente eleito”, mas manteve acusação de fraude sem provas; Trump diz que não vai se envolver, e Lula busca evitar crise diplomática

29/10/2026
: Após desembarcar em Miami, o senador anunciou que pretende comandar a oposição do exterior, iniciativa que encontrou resistência entre lideranças de seu próprio campo político: Após desembarcar em Miami, o senador anunciou que pretende comandar a oposição do exterior, iniciativa que encontrou resistência entre lideranças de seu próprio campo político

Flávio Bolsonaro (PL) voltou atrás na autodeclaração de “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas manteve as acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas. Divulgada nesta quarta-feira (28), após sua chegada aos Estados Unidos, a carta provocou críticas dentro do próprio campo político do senador. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, desaprovou o documento, enquanto outros aliados defenderam o reconhecimento da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O recuo ocorreu na apresentação que Flávio fez de si mesmo. A primeira versão o identificava como presidente eleito, apesar da derrota nas urnas no domingo (25). O texto foi substituído por outro em que passou a se apresentar como “líder do Brasil”. A alteração não incluiu o reconhecimento do resultado eleitoral.

Na carta, o senador agradeceu a Donald Trump e ao presidente argentino, Javier Milei, pelo apoio recebido para deixar o país. Também anunciou a intenção de comandar a oposição do exterior e declarou apoio a uma eventual candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado.

Entre as alegações, Flávio questionou a prorrogação da votação até as 19h, autorizada pelo ministro Cristiano Zanin. A decisão, porém, atendeu a pedidos das campanhas dos dois candidatos. O senador não apresentou evidências que sustentassem a acusação de fraude.

Trump evita endossar a carta

Donald Trump confirmou que seu governo autorizou a entrada de Flávio e da família nos Estados Unidos, mas não endossou sua autoproclamação. Questionado na quarta-feira sobre o documento, afirmou que não iria se envolver. Ao mesmo tempo, voltou a levantar suspeitas sobre a eleição brasileira sem apresentar provas.

Na quinta-feira (29), o presidente americano disse que pretende conversar com Lula. Ao ser perguntado sobre um telefonema para parabenizar o brasileiro, evitou comentar o reconhecimento da vitória e afirmou que não tomou partido na disputa a pedido do próprio presidente brasileiro.

Lula procura preservar relação com os Estados Unidos

No governo brasileiro, a orientação é evitar que a saída de Flávio e a carta se transformem em uma crise diplomática. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Lula decidiu não colocar o episódio no centro da relação com Trump e pretende preservar as negociações comerciais entre os dois países.

Auxiliares do presidente avaliam que eventuais providências sobre a saída do senador cabem ao Judiciário. A posição atribuída ao Planalto é deixar que Flávio responda pelo desgaste político, sem ampliar sua exposição por meio de um confronto presidencial.

Aliados desaprovam atitude de Flávio

A reação mais direta dentro do PL veio de Valdemar Costa Neto. “Não gostei”, afirmou o dirigente, ao ser questionado sobre a carta. Ele disse compreender a situação enfrentada pelo senador, mas acrescentou que o partido não aprovava a iniciativa.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também defendeu o respeito ao resultado. Já Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, afirmou que não há provas para sustentar uma denúncia de fraude, embora tenha preservado o reconhecimento do senador como liderança da direita.

União Brasil e MDB divulgaram manifestações de confiança no processo eleitoral. O próprio PL reconheceu a vitória de Lula. As posições expõem uma divisão entre a tentativa de Flávio de contestar a eleição e a decisão de importantes integrantes de sua base de atuar dentro do resultado das urnas.

Na base governista, parlamentares criticaram a tentativa de buscar respaldo externo para questionar a votação. Lindbergh Farias (PT-RJ) defendeu a soberania do eleitorado brasileiro, enquanto Sâmia Bomfim (PSOL-SP) classificou a carta como demonstração de enfraquecimento político do senador.

Recomendado para você

Últimas Notícias

IMPERIUM SB